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Meio Ambiente

Sucuri-verde surge em córrego e impressiona moradores em Campo Grande

A cobra foi registrada em área de mata na região do bairro da Cohab

Por Judson Marinho | 20/02/2026 16:10

Moradores da região da Cohab, no sul de Campo Grande, foram surpreendidos por uma visitante incomum. Um vídeo que circula em grupos de WhatsApp nesta sexta-feira (20) mostra uma sucuri-verde bem grande transitando pelo Córrego Bálsamo. Chama atenção o tamanho do animal e a aparição em plena área urbana.

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Moradores da região da Cohab, em Campo Grande, se surpreenderam com o avistamento de uma sucuri-verde de grande porte no Córrego Bálsamo. O animal, que pode atingir até 7 metros, chamou atenção por aparecer em área urbana, gerando preocupação entre os residentes, especialmente por ser um local frequentado por crianças. Especialistas explicam que a presença da espécie não é incomum, já que a sucuri-verde é natural de ambientes aquáticos com vegetação. A bióloga Fernanda Alves Riquelme destacou que o avanço urbano sobre áreas naturais e a maior circulação de pessoas contribuem para os avistamentos, sem necessariamente indicar aumento populacional da espécie.

O Córrego Bálsamo está localizado em uma área com extensa vegetação, cercada pelo Residencial Ramez Tebet, na região próxima ao Museu José Antônio Pereira.

A sucuri-verde (Eunectes murinus) é uma das maiores serpentes do mundo, podendo atingir entre 3 e 6 metros de comprimento, com fêmeas chegando a cerca de 7 metros. O porte avantajado do animal visto no córrego foi justamente o que mais impressionou os moradores.

A presidente da Cohab (Associação de Moradores do Núcleo Habitacional Universitária I & II), professora Iracema Silva Cardoso, relatou surpresa e preocupação com o registro. “É inacreditável o tamanho dessa sucuri aqui na Cohab. Aqui tem muitas crianças que, em finais de semana, feriados e férias, costumam tomar banho nesse córrego”, afirmou.

Especialistas explicam que, embora cause susto, a presença da espécie não é necessariamente incomum.

A bióloga da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), Fernanda Alves Riquelme, esclarece que a sucuri-verde é um animal semiaquático naturalmente associado a ambientes com água, como rios, lagoas e córregos com vegetação ciliar. “Caso o local apresente água constante, oferta de alimento e algum grau de cobertura vegetal, é plenamente possível que o animal utilize aquele ambiente como habitat”, explicou.

Segundo ela, a cobra também pode ter se deslocado de outro fragmento de mata ou corpo d’água próximo, já que a espécie é capaz de percorrer distâncias consideráveis, especialmente em períodos de cheia.

A bióloga ressalta ainda que a presença em área urbana não significa, necessariamente, que o animal esteja fora de seu habitat. “Muitos cursos d’água urbanos funcionam como corredores ecológicos, conectando diferentes áreas naturais”, destacou.

O aumento de avistamentos de serpentes em cidades também tem explicações ambientais.

Conforme Fernanda, em muitos casos não são os animais que invadem a cidade, mas o avanço urbano sobre áreas que já eram habitats naturais. Campo Grande, apesar de capital, ainda possui diversos fragmentos de vegetação nativa, além de córregos e áreas de transição entre o urbano e o natural.

"Alterações ambientais, como desmatamento, fragmentação e mudanças no regime de chuvas e  oferta de alimento também podem estimular deslocamentos da fauna. Além disso, a maior circulação de pessoas e o uso constante de celulares e redes sociais ampliam a percepção desses encontros", destacou Fernanda.

Questionada pela reportagem sobre um aumento de avistamentos de cobras em regiões próximas ao perímetro urbano, a bióloga afirmou: "O avistamento é mais frequente, não necessariamente em função de aumento populacional da espécie, mas devido à intensificação do contato entre a fauna silvestre e áreas urbanizadas, o que é compatível com a realidade de Campo Grande."