28/05/2019 07:13

Entre sucessos e fracassos, é o fim de uma era com o silencioso adeus do “OUYA”

Fernando fenero
OUYA tinha características bem diferentes do que estávamos acostumados no mercado.OUYA tinha características bem diferentes do que estávamos acostumados no mercado.

Em meados de 2012, o Kickstarter recebeu uma proposta muito diferente de videogame. Com o forte nome de Julie Uhrman (vinda de um bom trabalho na IGN), o OUYA tinha características bem diferentes do que estávamos acostumados no mercado.

Era bem pequeno, com a promessa de ser código aberto, barato (seu valor inicial era de 99 dólares) e um hardware parrudo (Nvidia Tegra Quad 3 Core, 1 gb de Ram e 8 gb de memória interna). Seria terreno fértil para novos desenvolvedores e para grandes empresas que topassem migrar seus jogos de sucesso da Google Play para o novo sistema.

Essa promessa conquistou muita gente, já no dia seguinte o OUYA registrou quase três milhões de dólares arrecadados, e 23 mil compradores, no final da campanha o número saltou para 8.596.000 dólares e 63 mil compradores. Para o modelo de financiamento coletivo, era um sucesso enorme, mas a seqüência de eventos a partir desse ponto foi matando o OUYA lentamente.

Era óbvio que a equipe de desenvolvimento não tinha se preparado para essa demanda, tiveram que rever toda sua produção para atender os clientes, e com a promessa de envio para os financiadores o quanto antes. A logística também foi desastrosa, a minha unidade é exemplo disso: foi parar na Alemanha, depois na Holanda, então em Brasília, e só então em Campo Grande, não sem antes ser taxado em 300 reais. E poderia ser pior, muita gente não recebeu seu OUYA, ou recebeu com algum defeito bizarro.

Depois de chegar na casa dos jogadores, algumas novas decepções: o sistema não era tão aberto o quanto prometiam, o OUYA rodava uma versão do Android 4.1 mas não dava os mesmos acessos nem a mesma liberdade. É claro que você poderia rootear o aparelho, mas era mais um compromisso que não estava sendo atendido.

 Seria terreno fértil para novos desenvolvedores e para grandes empresas que topassem migrar seus jogos de sucesso da Google Play para o novo sistema. Seria terreno fértil para novos desenvolvedores e para grandes empresas que topassem migrar seus jogos de sucesso da Google Play para o novo sistema.

 Com relação aos jogos, o console lançou títulos de muito sucesso e que migraram para outras plataformas, como Bombsquad, Ice Rage, Magic Rampage (jogo da desenvolvedora campo-grandense Assante Games), Tower Fall e mais uma centena de re-lançamentos e jogos que migraram do Android para a plataforma aproveitando seu controle físico. A conta fecha com 1250 jogos lançados, o que é um número bastante razoável. Ainda havia a possibilidade de emulação no OUYA, que era talvez sua melhor função já que todos os aplicativos foram desenvolvidos para o hardware e controle, o que facilitava muito a jogatina e gerava melhor desempenho. E ele ainda quebrava um galho como media Center, pois temos que lembrar que em 2012 o Chromecast ainda não tinha sido lançado, e as Android Box não existiam.

Depois do sucesso de seu lançamento, o OUYA não vendia mais como antes, tentaram até fazer o possível para reacender o interesse no aparelho, mas o mercado estava recebendo o Playstation 4 e o Xbox One, e o pequeno aparelho foi ficando ainda mais esquecido.

Por último, a empresa afastou Julie Uhrman da chefia (ela agora é Presidente de Mídia do grupo Playboy), negociou uma aproximação com a China e a Xiaomi, e então foi vendida para a Razer, famosa fabricante de hardware que pretendia lançar seu próprio serviço.

Infelizmente, a empresa disparou um e-mail nas últimas semanas avisando que encerraria o acesso a loja digital do OUYA, matando por fim o console, que pra muita gente vai se tornar um peso de papel, uma vez que os jogos precisam de uma confirmação de compra na internet para poder funcionar adequadamente.

O dia 25 de Junho marca o fim dos serviços online do OUYA, e da história do aparelho que fracassou, mas mudou bastante o mercado.

Com a experiência do console, a Xiaomi lançou seus Android Box preparados para jogos, e é considerada hoje em dia uma das melhores fabricantes do segmento, na época um monte de outras empresas lançou sua versão do OUYA, mas que são todas esquecíveis.

Após tudo isso, o OUYA é descontinuado sete anos depois de seu anúncio, e assim como tantas outras propostas do mercado de games, fica a impressão de que poderia ter sido muito mais do que foi, mesmo considerando que a frustração parte de promessas que não foram respeitadas pela empresa. O pequeno cubo prateado se despede silenciosamente do mercado, entre sucessos e fracassos, mas marcando a seu modo a história dos videogames.

Conheça o Video Game Data Base, o museu virtual brasileiro dos videogames. A coluna de games do Lado B tem o apoio do Expo Video Game.

 

O pequeno cubo prateado se despede silenciosamente do mercado, entre sucessos e fracassos, mas marcando a seu modo a história dos videogames.O pequeno cubo prateado se despede silenciosamente do mercado, entre sucessos e fracassos, mas marcando a seu modo a história dos videogames.
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