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Campo Grande, Domingo, 24 de Setembro de 2017

08/08/2017 16:53

Autoridades dizem que estão adotando medidas sobre morte de 1,1 mil bois

Osvaldo Júnior
Bovinos mortos em fazenda de Água Clara, com suspeita de botulismo (Foto: Rural News MS)Bovinos mortos em fazenda de Água Clara, com suspeita de botulismo (Foto: Rural News MS)

Em nota técnica conjunta, a Iagro ( Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal de Mato Grosso do Sul) e a SFA/MS (Superintendência Federal de Agricultura no Estado) informaram que estão sendo tomadas as medidas necessárias para identificação da causa da morte de 1,1 mil bovinos na fazenda Marca 7, em Ribas do Rio Pardo, município a 103 quilômetros da Capital, e demais providências para resolver o problema. Os órgãos, no entanto, não precisaram quais medidas são essas.

A suspeita é de ocorrência de botulismo. De acordo com a agência, o “botulismo é uma toxinfecção, ou seja, o animal adquire a doença por meio da ingestão de toxinas produzidas pela bactéria do gênero Clostridium em condições de anaerobiose”.

“Vale ressaltar que essa toxina se liga à neuroreceptores presentes na musculatura, impedindo contração muscular, causando paralisia flácida e levando a óbito”, afirmaram a Iagro e a SFA na nota. “Os sintomas clínicos aparecem de 1 a 17 dias após a ingestão do alimento contaminado, dependendo da quantidade de toxina ingerida pelo animal”, acrescentam.

Do dia 3 a 7 deste mês, 1,1 mil bovinos morreram na fazenda Marca 7, de propriedade do pecuarista Pércio Airton Tozzi. O prejuízo estimado é de R$ 2 milhões. Amostras foram coletadas e estão sendo analisadas pelo setor de Anatomia Patológica da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

Leia abaixo a nota técnica na íntegra:

Nota Técnica Conjunta Nº 001/2017

Assunto: Ocorrência de mortalidade bovina no Estado de Mato Grosso do Sul e medidas adotadas
Data: 08 de agosto de 2017

Tendo em vista a veiculação de diversas notícias sobre mortalidade de bovinos com sintomatologia nervosa no Estado de Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), por meio da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal de Mato Grosso do Sul (Iagro), em conjunto com a Superintendência Federal de Agricultura em Mato Grosso do Sul (SFA/MS), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), informa que estão sendo tomadas todas as medidas necessárias para identificação da causa, bem como a resolução do problema.

Vale ressaltar que, no Complexo de Doenças Nervosas que acometem os bovinos, temos inúmeras. Entre as principais estão o botulismo, intoxicações fúngicas, raiva, dentre outras.

Histórico:

No dia 03/08/17 foram encaminhadas à Unidade Laboratorial de Raiva e Botulismo do Laboratório de Diagnósticos de Doenças Animais e Análises de Alimentos – LADDAN/IAGRO, amostras provenientes do município de Ribas do Rio Pardo para diagnóstico diferencial de raiva e botulismo. Essas amostras foram encaminhadas pelo Setor de Anatomia Patológica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com suspeita clínica de botulismo;

No dia 04/08/17, a Unidade Veterinária Local de Ribas do Rio Pardo deslocou-se até a propriedade para verificação da notificação e providências cabíveis. Foi relatado pelo responsável da propriedade que a mesma possui 1700 bovinos em sistema de confinamento e que até a presente data já haviam morrido 600 animais;

Neste mesmo dia foram encaminhadas ao LADDAN mais amostras dos animais, além de porções dos ingredientes que compõe a ração fornecida a estes, provenientes da mesma propriedade.

No dia 07/08/17 a equipe da IAGRO deslocou-se novamente à propriedade, onde foi constatada a morte de mais 500 animais, perfazendo um total de 1100 bovinos. Vale ressaltar que também havia lotes de bovinos e ovinos fora do confinamento, que não apresentaram nenhuma sintomatologia e ou morte. Nos demais animais da propriedade não foram constatadas doenças infectocontagiosas.

Com relação à suspeita, o botulismo é uma toxinfecção, ou seja, o animal adquire a doença por meio da ingestão de toxinas produzidas pela bactéria do gênero Clostridium em condições de anaerobiose.

Vale ressaltar que essa toxina se liga à neuroreceptores presentes na musculatura, impedindo contração muscular, causando paralisia flácida e levando a óbito. Os sintomas clínicos aparecem de 1 a 17 dias após a ingestão do alimento contaminado, dependendo da quantidade de toxina ingerida pelo animal.

Os ingredientes para a fabricação da ração na propriedade são de uso permitido por lei, mas podem ter havido falhas na conservação, propiciando condições favoráveis ao desenvolvimento do Clostridium e consequente produção da toxina.

Em relação aos animais mortos, não há aproveitamento das carcaças para consumo humano, sendo que as mesmas já estão sendo destruídas e enterradas na propriedade.

O diagnóstico da enfermidade baseia-se principalmente no histórico, quadro clínico, patológico e epidemiológico. O diagnóstico laboratorial, que pode demorar até 20 dias para ser concluído, é uma ferramenta complementar, não sendo determinante.

O papel dos diversos setores da agropecuária, incluindo médicos veterinários, zootecnistas, criadores, ou qualquer cidadão, é fundamental para a prevenção, detecção precoce e contenção da doença. O rápido diagnóstico de animais doentes ou infectados é importante para evitar sua disseminação. A IAGRO coloca-se à disposição e conta com participação e colaboração de todos.

(Matéria editada às 10h28 de 9 de agosto de 2017 para correção de informações)




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