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Campo Grande, Terça-feira, 15 de Outubro de 2019

04/10/2019 08:40

Antes de aprender a ler, turma criava roteiro e tinha texto na ponta da língua

Criançada garante que já é boa até em chorar quando o assunto é encenação; Todos fazem parte do coletivo de Artista - Grupo Casa

Danielle Valentim e Alana Portela
Giovanni abraçando a filha giovana, do lado Tatiana com os filhos Hadassa e Miqueias e por último Thais com a filha Talita. (Foto: Alana Portela)Giovanni abraçando a filha giovana, do lado Tatiana com os filhos Hadassa e Miqueias e por último Thais com a filha Talita. (Foto: Alana Portela)

Que a arte transforma isso todo mundo já sabe. Agora imagina uma criança que ainda não escreve e não lê, mas que monta uma peça teatral. O roteiro brota da criatividade e o texto é decorado com a ajuda dos pais e professores.

Uma turminha do Grupo Casa conversa como gente grande e deixa até os pais de queixo caído. Em poucos minutos de conversa, os baixinhos chamam a atenção com o desenvolvimento e uma memoria de “elefante”.

A pequena Talita Farias Rodrigues, 7 anos, decorava as próprias criações com a ajuda da mãe. Para esse ano já preparava uma releitura de Chapeuzinho Vermelho.

Primeira peça de Talita teve a ajuda da mãe para decorar primeira peça.(Foto: Alana Portela)Primeira peça de Talita teve a ajuda da mãe para decorar primeira peça.(Foto: Alana Portela)

“A minha primeira peça foi sobre uma bailarina. Como não sabia ler, minha mãe falava e eu repetia até decorar tudo. Na minha primeira peça eu fiquei nervosa, mas agora já sei como funciona e é mais tranquilo. Para esse ano, eu ainda não coloquei no papel, mas o roteiro da peça está na minha cabeça. “A menina que se perdeu na floresta”, inspirada na Chapeuzinho Vermelho. Diferente do original, a menina conversa com todos os bichos, não com o lobo. Eu também dei apelidos para os animais, por exemplo, a aranha é a simpática, a raposa sorridente, a cobra esperta e a barata ligeira. Levei uma semana para elaborar esse enredo. Hoje em casa já até ensaiei um pouco”, conta.

A mãe de Talita, a bióloga Thais Farias conta que tudo partiu da filha e hoje o tatro trabalha sua criatividade e o enfrentamento de seus medos. “A gente estava andando no shopping e bem no dia estava tendo uma poesia do Manoel de Barros. Ela disse: Eu conheço Manoel de Barros. Então, a desafiaram a cantar uma música do poeta. Ai ela subiu e cantou uma música do Crianceiras. Na primeira, ela não conseguiu cantar, mas falou no palco e deu uma improvisada e na sexta seguinte cantou a música inteira. Ela só 4 anos, para mim como mãe é super emocionante. Ela sempre gostou muito de se apresentar então é uma satisfação muito grande”, conta.

Hadassa diz que já e boa em chorar. (Foto: Alana Portela)Hadassa diz que já e boa em chorar. (Foto: Alana Portela)

Boa parte do grupo foi incentivada depois de assistir apresentações. A pequena Hadassa Raphaele de Oliveira Maciel, de 8 anos, já tem dois anos de teatro e garante que ficou “boa em chorar”.

“Fiquei um pouco envergonhada na minha primeira aula, mas achei legal. Primeiro dia você vi as outras pessoas ensinando e foi legal. A minha primeira peça foi a da Chapeuzinho Vermelho, fiz alguns ajustes na história. Também participei de uma peça chamada "A maldição da banana", essa foi com meu irmão. Eu era assistente dele, foi uma apresentação bem legal. Nesse ano preparei "A casa do salgadinho" inspirada no meu pai, que ama salgados. Na peça eu sou um salgadinho de esfiha. Para a peça fiz a musica: Quando um salgado cai perto de uma árvore vira uma salgadeira, salgado, salgado, salgado. Gosto bastante do teatro porque me faz usar a criatividade. Sou boa até em chorar e já enganei meu pai assim. Também quero ser cantora quando crescer”, garante.

Miqueias viu que poderia ser comediante assistindo programas de televisão. (Foto: Alana Portela)Miqueias viu que poderia ser comediante assistindo programas de televisão. (Foto: Alana Portela)

Também com 2 anos de teatro, Miqueias David Maciel de Oliveira, de 10 anos, é irmão de Hadassa. Ele garante que enxergou a comédia dentro de si assistindo a vídeos de comediantes. Mesmo gostando da área já produziu peça que envolvia solidão.

“Via comédia na TV e perguntei pra minha mãe o que poderia fazer para mostrar a minha comédia e ela disse: teatro. Ela me levou para ver apresentações e gostei. No meu primeiro Eteca fiz um poema sobre solidão, que e sobre um menino que sofria bullying porque nessa época passei por isso. Lembro do poema até agora: solidão um amor sem paixão, um coração caído no chão. Nesse ano vou falar sobre o Big Bang, que a terra tem formato de rosquinha. Me inspirei num vídeo que fala que a Terra é plana. Nessa Peça também me baseio num livro sobre a Teoria do Big Bang. Começo assim: existia um grão de areia que explodiu e criou tudo que você está vendo, até esse poema. Gosto muito de poema e até brinco com minha mãe, faço alguns improvisos. Estou tranquilo, sei tudo de cor agora é só falar na hora. Criei o roteiro e demorou dois dias até adaptar tudo”, conta.

A mãe do casal, Tatiana Maciel admite que não acreditou que tinham escrito a primeira peça. “Eles falaram que queriam fazer teatro e eu tive que correr atrás. O teatro melhorou muito o desenvolvimento deles. Eles nunca foram tímidos, mas eram estabanados e elétricos demais. E como eles descarregavam a energia aqui usando a criatividade e com dança, passaram a organizar melhor as ideias. Quando vi a primeira peça eu duvidei, mas a professora confirmou. Fiquei impressionada”, conta Tatiana.

Gioivana ainda não lê 100%, mas também já montou peça.(Foto: Alana Portela)Gioivana ainda não lê 100%, mas também já montou peça.(Foto: Alana Portela)

Com apenas 6 anos, Giovana Villa Alves ainda não lê 100%, mas já prepara uma releitura de Rapunzel e Aurora. “Quando minha irmã estava fazendo teatro eu quis fazer também e me apaixonei. Na primeira apresentação que foi do “Sorvete de Creme com Chocolate” foi bem difícil se apresentar. Nós ensaiávamos todos os dias. Para esse fim de semana preparei “a princesa da torre”. Sei escrever mais ou menos e ainda estou aprendendo a ler. Eu ainda não sei umas falas e talvez eu esqueça. Eu ensaio, mas às vezes tenho outras atividades na escola e fico até a noite lá. Por isso não leio todo dia”, explica Giovana.

O pai de Giovana, o professor Giovanni Ferreira lembra muito bem da primeira peça da filha. “A irmã da Giovana era tímida e, por isso, decidimos colocá-la no teatro. A Giovana sempre foi mais despachada, mas foi mais no sentido de desenvolvimento. É fantástico, principalmente, a Giovana que no primeiro espetáculo não sabia ler. Ela criou o texto e dizia, especificamente: eu não sei ler.. Mas foi incrível o desenvolvimento das duas”, frisa Giovani.

Todos fazem parte do coletivo de Artista - Grupo Casa e para continuar com o Eteca (Encontro de Teatro entre Crianças) uma vaquinha virtual foi organizada. O objetivo é arrecadar R$ 49.900 para pagar os 80 profissionais envolvidos no projeto, que é gratuito. A ideia é promover dez apresentações entre 8 e 13 de outubro, em Campo Grande.

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