21/10/2011 12:19

Público reclama de repetições e só choradeira sertaneja na programação de rádios

Ângela Kempfer
Público reclama de repetições e só choradeira sertaneja na programação de rádios

No top das 5 mais em rádios de Campo Grande duas das letras sertanejas têm erros. Era um casal que se amava contra a vontade dos pais...e se “encontravam” na escuridão, além do namorado com dor de cotovelo que declara: “só esses seus cabelos negros que me‘faz’ bem”.

As duplas desconhecem concordância verbal, mas ganham dinheiro com a audiência garantida nas rádios.

E assim segue pela manhã, tarde e noite. O que toca em uma, toca na maioria das outras. A gramática não é responsabilidade das emissoras, mas há quem cobre uma contribuição para a qualidade.

Fórum de discussão aberto nesta semana pelo Lado B levantou opiniões sobre a programação das rádios de Campo Grande.

A maior crítica é ao “sertanejo o dia todo”. Outros lembram que a programação é feita pelo próprio ouvinte.

Entre as avaliações sobre a programação, 55,25% reprovam o que toca nas rádios da cidade.

Bruno Rocha gosta de música eletrônica e sente falta do estilo nas emissoras Bruno Rocha gosta de música eletrônica e sente falta do estilo nas emissoras

A maioria diz não aguentar mais tanta choradeira universitária e a repetição dos programadores.

“Ninguém merece sertanejo o dia todo. Toda hora repetem as músicas. Eu ouvi rádio esses dias e em menos de 2 horas tocou duas vezes a mesma música.

“As músicas que tocam em uma emissora repetem nas demais.”

“Já ouvi a mesma música sendo tocada quase ao mesmo tempo em 3 rádios, não existe criatividade”.

Até quem se dedica a compor sertanejo tem críticas negativas à programação massiva de sucessos do estilo musical.

“Nem pagando, a rádio toca quem tem talento mas ainda não estourou”, afirma o compositor sul-mato-grossense Douglas Diniz. As únicas exceções, diz, são a FM Moreninhas e a Transamérica, que dão oportunidade a quem ainda não emplacou hits.

Para outros, o jeito é abandonar as emissoras locais. “Cansei, hoje só curto FMs on line, do Paraná, Fortaleza e Rio de Janeiro”. E por aí seguem as reclamações.

Outros 40,63% gostam da programação local. Mas poucos comentam o assunto. A cultura do Estado é evocada em defesa das sessões intermináveis de música sertaneja nas rádios.

“Gente, se você não gosta daqui, se muda para outro lugar”. A dona de casa Michele Garcia, de 34 anos, garante: “Quando estou em casa só escuto meu sertanejo”.

Bruno Rocha gosta de música eletrônica e sente falta do estilo nas emissoras locais, mas traz uma reclamação diferente sobre as rádios. “O que me irrita são as propagandas, é muita coisa”.

Hits-O diretor da Blink 102, Alex Bachega, defende a parte da programação “extra música”, justamente como o diferencial entre as empresas. “A diferença está nas promoções que são feitas ao longo da programação e os comunicadores contratados. Isso é o que faz uma melhor do que a outra”.

Sobre a onda sertaneja instalada nas emissoras, que padroniza as programações, ele explica que as emissoras trabalham com os hits. “As rádios respeitam uma tendência e é inegável que o sucesso de hoje é o estilo sertanejo, é o boom, mais de 80% gostam. Mesmo assim, somos a que mais toca sucessos internacionais”.

Alex Bachega em evento com Maria Cecília e Rodolfo na Blink.Alex Bachega em evento com Maria Cecília e Rodolfo na Blink.

Para Alex, a grande mudança no comportamento do ouvinte, a mistura de preferências, é uma vantagem atual. “O mesmo que pede Michel Teló, adora Maroon 5”, comenta.

A FM da universidade Anhanguera/Uniderp e a Rádio 104 FM-Rádio MS são as duas “inocentadas” pelos defensores da tal qualidade no debate aberto na internet. A emissora da UCDB ganha ataques por ter deixado de ser alternativa nos últimos anos.

“A única que é gostosa de escutar é a 103 da Uniderp. Os intervalos são bem rápidos, não se toca nada de sertanejo! O restante das rádios é só de poluição sonora, sertanejo, fora os intervalos com muito barulho!! Até a UCDB, que uns tempinhos atrás tocava música clássica, abandonou “

Roberto Rodrigues Paulino dá a dica para quem quer uma alternativa. “Eu ouço rádios na internet por serem mais criativas, as daqui são todas parecidas, músicas muito repetitivas”.

“Salve a internet, porque ela me salva todos os dias”, diz mais uma leitora que resolveu participar da enquete do Lado B. Veja o resultado completo

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