21/04/2019 07:36

Após 55 anos sem fotos do casamento, sobrinha realiza sonho de casal em parque

Lindo foi ouvir dona Antônia falar do romantismo e que não sai de casa sem segurar nas mãos do seu "velho".

Thailla Torres
Os dois estão juntos há 55 anos, mas só nesta semana protagonizaram o primeiro ensaio de casamento. (Foto: Letícia Espíndola)Os dois estão juntos há 55 anos, mas só nesta semana protagonizaram o primeiro ensaio de casamento. (Foto: Letícia Espíndola)

Embora o amor tenha reinado em todos os anos de casamento, dona Antônia não nega a tristeza ao lembrar que, no dia de sua cerimônia, não conseguiu ter um fotógrafo que registrasse o momento de amor entre ela e o seu Vital. Hoje, 55 anos depois da cerimônia, o sorriso quase não cabe no rosto. Ela e o marido ganharam da sobrinha-neta o primeiro ensaio de casal, com fotos no Parque das Indígenas, lugar preferido deles em Campo Grande.

“Nós vimos muita capivara, andamos até sentir uma tremedeira nas pernas, foi tão divertido que eu nem liguei para quem passava”, conta Antônia Maria da Cruz Martins, de 76 anos, por telefone.

Ela é nascida no Pernambuco, mas vive há anos em São Paulo com o marido. Neste mês decidiu uma visita ao filho que mora em Campo Grande e, por isso, ganhou um ensaio da sobrinha Letícia Espíndola que é fotógrafa. “Foi um sonho realizado, não tem outra coisa que define”, diz animada.

Romance esteve no ar durante todo passeio pelo Parque das Nações Indígenas. (Foto: Letícia Espíndola)Romance esteve no ar durante todo passeio pelo Parque das Nações Indígenas. (Foto: Letícia Espíndola)

Sorte seria se através deste texto o leitor pudesse ouvir a voz de Antônia, que além de descrever com emoção o momento vivido em Campo Grande, demonstra todo romantismo do mundo. “Não aceito nem ir ao supermercado se não estiver segurando nas mãozinhas do meu velho”, declara.

Os dois se conheceram no interior do Pernambuco. Antônia brinca que foi ela quem buscou Vital Antônio Martins, hoje com 75 anos. “Minha tia era casada com o irmão dele, mas eu não conhecia. Um dia, fui para casa da minha avó e acabei conhecendo ele junto com a minha tia. E me apaixonei, ele também”, conta.

O amor começou rápido, à primeira vista. Mas viver o sentimento exigia mais do que vontade. “Era preciso paciência, porque naquele tempo a gente não podia namorar sem autorização dos pais. Então ele me escrevia, com lápis, porque só professora usava canetas”, descreve.

Não há um dia que eu saia de casa sem segurar na mão do meu velho, diz Antônia. (Foto: Letícia Espíndola)"Não há um dia que eu saia de casa sem segurar na mão do meu velho", diz Antônia. (Foto: Letícia Espíndola)
Cartinha amarela como um maracujá. (Foto: Arquivo Pessoal)Cartinha amarela como "um maracujá". (Foto: Arquivo Pessoal)

As cartinhas continuam guardadas na caixa de recordações de Antônia. Uma delas, “amarela como um maracujá madurinho” brinca a esposa. “Não abro mão de cuidar delas, é um momento lindo da nossa história”, diz.

Quando finalmente chegou o casamento, o sonho de Antônia era ter um fotógrafo que registrasse o momento. “Meu pai foi atrás, mas minha cidadezinha era longe e o fotógrafo não apareceu. Fiquei sem retrato do dia da cerimônia e foi uma decepção para mim”.

Em contrapartida, os anos de romantismo superaram a tristeza. “Eu e meu velho somos muito grudados. Todo mundo admira o quanto a gente se ama, mesmo após os anos de casamento. E eu falo que ele vai ter que me aguentar para o resto da vida”. Seu Vital não nega. “Minha companheira eterna de vida”.

Pais de 7 filhos, 16 netos e 3 bisnetos, agora, com as primeiras fotos de casamento, eles se sentem ainda mais realizados. “Fiquei me achando pelo parque, por isso, não canso de agradecer a Deus pela minha família. Se não fosse eles, a gente não teria vivido esse momento que parece simples para alguns, mas foi muito importante para nós”.

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Alegria do casal foi conhecer a natureza e a calmaria das capivaras. (Foto: Letícia Espíndola)Alegria do casal foi conhecer a natureza e a calmaria das capivaras. (Foto: Letícia Espíndola)
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