02/12/2019 13:33

Qual o motor fundamental da riqueza na economia?

Emanuel Steffen

Ao contrário do que muitos pensam o crescimento da riqueza de uma nação em sua maior parte, não provém da teoria dos incentivos (teoria das punições e incentivos). Aqueles indivíduos mais críticos ao livre mercado (vulgarmente denominado capitalismo) principalmente aqueles ávidos por poder e controle estatal se apropriam deste conceito para desenhar um cenário fajuto contra a livre iniciativa, tentando emplacar a narrativa de um sistema econômico moralmente baixo baseado na manipulação das necessidades humanas como um sistema de neo-escravidão.

Quando nos debruçamos para a entender a questão sobre o que de fato gera o crescimento da economia dos países e sobre como a sua riqueza é criada, muitas respostas podem surgir. Para o cidadão comum essa riqueza advém dos recursos naturais que cada país possui e consegue explorar, para outros mais familiarizados com as teorias econômicas poderia ser a oferta de crédito a juros subsidiados, para estimular a produção e consequentemente o emprego e o consumo.

O que queremos mostrar aqui é que apesar de serem boas tentativas, essas respostas não estão corretas. O ingrediente essencial para o crescimento e para a criação da riqueza é simplesmente o conhecimento. E podemos observar a validade dessa afirmação de maneira muito objetiva. Veja, é inegável que o estilo de vida que desfrutamos atualmente é muito superior em termos de praticidade, conforto e qualidade do que o estilo de vida experienciado por nossos antepassados.

Esse upgrade é válido tanto para medicina com o surgimento de inovações como vacinas, a penicilina, transplantes de órgãos e ganhos em nutrição, até para agricultura e a energia, como o desenvolvimento da eletricidade, da pecuária intensiva e dos novos defensivos. Tal diferença no padrão de vida entre épocas distintas é explicado exclusivamente pela presença ou ausência de um certo conhecimento ou de um novo estado da técnica que conhecemos como novas tecnologias.

Afinal a quantidade de recursos físicos disponíveis na natureza ao redor não se alterou significativamente entre as idades históricas. A quantidade de ferro e outros minerais necessários hoje a fabricação no Brasil de componentes eletrônicos presentes em máquinas industriais, smartphones, aviões e automóveis é a mesma presente no período Imperial ou antes da chegada dos portugueses.

Em outras palavras se considerarmos a criação de riqueza como uma fórmula matemática composta por vários elementos, a variável que se alterou com o passar do tempo não foram os recursos físicos presentes na natureza e tão pouco a nossa constituição biológica. O único componente que apresentou uma variação positiva foi o conhecimento acumulado, e é isso que define a diferença em qualidade de vida e conforto em relação aos nossos antecessores, e o mesmo vale para qualquer época da história humana. Esse é o fenômeno capaz de gerar bem estar coletivo e que permanece progressivo até os dias atuais: o nível de conhecimento.

O conhecimento produz as inovações que provocaram grandes e repentinas transformações no modo de vida da espécie humana. As inovações parecem surgir de maneira aleatória e proporcionam muitos avanços benéficos. A imprevisibilidade é a principal característica dessas inovações. Justamente por não ser um fenômeno planejado e arquitetado de maneira antecipada, essas mudanças repentinas podem trazer consequências inesperadas e afetar uma série de agentes econômicos que podem estar despreparados ante aos acontecimentos que ainda desconhece. O clássico exemplo que podemos citar é o mercado de transportes privado. Muitos taxistas sentiam que sua vida estava ganha no sentido de ter o seu mercado protegido e regulado pelo governo, o que garantia para esta categoria de profissionais o monopólio de atuação no mercado. A consequência dessa “estagnação” são notórias gerando reclamações constantes sobre mal atendimento, altos preços e outros abusos.

Com o desenvolvimento de aplicativos de mobilidade, sendo o pioneiro UBER o agente de maior impacto, toda essa indústria foi abalada. O mercado antes garantido aos taxistas que de maneira geral estavam acomodados devido ao amparo estatal, viram o seu “reinado” ser perturbado por uma gama de novos serviços concorrentes que ofertavam serviços superiores no que se refere a qualidade de atendimento, praticidade, liberdade de atuação profissional, preço e muito mais. Esse é um dos inúmeros exemplos que poderíamos citar de casos atuais que estão revolucionando mercados e indústrias antes consolidadas, mas que de uma hora para outra acabaram sendo surpreendidas pela imprevisibilidade da inovação, fruto do processo de acumulação de conhecimento.

Séculos de charrete não foram páreos para o novo modelo T da ford, assim como anos na liderança no mercado de locação de vídeos não impediu o fim da Blockbuster frente aos serviços de streaming ou a Kodak que perdeu a liderança em revelação de fotografias para os smartphones dotados com câmeras digitais de alta resolução. Este é motor da riqueza: as inovações levam ao aperfeiçoamento de novas técnicas, novas tecnologias e ao desenvolvimento de novos produtos, serviços, empresas, profissões e outros mercados inéditos diretos e periféricos que distribuem essa riqueza por toda a economia.

Sendo assim, podemos entender quais são as etapas fundamentais que compõem a criação de riqueza. Primeiro é preciso haver um ambiente de liberdade chamado de livre iniciativa. Você deve ser livre para pensar, imaginar, testar e desenvolver novos produtos da maneira que achar mais apropriada para atender a uma demanda de mercado. Essa liberdade produz novos conhecimentos que levam a inovação e a geração de riqueza e em consequência o crescimento da economia.

Liberdade fomenta o conhecimento e a inovação, e esses produzem riqueza e crescimento. Fantástico não é? Esse é o arranjo que torna possível a prosperidade no mundo atual como o conhecemos. O contrário desse processo de riqueza também produz um resultado inverso ao da riqueza. Menos liberdade significa menos conhecimento. Consequentemente não há inovação e o efeito é a estagnação econômica e pobreza.

Mas porque ainda existem pessoas e governos que se recusam a adotar este modelo de maneira mais abrangente? Como alguém pode ser contra a “fórmula da riqueza”? A resposta a essa pergunta é que sim, infelizmente existem pessoas contra esta dinâmica, pois ela afeta diretamente aos seus interesses mais escusos.

O corolário é o cenário que observamos a nível nacional e mundial, onde impera o conluio baixo entre empresas e governos que se utilizam de falsos pretextos como a proteção do consumidor e a defesa do interesse nacional, para desenvolver regulamentações, burocracias desonestas, controle de preços e imposição de taxas e impostos que na prática, limitam a entrada de novos concorrentes e garantem uma reserva de mercado para as organizações já estabelecidas e amigas do rei (estado).

Isso explica o que vemos nos noticiários diariamente: subornos, lavagem de dinheiro, desvio do interesse público da máquina estatal e corrupção causada por políticos desonestos e pseudo-empresários que atuam contra a dinâmica da riqueza que mostramos anteriormente, o livre mercado.

Diante de tudo isso ainda nos resta uma boa notícia. É perfeitamente possível sabotar e retroceder com esse processo de sufocamento da criatividade, engenhosidade e potencial inventivo causado pelo peso da burocracia, regulamentações, coerção e taxação estatal. Exemplos factuais e contemporâneos nos mostram isso, como: a reconstrução do leste Europeu após o fracasso comunista, na década de 70 o Chile e EUA, na década de 1980 a Nova Zelândia, em 1990 Índia e China, e nos anos 2000 o Canadá.

Até aqui fica muito fácil observar que, o que realmente move uma economia é o processo criativo e inventivo, uma das capacidades humanas inatas mais poderosas, transformadoras e que para florescer e dar o seu fruto precisa necessariamente de um solo onde a livre iniciativa, a garantia a propriedade privada e a segurança jurídica catalisem todo esse próspero processo de maneira natural.

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