25/11/2019 17:51

Advogado de Name põe magistrados como testemunhas de defesa em ação

São dois desembargadores e um ex-presidente do Tribunal do Trabalho, entre as oito pessoas elencadas em processo sobre arsenal

Marta Ferreira
Armas apreendidas com ex-guarda municipal geraram processo contra Jamil Name e mais quatro. (Foto: Arquivo)Armas apreendidas com ex-guarda municipal geraram processo contra Jamil Name e mais quatro. (Foto: Arquivo)

A defesa do empresário Jamil Name, 80 anos, réu em ações derivadas da Operação Omertà, que investiga grupo de extermínio atuante há uma década em Campo Grande, arrolou como testemunhas de defesa no processo mais avançado três magistrados aposentados de Mato Grosso do Sul, um médico e mais quatro pessoas apontadas como comerciantes e empresários.

A relação de oito testemunhas está na defesa prévia protocolada nesta segunda-feira (25) em ação por crimes relacionados ao arsenal apreendido no dia 19 de maio deste ano com o ex-guarda-civil Marcelo Rios, 42 anos. O episódio é tido como estopim da operação, que colocou, em setembro, 20 pessoas na prisão, entre elas Name pai e Name Filho.

Entre os nomes apresentados na lista do advogado Renê Siufi, defensor de Name, está o desembargador aposentado do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) Joenildo de Souza, dono de cheque apreendido durante as buscas na Omertà na casa do empresário.

Os outros dois magistrados aposentados são ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, Abdalla Jallad, e ex-vice-presidente do Tribunal de Justiça e desembargador aposentado Carlos Stephanini. Aparece, ainda, o médico Luis Antônio Simões.

A listagem se completa com os nomes de José Alberto Franco da Silva, citado como empresário, Antônio Carlos de Alcântara, comerciante, Márcio dos Santos Kutenberg, comerciante, e Marcos Marcelo dos Anjos Martins, que segundo o advogados é pecuarista. Todos têm endereço em Campo Grande.

Indagado sobre quem são as testemunhas a favor de Jamil Name, o criminalista Renê Siufi não detalhou. Disse que "são pessoas que têm coisas importantes a dizer". 

Andamento – Jamil Name é réu neste processo junto com Marcelo Rios, com Jamil Name Filho, 42 anos, o guarda civil afastado Rafael Antunes Vieira, 29 anos, e os policiais civis Vladenilson Olmedo, 60 anos, e Márcio Cavalcanti, 60 anos. Rios está preso desde maio e o restante foi para a cadeia no dia 27 de setembro.

O advogado Renê Siufi, que defende Jamil Name, acusado de chefiar grupo de extermínio em Campo Grande. O advogado Renê Siufi, que defende Jamil Name, acusado de chefiar grupo de extermínio em Campo Grande.

O processo começou a correr antes da Omertá ter seu “dia D”. Já tinha audiência de instrução e julgamento marcada, para 16 de dezembro, mas a sessão foi cancelada em razão da entrada de novos réus, em aditamento de denúncia apresentado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado) após as buscas e prisões de 27 de setembro.

Além de Jamil Name, Rafael Antunes Vieira apresentou defesa prévia. Marcelo Rios já havia anexado ao processo antes da operação e ainda pode fazer isso novamente, caso queira. Os policiais civis ainda não apresentaram suas manifestações prévias, assim como Jamil Name Filho, que trocou de advogado durante o processo.

Só depois disso o juiz responsável, Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, vai remarcar a audiência de instrução. Ele também vai intimar tanto as testemunhas relacionadas pela defesa quanto pela acusação. Pelo rito legal, primeiro é ouvida a acusação, depois a defesa e por último os réus são interrogados.

Não há prazo para isso ocorrer diante dos novos andamentos no processo. 

A Omertá tem ainda mais três ações, contra os 23 envolvidos, com acusações que vão de formação de organização criminosa até corrupção de agentes públicos de segurança. Ao todo, são 15 envolvidos com cargos públicos. Esses processos estão sob sigilo.

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