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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

30/11/2014 16:34

Dos produtos vendidos na Ceasa, 85,51% são de outras regiões do País

Caroline Maldonado
Ceasa é espaço de negociação de produtos produzidos aqui e em outros Estados (Foto: Marcos Ermínio)Ceasa é espaço de negociação de produtos produzidos aqui e em outros Estados (Foto: Marcos Ermínio)

Embora Mato Grosso do Sul seja conhecido como Estado com grande área de produção rural, não dá conta de produzir frutas, verduras e legumes suficientes para o consumo interno. Do total de produtos comercializados pela Ceasa (Central de Abastecimento de Mato Grosso do Sul), apenas 14,49% são produzidos aqui e 85,51% são importados de outras regiões do país. Em 2013, a central negociou 166,6 mil toneladas. Dessas, 24,1 toneladas de produtores médios e pequenos do Estado e 54,4 toneladas vieram de São Paulo, o que representa 32,69%.

O restante, 88 toneladas que representam 52,81% dos produtos vieram de Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás, Espírito Santo, Tocantins, Distrito Federal, Mato Grosso, Bahia, Pará e Pernambuco. Apenas em verduras folhosas o Estado é autossuficiente, de acordo com a Ceasa.

As condições climáticas têm forte influência neste cenário, segundo o gerente da divisão de mercado da Ceasa, Eder Nei Caxias. Conforme o tempo não há como produzir determinado produto em certa época, ele é importado e por isso os preços oscilam tanto. “Nós dependemos do que acontece lá de onde vem as hortaliças. O que ocorre lá afeta os preços aqui”, explica Eder, ao citar como exemplo o tomate, o mais comercializado aqui, respondendo por 12,62% do total. O fruto é importado de um local por aproximadamente quatro meses e depois passa a vir de um outro Estado, por conta das mudanças climáticas.

É aí que o produto chega custar até 200% a mais em pouco tempo, segundo o analista da divisão de mercado da Ceasa, Christiano Chaves. “Alguns produtos têm de 50% a 200% de alta no preço, com exceção das folhas que são mais produzidas aqui mesmo”, afirma.

Admilton não consegue aumentar a produção de mamão e melancia pela falta de incentivos e dificuldade para financia equipamento (Foto: Marcos Ermínio)Admilton não consegue aumentar a produção de mamão e melancia pela falta de incentivos e dificuldade para financia equipamento (Foto: Marcos Ermínio)

Dificuldades – Falta interesse de produtores de maior porte em investir na produção de hortaliças e frutas, o que poderia diminuir a necessidade de importação, segundo Christiano. “O grande problema é que eles têm medo de investir no que não conhecem direito e perder dinheiro”, justifica.

Para os produtores se interessam em variar na produção, surge um desafio que faz muitos desistirem. Falta mão de obra qualificada, de acordo com o analista da Ceasa. “Sem gente capacitada para trabalhar fica muito difícil. Além disso, o Estado tem potencial, mas não tem incentivos fiscais. Temos alguns exemplos de um produtor de uva aqui em Campo Grande e outro de mamão e melão que tentaram e está dando certo, mas não é fácil para que está começando”, destaca.

O produtor de mamão e malancia é Admilton do Santos, que há 16 anos junto aos irmãos enfrenta diariamente o desafio de manter a produção. “Os adubos são mais caros aqui em MS. Um saco custa R$ 100. Para financiar um caminhão pequeno eu teria que pagar um parcela de R$ 4 mil por mês e ia pagar dois veículos com os juros”, elenca o produtor de Sidrolândia, que paga cerca de R$ 400 de frete para transportar a mercadoria a ser vendida até o Ceasa, em Campo Grande, um trajeto de 70 quilômetros, que gasta em média uma hora.

Produtos chegam custar até 200% a mais em pouco tempo, segundo o analista da divisão de mercado da Ceasa, Christiano Chaves (Foto: Marcos Ermínio)Produtos chegam custar até 200% a mais em pouco tempo, segundo o analista da divisão de mercado da Ceasa, Christiano Chaves (Foto: Marcos Ermínio)
Gerente de mercado da Ceasa explica que produtos sofrem muita oscilação de preços porque vem de outros Estados (Foto: Marcos Ermínio) Gerente de mercado da Ceasa explica que produtos sofrem muita oscilação de preços porque vem de outros Estados (Foto: Marcos Ermínio)

Carnes e grãos – Na pecuária, a produção supera o volume comercializado no Estado, de acordo com dados levantados pelo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal da Superintendência Federal de Agricultura no Mato Grosso do Sul (Sipoa/SFA/MS). Do total de 950 mil toneladas produzidas em 2013, 139 mil toneladas foram exportadas, o que representa 14,65%.

Dentre as aves, a exportação é de 37,88%. Das 366 mil toneladas, 138 mil toneladas foram destinadas a outros países. Da carne suína, 12,22% é exportado. São 104 mil toneladas, das quais 12 mil toneladas para exportação. O milho produzido no Estado, que em 2013 chegou a 7 milhões de toneladas, teve 1,8 milhões de toneladas, 23,66% exportadas. Dentre os grãos, o produto que reserva maior quantidade para exportação é a soja. Dos 5 milhões de toneladas produzidas, 2,2 milhões de toneladas são exportadas.



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