20/02/2019 15:01

Conhecido como “Coronel”, ex-PM que furtou corpo é suspeito de homicídio

Rosilei Potronieli, de 37 anos, que teve o corpo furtado de cemitério de Dois Irmãos do Buriti, seria testemunha-chave do caso se não tivesse sido assassinada

Anahi Zurutuza e Mirian Machado
José Gomes aguardando para entrar na audiência de custódia nesta terça-feira (19) (Foto: Guilherme Henri)José Gomes aguardando para entrar na audiência de custódia nesta terça-feira (19) (Foto: Guilherme Henri)

O emaranhado de crimes e investigações que envolvem o nome de José Gomes Rodrigues, de 57 anos, e Rosilei Potronieli, 37, parece não ter fim.

O ex-PM, que furtou o corpo de ex-namorada de Dois Irmãos do Buriti, é investigado também por homicídio. O crime aconteceu no fim de janeiro e vítima era vizinha do ex-tenente, que morava em Terenos, mas mantinha chácara em Campo Grande. Rosilei, que teve o corpo levado do cemitério, seria testemunha-chave na investigação se não tivesse sido assassinada.

Consta no boletim de ocorrência, que um amigo encontrou o corpo de Mauro Francisco da Silva, de 45 anos, por volta das 7h do dia 21 de janeiro e chamou a PM (Polícia Militar).

Essa testemunha contou aos policiais que no dia anterior estava junto da vítima e do vizinho da mesma, que se apresenta e é conhecido na cidade como “Coronel”. José Rodrigues é ex-tenente da PM e segundo o delegado, André Luiz Mendonça, ele mora em Terenos com as filhas.

Rosilei, que foi esfaqueada no dia 9 de fevereiro e morreu no dia 10, era considerada ex de Rodrigues pela investigação desencadeada em Dois Irmãos do Buriti, quando o corpo dela sumiu da cova menos de 24 horas depois do enterro. Mas, ainda de acordo o delegado, ela estava se relacionando com o ex-PM quando ocorreu o assassinato do vizinho. “Ela estava na cidade, não necessariamente na hora do fato”.

A mulher chegou a ser procurada pela polícia na semana que foi assassinada para prestar depoimento, mas não foi encontrada.

José Gomes Rodrigues foi ouvido, mas nega qualquer participação no crime.

O homicídio – Mauro Francisco morava sozinho. Conforme descreveu a PM no boletim de ocorrência, a cena do crime era bem sangrenta. Havia “muita bagunça” e “sinais de briga”, consta no histórico do registro.

“Tinha sangue desde no quarto até a calçada externa. O corpo que estava do lado interno perto do muro com muitos cortes e perfurações”, também constataram os policiais militares que estiveram no local naquela segunda-feira.

O cadáver estava ao lado de uma enxada e dentro da casa, os PMs também encontraram uma faca com cabo branco. Os objetos foram relacionados no registro policial.

A investigação ainda não foi concluída. O delegado preferiu não dar mais muitos detalhes para não atrapalhar a apuração, mas confirmou que José Gomes Rodrigues é suspeito.

Rosilei Potronieli e José Gomes Rodrigues; fotos foram divulgada pela Polícia Civil quando ele ainda era procurado (Foto: Divulgação)Rosilei Potronieli e José Gomes Rodrigues; fotos foram divulgada pela Polícia Civil quando ele ainda era procurado (Foto: Divulgação)

Coronel e Rosilei – Quando Rosilei foi esfaqueada, o “Coronel” estava preso em Terenos. Ele havia feito ameaças a ela.
Mendonça afirma que é quase nula a chance de Rodrigues ter relação com o assassinato da mulher com quem se relacionava. A hipótese, contudo, não foi descartada. “É pouco provável, mas não descarto a ligação do assassino com o ex-namorado que furtou o corpo”.

O assassino de Rosilei está preso e o ex-PM é investigado pela Delegacia de Dois Irmãos do Buriti pela subtração do cadáver. Ele tirou o corpo do cemitério e o enterrou na chácara dele na área rural da Capital.

José Rodrigues também está preso, mas por outro motivo. No domingo, 17 de fevereiro, ele foi preso em Campo Grande por dirigir bêbado.

A defesa do ex-PM ainda vai tomar conhecimento da investigação em Terenos para se manifestar. “Ele pode ter sido ouvido na condição de testemunha, uma vez que era vizinho”, ponderou o advogado Jakson Yamashita, que faz parte do time que defende o ex-tenente.

Yamashita também confirmou que o relacionamento entre Rodrigues e Rosilei era de idas e vindas.

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