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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

20/09/2015 12:04

Para aproveitar dólar alto, produtor vende até 50% da soja antes do plantio

Caroline Maldonado
Antes de plantio, produtores já negociam boa parte da soja a ser cultivada (Foto: Marcos Ermínio)Antes de plantio, produtores já negociam boa parte da soja a ser cultivada (Foto: Marcos Ermínio)
Há sojicultores que negociam até 50% da safra antes mesmo de iniciar o plantio, segundo o presidente do Sindicato Rural de Maracaju, Juliano Schmaedecke (Foto: Revista Brilhe MS)Há sojicultores que negociam até 50% da safra antes mesmo de iniciar o plantio, segundo o presidente do Sindicato Rural de Maracaju, Juliano Schmaedecke (Foto: Revista Brilhe MS)

“O dólar dá com uma mão e tira com a outra”. O comentário da analista-chefe e estrategista da Rural Business, Tânia Tozzi, resume a preocupação do produtor de soja em Mato Grosso do Sul. A alta da moeda, cotada hoje a R$ 3,90, elevou os custos de produção da safra 2015/2016 em 20%. Em contrapartida, a cotação favorece na venda e alguns produtores optam por antecipar as negociações ao máximo. Além disso, a orientação é investir em cálculos detalhados, pois vender com ótimos preços, nem sempre significa alta rentabilidade, na avaliação da especialista.

Quem comprou insumos no primeiro semestre do ano pagou cerca de 14% a mais em relação ao ano passado, como atestou estudo de viabilidade econômica da cultura, desenvolvido pela Embrapa Agropecuária Oeste. Porém, os produtores que compraram depois de julho pagaram cerca de 20% a mais, segundo o presidente do Sindicato Rural de Maracaju, Juliano Schmaedecke.

Há sojicultores que negociam até 50% da safra antes mesmo de iniciar o plantio, de acordo com Juliano. Ele explica que “travar” entre 40% e 50% da safra, cujo plantio começa em outubro, é uma das opções para o produtor não perder dinheiro, mas essa não é a única medida que vai garantir boa rentabilidade.

“O principal e fazer gestão, cuidar da saúde financeira do negócio e, em segundo lugar, 'travar' garante o negócio. Se você já comprou insumos, tem custos de manutenção e de funcionários na mão e tem um mercado mostrando que da rentabilidade boa, não 'travar' é muito risco”, comenta o produtor, lembrando que caso a cotação da moeda americana comece a retrair nos próximos meses, o movimento impacta nas negociações e o sojicultor perde dinheiro.

Com atenção às questões técnicas e um bom plantio, fica em aberto apenas a questão do clima. Justamente, por isso que negociar mais que a metade da safra desde já não é aconselhável, na opinião de Juliano. “O clima em MS é sempre e complicado. Sabemos que vamos ter estiagem entre 15 e 20 dias, mas não sabemos quando. Tendo 'travado' 50%, se tiver problema com clima durante a safra, eu ainda consigo cumprir meus contratos”, comenta.

Além de observar custo e benefício com cautela, se preparar para a estiagem é fundamental. Para isso, cerca de 80% dos produtores agregam a braquiária ao plantio do milho e preparam o solo para a safra de soja. “O produtor trabalha com integração lavoura-pecuraia ou com consórcio de braquiária e assim, se prepara melhor para os veranicos”, detalha.

Receio - Vender no embalo da alta do dólar até parece compensar o custo elevado com insumos adquiridos para o plantio, mas não significa alta rentabilidade, segundo a analista-chefe da Rural Business.

“Vender o grão nos valores atuais vai dar lucratividade em 2016 e garantir o plantio para a safra seguinte, mas tem que planejar com muita antecedência. O grande temor é que estamos tento o maior preço da história, desde 2012, mas naquela época os custos eram bem menores. Então, você percebe que a rentabilidade do produtor está, extremamente, comprometida, porque o custo do nosso dinheiro é muito alto”, destaca a especialista, ao lembrar que o preço da saca de soja está entre R$ 69 e 71, em Mato Grosso do Sul.

A situação é complicada, mas poderia estar pior e o que salva o negócio do sojicultor é o dólar, que “dá com uma mão e tira com a outra”, na opinião de Tânia. Ela explica, que em algum momento a cotação vai ter que retroceder e é aí que a moeda volta a ser dor de cabeça para o produtor.

“A relação é de um para vinte. A bolsa de Chicago (que norteia o preço da soja) esteja onde estiver, qualquer alteração de um centavo no dólar, entra ou sai do bolso do produtor R$ 0,20 por saca. É muito forte essa relação. Se o dólar estivesse na casa de R$ 2,00, a agricultura estaria na pior crise da história. No entanto, a agricultura ainda está conseguindo sobreviver e é ela que garante a balança comercial de MS”, exemplifica.

Diante do cenário, vender antecipadamente é bom negócio, mas cada sojicultor deve fazer seu próprio cálculo para determinar o limite desse montante, orienta a analista. “Não se pode 'travar' tudo, porque não se sabe quanto vai colher. Temos de produtor que fechou com produtividade de 30 sacas, por hectares. Só vai garantir, quem fizer produtividade elevada, porque aí dilui o seu custo”.

Tânia reforça que o mais importante é investir em informação. “Acabou a fase de o produtor entrar no mercado só na hora de plantar e vender. Ele precisa ficar antenado. Tem dias que tem oscilação de de R$ 2 reais, em questão de horas. É preciso de estratégia, porque se não, não vai conseguir rentabilidade”, comenta a analista.



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