29/12/2018 16:25

Haitiana é agredida por vizinho e reclama que confusões são frequentes

A mulher afirma que já presenciou diversas cenas em que o vizinho agredia outros imigrantes, e sempre depois dele beber

Bruna Kaspary
Djenie ainda com os curativos do hospital, braço e olho inchados da agressão e com medo de voltar para casa (Foto: Bruna Kaspary)Djenie ainda com os curativos do hospital, braço e olho inchados da agressão e com medo de voltar para casa (Foto: Bruna Kaspary)

Assustada, ferida e sem saber falar o idioma local, Djenie Desir, de 27 anos, está com medo de voltar para casa que mora com a irmã e o cunhado na vila Rita Vieira depois de ter sido agredida por um vizinho. A jovem, assim como a maioria dos moradores da vila de casas onde ela vive, é haitiana e está no Brasil há quatro meses.

Depois de receber alta da Santa Casa, com lesões no braço e o olho inchado e roxo, a jovem decidiu que não queria mais voltar parra a casa da irmã, com medo de novas agressões. Ela foi socorrida pelo namorado na noite de ontem (28) e levada ao hospital.

Encaminhada ao Cedami (Centro de Apoio aos Migrantes), Djenie não sabe quanto tempo ficará no local e está somente com a roupa que usava quando foi levada para atendimento. Ela teme pela segurança da irmã e do cunhado, já que o agressor costuma ser violento.

A jovem ainda está com o olho bastante inchado e roxo (Foto: Bruna Kaspary)A jovem ainda está com o olho bastante inchado e roxo (Foto: Bruna Kaspary)

Toda a confusão aconteceu, segundo ela, porque esse vizinho, identificado como Maykon Martinez, de 32 anos, teria bebido, e sempre que ele ingere bebidas alcoólicas agride os imigrantes.

Ainda de acordo com Djenie, essa foi a primeira vez que ela foi vítima do vizinho, outro morador da vila também foi agredido na noite passada, mas quem ficou mais machucada foi a jovem.

Ela ainda lembra que recentemente outra mulher também foi agredida por Maykon.

Segundo a mãe do homem, Cláudia Paula Martinez, de 56 anos, houve somente outras duas situações em que o filho se meteu em confusão com os haitianos, mas que nunca foi algo grave.

Ao Campo Grande News, Maykon disse apenas que os vizinhos entraram na casa dele o ameaçando, e por isso deu-se toda a confusão.

Ralado no braço de Djenie foi provocado durante as agressões (Foto: Bruna Kaspary)Ralado no braço de Djenie foi provocado durante as agressões (Foto: Bruna Kaspary)

Djenie lembra que a polícia foi acionada, mas pouco tempo depois ele já estava em casa de novo, como se nada tivesse acontecido, apesar de ela estar no hospital buscando atendimento. Ela diz que das duas vezes que a polícia foi chamada, sempre o mesmo policial aparece no local, e ele teria um relacionamento com alguém da família de Maykon.

Cláudia confirmou que, antes de mudarem para casa na vila, há sete meses, a família toda morava na residência de um policial, mas não confirmou se é ele quem foi atender a ocorrência.

Enquanto a situação permanece instável, Djenie fica abrigada no Cedami, mas está sem conseguir falar com a família desde ontem e pensa em ir buscar algumas mudas de roupas, apesar de ser orientada a pedir que a irmã leve para ela.

Preso por violência doméstica diz ter sido torturado por detentos em presídio
Um rapaz, de 29 anos, condenado por violência doméstica diz ter sido torturado por colegas de cela no Estabelecimento Penal do Regime Aberto de Campo...
Jovem tem WhatsApp clonado após anunciar venda de veículo em site
Mais um morador de Campo Grande teve o seu aplicativo de WhatsApp, clonado por golpistas. Neste sábado (18) um rapaz, de 27 anos, procurou a polícia ...
imagem transparente