04/10/2011 11:30

Fãs patrocinam show e lançam esquema de cota cultural em Campo Grande

Ângela Kempfer
Foto divulgada em mídias sociais, fome pelos shows.Foto divulgada em mídias sociais, "fome" pelos shows.

Pela primeira vez, Campo Grande vai experimentar o sistema de “vaquinha cultural” ou, para ser mais legal, o crowdfunding – financiamento coletivo de shows.

O conceito simples já vingou em grandes cidades brasileiras e, como toda boa ideia, tem empresas e site só para reunir fãs interessados em dividir as despesas e produzir por conta próprio o espetáculo.

Em Campo Grande, o teste deu certo e começa pela música autoral de Mato Grosso do Sul. Grupo de 100 fãs comprou cota de 50 reais e patrocina por conta própria o show da banda Louva Dub na Morada dos Baís.

A divulgação começou há um mês via mídias sociais e em uma semana 80% das cotas foram vendidas.

“A gente sabia que tinha público, mas foi uma surpresa a rapidez da venda. Foi um voto de confiança, pagar e ficar um mês esperando pelo show”, comenta o baixista Daniel Costa.

Para o show fechado – apenas os cotistas e outros 100 convidados vão ter acesso, a banda tem trabalho com misto de MPB, samba, reggae, dub e ska, mas preparou um espetáculo especial para a estréia no sistema coletivo, além de CDs que serão distribuídos e o acesso ao camarim. “Vamos apresentar 5 músicas inéditas e ter participações”, avisa Daniel.

O custo estimado é de R$ 6.5 mil, mas o Coletivo Kazuá, responsável pelo esquema todo, conseguiu apoio das fundações municipal e estadual de Cultura.

“Essas pessoas que compraram as cotas ganham o título de agentes culturais. Queremos colocar fim à dependência”, explica Vinil Moraes, um dos organizadores.

A ideia não é apenas viabilizar shows para fãs, mas movimentar o mercado cultural, dando trabalho para iluminadores, cenógrafos, músicos e produtores. Para a produção de quarta-feira, pelo menos 12 pessoas trabalharam e foram remuneradas, além da banda.

“Escolhemos a Morada dos Baís justamente porque foi a casa de Lídia Baís, uma vanguardista. Essa é a proposta, começar um esquema novo de produção cultural”, diz Vinil.

Nos planos do coletivo Kazuá também existe a vontade de patrocinar com o mesmo sistema a gravação de um DVD só de música autoral, onde as bandas viabilizariam a venda das cotas.

“Em Curitiba, a ‘Banda Mais Bonita da Cidade’ gravou um CD super profissional só com o esquema de cotas”, comenta Daniel.

Depois da Europa, o financiamento coletivo de shows ganhou várias versões pelo Brasil, mas começou pelo Rio de Janeiro, com fãs patrocinando o circuito alternativo e shows internacionais.

A Mobsocial, por exemplo, faz pela internet a mobilização. Os fãs compram cotas para os shows de seus ídolos. Se todas as cotas forem compradas, o show acontece na cidade que se mobilizou primeiro. O sistema de pagamento é 100% seguro e caso a mobilização não se concretize, os fãs recebem o dinheiro de volta integralmente.

Louva Dub é a primeira banda com show viabilizado pelas cotas. (Foto: Divulgação)Louva Dub é a primeira banda com show viabilizado pelas cotas. (Foto: Divulgação)
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