16/10/2018 11:57

Mulheres de diversos Estados protestam contra maus-tratos no Presídio Federal

Cerca de 15 esposas dos presos reuniram-se em frente ao Presídio em Campo Grande para denunciar uma série de violações de direitos

Izabela Sanchez e Bruna Pasche
Grupo de mulheres de presos em frente ao Presídio Federal de Campo Grande na manhã desta terça-feira (Bruna Pasche)Grupo de mulheres de presos em frente ao Presídio Federal de Campo Grande na manhã desta terça-feira (Bruna Pasche)

As esposas deixaram cidades como Rio de Janeiro, Natal, Pernambuco, Recife, Manaus e São Paulo para denunciar a rotina vivida pelos companheiros. Elas afirmam que o Presídio tem fornecido comida estragada para os detentos. Além disso, contaram que ficam peladas para serem revistadas.

As mulheres pediram para não serem identificadas, por medo de represálias durante os dias de visita, que ocorrem às quartas e quintas. Elas chegaram à frente da penitenciária às 9h, e atraíram a atenção de diversas viaturas da polícia militar, incluindo a tropa de choque, além da PRF (Polícia Rodoviária Federal).

A presença das forças não intimidou o grupo que gritava palavras de ordem como “não vão intimidar a gente”, “a gente não vai sair daqui” e “estão chamando reforço para 15 mulheres que só querem direitos para os maridos”.

Uma das mulheres é natural de Recife, tem 26 anos e protesta pelo marido que foi preso por terrorismo. “Não existe essa agachação”, comentou, sobre a revista. “Meu marido tem pressão alta e vive passando mal porque não é atendido”. Segundo ela, para receber atendimento médico é necessário um requerimento que pode demorar dias para sair.

Denúncias das mulheres são de maus-tratos na rotina dos presos (Bruna Pasche)Denúncias das mulheres são de maus-tratos na rotina dos presos (Bruna Pasche)

“Não queríamos passar por isso, estar no protesto, mas atingimos nosso limite”, contaram.

A mulher ainda relatou que as visitas íntimas não ocorrem há mais de um ano. Um simples toque, contou, teria provocado a ira de um agente. “Meu marido foi pegar no meu cabelo e o agente começou a bater na porta mandando soltar, não pode ter toque ou algum tipo de carícia”, relatou.

Os presos, disseram as companheiras, são obrigados a dividirem um pedaço de sabonete que deve durar 15 dias. As roupas, afirmam, não são lavadas diariamente e diversas vezes os presos são obrigados a aguentarem o mau cheiro das peças.

Outra esposa relatou à reportagem que o marido já tentou suicídio duas vezes, a última na semana passada. Preso há 3 anos, ele aguarda um teste de sanidade mental. As mulheres ainda contaram que os detentos não querem sair para o banho de sol, como forma de protesto, mas recebem agressões e spray de pimenta quando resistem.

A reportagem enviou perguntas ao Depen (Departamento Penitenciário Nacional), por meio da assessoria de imprensa, mas ainda não recebeu resposta.

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