30/12/2013 06:16

Nas Moreninhas, cliente serve almoço direto das panelas no fogão à lenha

Paula Maciulevicius
Há 18 anos ela abriu o restaurante que não tem nome e nem fachada. Quando o telefone toca, ela atende como “dona Fátima marmitex”. (Fotos: Pedro Peralta)Há 18 anos ela abriu o restaurante que não tem nome e nem fachada. Quando o telefone toca, ela atende como “dona Fátima marmitex”. (Fotos: Pedro Peralta)

É na própria cozinha que os clientes servem o prato. O cheiro que vem da panela é dar água na boca. Nas Moreninhas, Maria de Fátima dos Santos Moraes, de 60 anos, adaptou a varanda de casa com mesas e cadeiras em madeira e abriu a própria cozinha para que os apreciadores de uma comida caseira se servissem direto da fonte.

Há 18 anos ela abriu o restaurante que não tem nome e nem fachada. Quando o telefone toca, ela atende como “dona Fátima marmitex” e assim a gente interpreta que seja este o nome do lugarzinho que, no bairro, serve almoço self service no fogão à lenha com um preço pra lá de acessível, a R$ 15.

“Aqui a gente abre 11h da manhã e serve enquanto tiver refeição”, explica. No cardápio do dia tem arroz, feijão, macarrão ao molho, batata com carne, quiabo refogado, contra-filé na chapa e saladas. Antes que alguém diga qualquer coisa, ela completa “o ovo é feitinho na hora, se frita cedo e deixa aqui, quem gosta? Quem gosta daquele bife seco?”. Enquanto isso, a cozinheira auxiliar não deixa o fogão e nem dona Fátima a chefia da cozinha. “E eu não tenho prato repetido não, aqui é comidinha de mamãe”, fala.

Quem ouve de longe pensa que o tom da cozinheira é de quem está brigando, mas na verdade esse é o jeito que ela lida com todos. “Bom dia vizinho, marmitex? Comer aqui? Precisa de garfinho?” pergunta sorridente.

Do outro lado, quem espera para servir assegura que não tem restaurante melhor do que a varanda de dona Fátima. O carro chefe da casa mesmo é a feijoada feita no fogão à lenha, servida aos sábados por R$ 15 para comer lá e para levar a partir de R$ 20. Como a clientela já conhece, o povo costuma levar as próprias vasilhas, informa Fátima. “Eu tenho aqui, mas fica mais gostoso, levar assim, de marmitex, perde o gosto”, avisa.

Na cozinha, cliente serve a comida direto das vasilhas e panelas. Na cozinha, cliente serve a comida direto das vasilhas e panelas.

O contra-filé na chapa não sai do cardápio. De segunda a sábado, lá estão os bifes generosos no tamanho, a serem fritos. “Pode até ter outra carne no fogo, mas tem que ter o contra-filé, é minha marca sabe?”.

Abrir a casa para o público foi atender à necessidade que batia à porta. Antes, dona Fátima vendia lingerie, mas se viu forçada a sustentar a família e uma neta, que chegou com três meses e muito doente. Como ela não podia mais sair de casa, a solução foi transformar o lar em trabalho.

“Eu não tinha espaço, daí que eu tirei de servir direto da panela, porque as pessoas serviam no fogãozinho de quatro bocas. Na sala comiam quatro pessoas de cada vez, aí tinha que esperar”, completa.

Hoje, a neta já entrou na faculdade, para cursar Direito. Um dos orgulhosos da cozinheira. “É tudo muito simples, mas graças à Deus estou há 18 anos”.

Os marmitex são entregues sem cobrança de taxa na região. Por R$ 10, cliente tem em casa tudo do cardápio e com mistura reforçada. “Aqui é feito no dia e não tem comida requentada não”. Um dos principais motivos é justamente porque o que sai do fogão à lenha acaba num almoço só.

O restaurante da dona Fátima fica na rua Barueri, nas Moreninhas II. O telefone de contato é o 3393-4174. A casa abre de segunda à sábado, a partir das 11h até quando tiver comida nas panelas.

Aberto de segunda a sábado, restaurante funciona na varanda da casa da dona. Aberto de segunda a sábado, restaurante funciona na varanda da casa da dona.
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