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Campo Grande, Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019

16/09/2019 14:22

MPF investiga origem de incêndios e condições de combate no Pantanal

As possibilidades técnicas de atuação das brigadas estão entre os alvos do procedimento

Tainá Jara
Cerca de 30 brigadistas atuam no combate ao fogo na região de Corumbá (Foto: Paulo Francis)Cerca de 30 brigadistas atuam no combate ao fogo na região de Corumbá (Foto: Paulo Francis)

O avanço do fogo na maior planície alagada do mundo, o Pantanal, vai ser investigado pelo MPF (Ministério Público Estadual) de Corumbá. O município, distante 419 quilômetros de Campo Grande, mais importante zona urbana do território pantaneiro, é o primeiro do País com mais focos de calor nos 15 dias do mês de setembro. Conforme ambientalistas e o governo do Estado, mais de 90% dos focos de incêndio têm origem ilegal.

Identificar os responsáveis pelas queimadas ilegais é um dos objetivos do procedimento aberto pela procuradora Maria Olívia Pessoni Junqueira. Fortalecer as instituições de combate ao fogo também estão entre as metas da apuração, aberta na última semana. 

IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis), responsável pelo Previfogo; IMASUL (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul; FMAP (Fiscalização Ambiental da Prefeitura de Corumbá; PMA (Polícia Militar Ambiental), Defesa Civil; Corpo de Bombeiros e Exército foram convocados a dar explicações à procuradoria nos primeiros dias do mês.

Conforme o MPE, as convocações foram realizadas para apurar os dados das queimadas; verificar as motivações e condições das queimadas no Pantanal nesta época de setembro (que divergem das queimadas na Amazônia, por exemplo); verificar possibilidades técnicas de atuação dos órgãos responsáveis pelo combate ao fogo; obter elementos para que possam ser adotadas medidas contra os responsáveis que podem ser identificados, além de verificar possibilidades futuras de prevenção.

A investigação já apontou as dificuldades encontradas pelas instituições, seja por falta de recursos materiais e humanos, seja pelos desafios apresentados pelas próprias condições do Pantanal, pela fronteira com a Bolívia, que também é alvo de focos de incêndio, e pela grande extensão territorial de Corumbá.

Também foi verificada a importância da conscientização da população urbana e do campo quanto aos cuidados quanto ao fogo nesta época do ano, especialmente porque muitos focos de calor se iniciam a partir de atos voluntários de indivíduos.

No último sábado, o Campo Grande News publicou reportagem sobre a rotina dos brigadistas que atuam no combate a incêndio no Pantanal de forma temporária pelo salário de R$ 998 por mês. São cerca de 30 pessoas atuando na região de Corumbá. 

Focos de incêndio – De acordo com relatório do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), divulgado nesta segunda-feira, nos primeiros 15 dias de setembro, Mato Grosso do Sul registrou 2.070 focos de calor. O número é 219% maior que no mesmo período do ano anterior, quando foram registrados 642 focos de calor.

O Estado é o 6º do País em número de focos neste mês, ficando atrás apenas de Mato Grosso, Tocantins, Pará, Rondônia e Maranhão.

O Pantanal concentra os focos de calor no Estado, com 1.352 focos de calor registrados, o que representa 65,3% do total registrado. Com 851 focos, Corumbá lidera o ranking dos municípios com mais focos.

 

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