14/12/2013 07:07

Com música, universitários amenizam a dor e a angústia de pacientes no HU

Zana Zaidan
Com talento e solidariedade, o grupo de alunos usa a música como terapia para pacientes do HU (Foto: João Garrigó)Com talento e solidariedade, o grupo de alunos usa a música como terapia para pacientes do HU (Foto: João Garrigó)

Os minutos podem parecer horas para quem está deitado na cama de um hospital. Fora a ruptura brusca da rotina, sentida na pele enquanto se está internado. Mas, com disposição e talento, um grupo de universitários do curso de Música da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) consegue minimizar a angústia de pacientes do Hospital Universitário de Campo Grande.

Há um mês, o projeto “Arte Música para o Corpo e Alma” leva como lema a humanização hospitalar e, por meio do ritmo da música, alegra e acalma aqueles que, junto com parentes, lutam pela cura.

Seu Antônio que, durante uma sessão de 4 horas de hemodiálise, aguardava ansioso para ouvir Asa Branca (Foto: João Garrigó)Seu Antônio que, durante uma sessão de 4 horas de hemodiálise, aguardava ansioso para ouvir Asa Branca (Foto: João Garrigó)

Nas sextas-feiras, os músicos chegam pontualmente às 14 horas - não dá para decepcionar o público, que aguarda ansioso para ouvir o som do violino e dos violões. O grupo percorre então todas as alas do hospital. Os instrumentos, banquinhos e pasta de partituras bastam para o show começar, com repertório que vai de Roberto Carlos, passa por Pixinguinha e chega ao ápice da música clássica, com Mozart.

“É muito gratificante perceber a evolução do nosso trabalho, e ter essa sensação de ser bem-vindo. Muitos internos nos acompanharam desde o primeiro dia que viemos tocar. Agora, que já somos de casa, pedem músicas e cantam junto”, conta Lucas Rosseli, 20 anos, do 2º semestre do curso.

“E, se a gente não souber, tudo bem. Ensaiamos e, claro, torcemos para na seguinte o paciente não estar lá na próxima apresentação, mas, se ele estiver, fazemos questão de tocar”, acrescenta o colega de classe de Lucas, Demetrius Souza, 19 anos.

Anderson esboçou o primeiro sorriso do dia depois que os músicos tocaram a música pedida (Foto: João Garrigó)Anderson esboçou o primeiro sorriso do dia depois que os músicos tocaram a música pedida (Foto: João Garrigó)

É o que acontece na ala da Hemodiálise, por exemplo, doença cujo tratamento é permanente. Anderson Luiz, de 29 anos, há oito senta em uma cadeira hospitalar e passa quatro horas esperando que o sangue seja depurado por uma máquina. A mãe, dona Divina Aparecida Dias, de 58 anos, acompanha o filho, nos três dias da semana em que ele passa pela hemodiálise.

“É uma distração pra gente, porque os minutos aqui podem ser bem angustiantes. Eu ainda posso sair, dar uma volta, mas para ele, que tem que ficar aqui deitado, qualquer movimentação, gente nova que venha nos visitar, já vale muita coisa”, acredita.

Introspectivo, ele só se animou na tarde de ontem depois que o companheiro de empreitada, o enfermeiro Maurício, o incentivou a escolher uma música. “Diante do Trono”, pediu, logo depois de encerrada Asa Branca – entoada por seu Antônio, outro paciente da hemodiálise.

Banda desconhecida do grupo de músicos, que apelou para a tecnologia e deu um jeitinho de atender ao pedido especial: a partitura foi encontrada na internet, pelo smartphone, e, ao ouvir o sucesso gospel, Anderson abriu o primeiro sorriso desde que os visitantes chegaram na sala.

“Mas pode deixar que vamos ensaiar mais e, semana que vem, voltamos com outras músicas do Diante do Trono para você”, prometeu Lucas.

“Isso aqui é muito lindo, e não consigo nem explicar para vocês como faz toda a diferença para eles”, agradeceu Maurício aos músicos, que seguiram para a ala da maternidade.

 

Na ala da maternidade, a recém-nascida Ana Vitória começou com música (Foto: João Garrigó)Na ala da maternidade, a recém-nascida Ana Vitória começou com música (Foto: João Garrigó)
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