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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

01/06/2012 18:30

Com berimbau e capoeira, comunidade quilombola festeja posse definitiva da terra

Paula Maciulevicius
Ao som do berimbau, comunidade quilombola Chácara do Buriti recebeu título de reconhecimento de terra. (Foto: Rodrigo Pazinato)Ao som do berimbau, comunidade quilombola Chácara do Buriti recebeu título de reconhecimento de terra. (Foto: Rodrigo Pazinato)

O som do berimbau, o calor das palmas e a emoção das vozes. Os olhos estavam atentos aos movimentos precisos e expressivos. Mesmo dentro de um espaço pequeno, a Capoeira rolava solta.

No início da tarde de hoje era o embalo do berimbau que marcava a abertura da entrega de título definitivo à comunidade quilombola Chácara do Buriti, pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

Nervosismo de uns, que pelo sentimento mal conseguiam falar ao microfone e alegria de ver um sonho realizado. A comunidade tem mais de 100 anos de história, está localizada na BR-163, próximo a Anhanduí, distante 27 quilômetros da Capital e hoje é formada por 87 pessoas de 26 famílias. Mas que no fim das contas resulta em uma só, todos descendentes de João Antônio da Silva.

A bisneta dele era a que não escondia a emoção. Presidente da Associação da Comunidade Negra Rural Quilombola Chácara do Buriti, Lucinéia de Jesus Domingos Gabilão, 29 anos, tem agora nas mãos, o título definitivo das terras.

“Ele viveu a semi-escravidão. Teve contato com ex-escravos então tinha noção do que era não ter pedaço de chão. O sonho era deixar terra para os filhos e ele conseguiu”, descreve.

Assinando, superintendente Celso Cestari, (Foto: Rodrigo Pazinato)Assinando, superintendente Celso Cestari, (Foto: Rodrigo Pazinato)

O reconhecimento, para a presidente, vai favorecer todos. “Vai aumentar a quantidade de verduras e também de famílias. Já tem seis que estão com a intenção de voltar”, comenta.

O direito ao título definitivo veio pela Constituição de 1988, que possibilitava o reconhecimento da propriedade quilombola. O processo da Chácara do Buriti começou em 2004 e tramitou até então, passando por relatórios antropológicos e técnicos que indicaram 43 hectares de terra e até desapropriação de uma parte e pagamento de indenização.

Nesta sexta-feira, completou 124 anos e 19 dias da abolição da escravatura. Em anos, o superintendente Celso Cestari contabiliza 35 de trajetória e a terceira vez à frente do Instituto em Mato Grosso do Sul.

O que ele descreveu não era da boca para fora. Cestari agradeceu ao empenho dos funcionários e contou que quis que o reconhecimento fosse dentro do Incra por considerar como marco.

“Isso é muito forte para a gente. Eu tenho 35 anos de trabalho e achei que não fosse mais me emocionar com nada. Mas estou. É um momento muito especial em que a gente se sente representando a sociedade no resgate social de uma dívida impagável”, declara.

Seo Otálio, mais antigo morador da comunidade que foi à solenidade.(Foto: Rodrigo Pazinato)Seo Otálio, mais antigo morador da comunidade que foi à solenidade.(Foto: Rodrigo Pazinato)
Moradores comemoram a entrega do título(Foto: Rodrigo Pazinato)Moradores comemoram a entrega do título(Foto: Rodrigo Pazinato)

Na prática, a comunidade passa agora a ter crédito diferenciado por meio de programas federais, assistência técnica do Incra e segurança jurídica.

Otacílio Pedro de Arruda, 88 anos, era o morador mais velho da comunidade presente hoje na entrega do título. “Firme e forte. Quero trabalhar, mas a vista não deixa”, brinca quanto à idade.

“Seo” Otacílio é genro do fundador da Chácara do Buriti. Hoje tem tataraneto, para quem passa o sentimento de vitória ao conseguir o reconhecimento da terra. “Agora estamos contentes, pode trabalhar lá sossegado. Antes era sofrido, queriam tirar a gente de lá e por na rua. Agora não tem preocupação”.

Segundo o superintendente existem 16 comunidades identificadas como quilombolas em Mato Grosso do Sul. No próximo dia 15, é a vez do berimbau tocar em Maracaju, quando a comunidade negra quilombola de São Miguel recebe o título.

As demais comunidades estão distribuídas em Pedro Gomes, Sonora, Rio Brilhante, Dourados, Aquidauana, Nioaque, Corumbá, Miranda, Bonito, Rio Negro e Terenos.



Capoeira não é esquecida pelos orgãos governamentais, ocorre que eles ficam de mãos atadas quando se deparam com projetos de estrutura frágeis ; as bases percursoras devem se adequar, capacitarem-se conforme diretrizes, regulamentos,convenções etc.. ; dai então poderão ter acesso ao reconhecimento na forma colocada.
 
Rodolfo deToledo em 02/06/2012 08:01:30
Parabens,Jair,Néia ,que Deus esteja sempre com vocês,esta conquista e de todos, mas o mérito e de vocês. Um abraço.....................
 
Regina Maria Martins em 02/06/2012 07:43:02
Essa é a verdadeira tradição da capoeira com um pedaço de arame e um pedaço de pal como é gostoso tocar berimbau! Uma tradição que nos enxe de orgulho pena que a próxima geração não pensa mais em praticar esse tipo de esporte tão saudável e tão cultural esquecido pelos os órgãos governamentais do pais! Excelente reportagem e ótimas fotos campo grande news!
 
Paulo Rabelo em 01/06/2012 10:37:13
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