19/12/2017 10:34

Empresa paulista vai receber R$ 716 mil por mês para gerenciar hospital

Gamp, com sede em Cotia (SP), venceu licitação feita pelo governo do Estado para assumir hospital de cirurgias de Dourados

Helio de Freitas, de Dourados
Hospital de cirurgias funcionou por um ano e está fechado há 13 meses (Foto: Arquivo)Hospital de cirurgias funcionou por um ano e está fechado há 13 meses (Foto: Arquivo)

Após nove meses, a Secretaria Estadual de Saúde conseguiu finalizar a licitação para contratar uma OS (organização social) para gerenciar o Hospital de Cirurgias da Grande Dourados. Inaugurado em 2015, o hospital funcionou por menos de um ano e está fechado há 13 meses. O resultado foi publicado hoje (19) no Diário Oficial de Mato Grosso do Sul.

O Gamp (Grupo de Apoio a Medicina Preventiva e à Saúde Pública), vai receber R$ 716,1 mil por mês para colocar a unidade em funcionamento. Com sede em Cotia (SP), já atua em unidades hospitalares do Rio de Janeiro, Pernambuco, Amazonas e Santa Catarina.

Nesta terça-feira, a Secretaria Estadual de Saúde informou que agora faltam a homologação do resultado da licitação e a assinatura do contrato. A previsão é que o Gamp assuma o hospital em 30 dias.

A licitação foi aberta pelo governo em março deste ano, mas uma disputa entre as empresas concorrentes atrasou o processo, suspenso por duas vezes.

O Gamp e o Cies (Centro de Integração de Educação e Saúde), também de São Paulo, apresentaram os documentos exigidos no edital do chamamento público. No primeiro momento, as duas empresas foram inabilitadas.

No entanto, no mesmo dia em que foi aberto prazo para apresentação de nova documentação, o Gamp entrou com liminar de suspensão por não concordar com a inabilitação e o processo de escolha foi suspenso e retomado no mês passado.

Inquérito – Em outubro, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou inquérito civil para investigar possíveis irregularidades na gestão do hospital de cirurgias. De acordo com o promotor Ricardo Rotunno, a principal suspeita é de subutilização da estrutura, localizada no cruzamento da Rua Coronel Ponciano com a Avenida Weimar Gonçalves Torres.

No local funcionava o hospital particular São Luiz, que foi extinto. Em dezembro de 2015, o governo do Estado abriu a unidade de cirurgias eletivas, entregue para gerenciamento do Hospital Evangélico. Em novembro do ano passado, no entanto, a unidade foi fechada e até agora não retomou atendimento.

Em fevereiro deste ano, foi firmado um acordo na 6ª Vara Cível de Dourados, entre o governo do Estado, a prefeitura e o Ministério Público, para que o município assumisse, em 30 dias, a gestão do hospital de cirurgias, até a contratação da OS para administrar a unidade.

Apesar de o hospital ser do Estado, o inquérito do MP é contra o município de Dourados, que deveria ter assumido a gestão da unidade em fevereiro. A prefeitura alegou falta de recursos para assumir o hospital.

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