26/04/2013 14:30

Governo socorre Bernal com R$ 229 mil em remédios para postos

Aline dos Santos
Secretário de Saúde recebe carga de medicamentos do Governo do PMDB, que tanto criticou (Foto: Vanderlei Aparecido)Secretário de Saúde recebe carga de medicamentos do Governo do PMDB, que tanto criticou (Foto: Vanderlei Aparecido)

Uma ação emergencial do governo do Estado socorreu a Prefeitura de Campo Grande com repasse de R$ 229.686,62 em medicamentos e materiais para a rede municipal de Saúde. O auxílio veio depois de pedido de ajuda da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). Na rede, formada por 81 postos de saúde, falta de agulha a anti-inflamatório.

“O pedido de apoio foi feito pelo secretário municipal de Saúde para a secretária estadual Beatriz Dobashi, que nos acionou”, conta o diretor-presidente do HR (Hospital Regional) Rosa Pedrossian, Ronaldo Queiroz.

Segundo ele, os medicamentos utilizados em hospitais são um pouco diferente dos oferecidos na atenção básica. Mas, ainda na noite de ontem, com trabalho até às 22h, os medicamentos compatíveis com o pedido da Prefeitura foram separados e entregues.

“São remédios para hipertensão, dor, anti-inflamatórios e adrenalina”, conta. A adrenalina é usada em casos de parada cardíaca e estava em falta nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). As 8.765 unidades de remédios correspondem ao valor de R$ 2.751,66.

 

Caminhão chega para retirar medicamentos doados pelo Governo estadual (Foto: Vanderlei Aparecido)Caminhão chega para retirar medicamentos doados pelo Governo estadual (Foto: Vanderlei Aparecido)
Caminhão chega no almoxarifado da Sesau (Foto: Vanderlei Aparecido)Caminhão chega no almoxarifado da Sesau (Foto: Vanderlei Aparecido)

Hoje, foram entregues para a Sesau R$ 226.970 em materiais. Os insumos foram retirados na empresa Stock, no bairro Nova Lima, que presta serviço ao HR. “O Hospital Regional tem o mais moderno sistema de armazenamento de insumo. Tem acompanhamento da Vigilância Sanitária, farmacêutico, seguro contra incêndio, roubo”, salienta Ronaldo Queiroz.

Carregado, o caminhão foi para o almoxarifado da Sesau, na Vila Margarida. Conforme o diretor do HR, são 86.088 itens, entre agulhas, ataduras, aventais descartáveis, cateteres venoso, seringas e sondas.

O diretor do Hospital Regional explica que é comum a troca de alguns materiais entre as unidades hospitalares. “Mas desta vez é uma situação excepcional. Não é um item, é uma situação de urgência”, afirma. De acordo com ele, a Prefeitura vai devolver os materiais emprestados quando tiver condições. “Mas sem a menor pressa ou condição”.

Diretor do HR conta quais medicamentos faltam na cidade (Foto: Vanderlei Aparecido)Diretor do HR conta quais medicamentos faltam na cidade (Foto: Vanderlei Aparecido)

No depósito da Sesau, o caminhão com materiais foi recebido pelo secretário municipal de Saúde, Ivandro Côrrea Fonseca, que foi ao local para atender a imprensa. De acordo com ele, a Prefeitura pediu à SES (Secretaria Estadual de Saúde) 20% de todo material necessário.

Durante à tarde, será feita conferência dos materiais e caso algum item não esteja na lista solicitada, será devolvido para o HR, conforme o secretário. Já o restante segue para os postos.

Apagão – O secretário Ivandro Fonseca culpa cancelamento de licitações no ano passado pela situação de desabastecimentos na rede municipal de Saúde. “No dia 28 de setembro de 2012 foi solicitado pela coordenadoria de assistência farmacêutica para o departamento administrativo a compra de medicamentos para todo o ano de 2013”, afirma.

O valor da compra, ao todo, era R$ 13 milhões. Conforme o secretário, no dia 8 de novembro o procedimento foi encaminhado para abertura do processo licitatório. No entanto, o procedimento foi cancelado em 20 de dezembro por falta de tempo hábil. “Essa situação não foi repassada para a equipe de transição. Disseram que tinha medicamento e material para seis meses. Por isso o colapso que vocês estão vendo”. Ontem, a Prefeitura protocolou denúncia no MPE (Ministério Público do Estado).

Segundo o secretário, o cancelamento só foi conhecido em janeiro deste ano. “Abrimos processo licitatório, mas tem toda a burocracia da licitação”, afirma.

Neste cenário, somente em maio deve acabar o drama do desabastecimento na rede de saúde da Capital. A situação também foi levada ao TCE/MS (Tribunal de Contas do Estado). A Prefeitura quer aval do tribunal para fazer uma contratação emergencial por dois meses.

A farmácia da rede municipal deve oferecer 473 itens. De acordo com ele, durante a epidemia de dengue não faltou medicamento devido ao decreto de emergência, que libera a compra sem licitação. Nos três primeiros meses do ano, foram 484 mil atendimentos nos postos de Campo Grande.

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