17/02/2019 17:08

Após morte de jovem em supermercado no Rio, grupo protesta em loja da Capital

Vítima foi asfixiada, em frente de sua mãe, pelo segurança de uma das lojas do Supermercado Extra na Capital carioca

Liniker Ribeiro
Manifestantes segurando cartazes com frases de conscientização (Foto: Direto das Ruas) Manifestantes segurando cartazes com frases de conscientização (Foto: Direto das Ruas)

Cerca de 50 pessoas da Capital protestaram, na tarde deste domingo (17), contra a morte do jovem Pedro Gonzaga, de 19 anos, asfixiado pelo segurança de uma das lojas do Supermercado Extra no Rio de Janeiro (RJ), na última quinta-feira (14). O ato, que é nacional e também foi marcado para acontecer em outras capitais do país, foi realizado em Campo Grande na unidade da empresa localizada na Rua Maracaju.

A manifestação, que tem por objetivo chamar atenção para o número de crimes, principalmente assassinatos, contra pessoas negras, atraiu ativistas, jovens negros e pessoas empáticas à luta negra por todo o país.

Na Capital, o grupo percorreu corredores do estabelecimento e, segurando cartazes, discursaram em voz alta termos como “Extra, Extra, Extra, a carne mais barata do mercado é a carne negra”, como forma de protesto.

 

Jovem segurando cartaz que diz Minha cor não é um crime durante protesto Foto: Direto das Ruas)Jovem segurando cartaz que diz "Minha cor não é um crime" durante protesto Foto: Direto das Ruas)

As mensagens escritas à mão pelos manifestantes também ressaltavam que “todos os dias, corpos negros são aniquilados por causa do racismo” e, principalmente, destacavam a importância da conscientização. “Vidas negras importam”, afirmavam a todo o momento os manifestantes.

Ações também foram registradas no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Fortaleza e no Recife. “Queremos Justiça: a rede Extra precisa atuar de alguma forma contra o genocídio da população negra, apoiando ações e instituições, para que jovens negros não sejam mais mortos como se suas vidas não valessem nada”, diziam na internet os organizadores da manifestação.

O caso – De acordo com informações da Agência Brasil, Pedro foi morto pelo segurança Davi Ricardo Moreira Amâncio, em frente de sua mãe. Um vídeo gravado por testemunhas mostra o segurança sobre o corpo do jovem, já imobilizado, mesmo depois que pessoas presentes ao supermercado o alertaram de que ele tinha parado de se mexer e estava ficando roxo.

Houve indignação nas redes sociais e internautas chegaram a afirmar que Pedro, por ser negro, havia sido vítima de racismo. Em nota, publicada pela Agência Brasil, a rede de supermercados Extra repudiou, com “veemência” a ação do segurança ou qualquer ato de violência em suas lojas. O texto diz ainda que a empresa abriu investigação interna para apurar o caso e que os seguranças envolvidos foram afastados.

O caso foi registrado na Delegacia de Homicídios para onde o segurança foi levado preso e liberado após pagar fiança de R$ 10 mil. Ele deve ser indiciado por homicídio culposo. O corpo da vítima foi enterrado ontem (16), no Cemitério Jardim da Saudade, em Paciência, zona oeste do Rio.

Com informações da Agência Brasil*

imagem transparente