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Campo Grande, Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019

17/08/2019 09:12

Pelo “sim” de Hadassa, Murilo foi até Guiné-Bissau para fazer o pedido

O noivo percorreu 5,609 km para que a pergunta que tem ensaiado desde dezembro do ano passado finalmente tivesse uma resposta.

Kimberly Teodoro
Hadassa e Murilo planejam se casar em agosto do próximo ano (Foto: Arquivo Pessoal)Hadassa e Murilo planejam se casar em agosto do próximo ano (Foto: Arquivo Pessoal)

Sonhando com uma vida a dois, Murilo Moura, de 23 anos, precisou de quase sete meses de planejamento e uma viagem de 5,609 km até Bissau, capital de Guiné-Bissau na África para que a pergunta que tem ensaiado desde dezembro do ano passado finalmente tivesse uma resposta. Tudo isso para que a família de Hadassa Jacobina, de 20 anos, pudesse fazer parte de um dos momentos mais importantes para quem pretende seguir lado a lado pelo resto dos dias.

Viajar até a África foi apenas mais um destino na história dos dois. Murilo, que passou a vida aqui em Campo Grande, conheceu Hadassa na Colômbia. Os dois participaram projeto “Radical Latino Americano” da Igreja Batista, que une jovens de 18 a 30 anos para uma experiência fora da própria zona de conforto com o objetivo de transformar a realidade social local.

Formado em Engenharia Civil, Murilo adiou os planos de atuar na área para poder ir até Guiné-Bissau se apresentar à família da noiva. “Ninguém iria contratar um engenheiro que já entraria na empresa com uma viagem marcada para julho. Então comecei a fazer uber e no começo deste ano um amigo me disse para participar do processo seletivo da empresa da qual faço parte hoje”, explica.

Entre as corridas de uber e os contratos fechados como vendedor, Murilo conseguiu juntar os R$ 7 mil para passar os 18 dias na África e ainda visitar Hadassa na Argentina, onde ela se prepara para o curso de medicina.

Registro do casal em Bissau, Guiné-Bissau (Foto: Arquivo Pessoal)Registro do casal em Bissau, Guiné-Bissau (Foto: Arquivo Pessoal)

“Não fui até lá para que eles me reprovassem ou aceitassem. Fui para que eles pudessem me conhecer e fazer parte desse momento”, conta. Por lá, Murilo conta que os pedidos de casamento são feitos ao tio da noiva, único homem que, por ser irmão da mãe, pode afirmar ser realmente parente da moça. Por isso, para não ofender aos costumes locais, ele escolheu um almoço em família para tirar as alianças do bolso.

“Primeiro eu conversei com os pais dela, depois com os irmãos e com a avó. Só quando soube como eles se sentiam sobre o nosso casamento é que fiz o pedido oficial. Foi em um restaurante, conhecemos o dono do restaurante mais chique de lá e ele ouviu toda a nossa história, ficou tão impressionado que ofereceu o lugar de graça para a cerimônia se decidirmos nos casar em Bissau”.

Nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais, Hadassa cresceu acompanhando os pais pelo mundo. Foram oito anos no Vale do Jequitinhonha e cerca de seis anos em Guiné-Bissau, onde os dois atuam como missionários. Nutricionista, a mãe presta assistência alimentar à população enquanto o pai é pastor. Vivência que torna projetos como o “Radical Latino Americano” naturais para a estudante, que e pretende seguir os passos dos pais.

Apesar de habituada ao trabalho voluntário e à cenários diversos, encontrar um amor para a vida inteira foi surpresa para Hadassa. “Fiquei sabendo da existência do Murilo em novembro de 2017, quando criamos o grupo com os participantes, mas não tínhamos nenhum tipo de contato pessoal. Estávamos no projeto para trabalhar e relacionamentos são proibidos para não atrapalhar a equipe, então eu não tinha um interesse especial nele”.

Marrocos, África (Foto: Arquivo Pessoal)Marrocos, África (Foto: Arquivo Pessoal)
Registro em Guiné-Bissau com a família de Hadassa (Foto: Arquivo Pessoal)Registro em Guiné-Bissau com a família de Hadassa (Foto: Arquivo Pessoal)
Murilo, Hadassa e avó em Marrocos (Foto: Arquivo Pessoal)Murilo, Hadassa e avó em Marrocos (Foto: Arquivo Pessoal)

Entre o embarque para a Colômbia e o retorno ao Brasil, foram dez meses de convivência onde a amizade e o companheirismo foram lentamente se transformando em algo maior, silenciosamente. “Nesse tempo, cinco meses eu passei gostando dela sem poder falar nada. Foi um momento em que amadureci muito esse sentimento”, afirma Murilo.

Para Murilo, a maneira natural como as coisas aconteceram legitimou o sentimento sobre o qual os dois construíram o relacionamento que começou no fim de novembro de 2018, já no Brasil. “Eu não podia tratar ela diferente das outras pessoas, mesmo assim ela gostou de mim, por quem eu sou. Quando convivemos em sociedade, acabamos reparando as pessoas à nossa volta. Ví a nossa equipe trabalhando sob pressão, acabei observando como a Hadassa reagia às coisas. Cada pessoa ali passei a admirar de alguma forma. Via como ela é firme, tinha caráter, era integra, buscava ser melhor, ver como queria seguir na vida missionária. Ela é uma pessoa que me faz crescer ao mesmo tempo que eu também faço ela crescer”, declara.

As alianças de compromisso foram trocadas pelas de ouro (Foto: Arquivo Pessoal)As alianças de compromisso foram trocadas pelas de ouro (Foto: Arquivo Pessoal)

Murilo não acreditava ser correspondido, já que Hadassa procurava manter o profissionalismo e objetivos da missão acima dos interesses pessoais, mas resolveu abrir o jogo sobre os próprios sentimentos em uma conversa com a orientadora dos dois. Depois de ouvir os dois lados da história, ela colocou os dois frente à frente para esclarecer as coisas. O relacionamento não foi permitido, mas os dois puderam trocar mensagens pessoais pelo whatsapp, sem que interferisse no trabalho.

A primeira coisa que o Murilo fez ao chegar no Brasil foi cuidar dos assuntos pendentes e em seguida viajar até Minas Gerais para conhecer a família de Hadassa, depois o casal foi acompanhado pela avó dela para conhecer que ele conhecesse o sogro, que estava no país por motivos de saúde. Aí só faltou a mãe e os irmãos, que ainda estavam na África e que ele pode conhecer finalmente no mês passado.

Hoje a única certeza do casal é o casamento, que deve acontecer em agosto do próximo ano. Até lá, Murilo vai permanecer em Campo Grande, mas os planos incluem viver na Argentina depois do grande dia, para que Hadassa possa terminar os estudos. “Não tem nenhuma passagem comprada. Nos encontramos em um momento em que não sabemos quando nos veremos de novo, mas estamos muito felizes juntos”.

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