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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

01/08/2016 07:25

Sem controle da população de javalis, técnica garante 100% de êxito no abate

Renata Volpe Haddad
Javalis flagrados em lavoura de milho. (Foto: Matam/Divulgação)Javalis flagrados em lavoura de milho. (Foto: Matam/Divulgação)

A população dos javalis em Mato Grosso do Sul e no restante do País está crescendo sem controle. Com isso, aumenta a preocupação em relação aos impactos econômicos e ambientais que esses animais causam. Diferente do que se costuma usar para capturar os animais selvagens, empresários inovaram uma técnica utilizada no Texas e garantem 100% de eficácia no abate.

Com pesquisas ainda em desenvolvimento, segundo o pesquisador da Embrapa Pantanal, Guilherme Mourão, um dos objetivos é conseguir algum tipo de dado sobre a quantidade de javalis ou javaporcos existentes no Estado. "Não sabemos quantos animais existem no Estado nem no País, mas sabemos que a população de javalis cresce mais a cada ano no Brasil".

Sobre os impactos ambientais, eles começam desde o pisoteio de plantas em áreas de nascentes de rios até aumentar erosão perto de riachos. "Os javalis comem de tudo até ovos de aves que fazem ninhos no chão também são alvos desses animais. Há uma série de preocupações em relação ao comportamento de javalis, mas as erosões nas nascentes têm chamado bastante atenção", explica.

Conforme o pesquisador, impactos econômicos podem acontecer de duas formas. "Uma delas é o impacto direto sobre as culturas, principalmente do milho, pois os javalis pisoteiam as plantas, causando grande estrago. Não há um estudo confiável de quanto é perdido na safra devido ao ataque desses animais, mas o que sabemos são o que os produtores avaliam de perdas", explica.

Mourão diz ainda que outra preocupação é a transmissão de doenças dos javalis para suínos de granja. "Brasil é um grande produtor de carne suína e os javalis podem transmitir a peste suína para animais de granja, podendo assim comprometer a exportação de carne se houver surtos descontrolados dessa doença. Mato Grosso do Sul e outros Estados exportadores são considerados livres dessa peste, mas os governos vão ter que começar a se preocupar com o contato dessas populações selvagens com animais de cativeiro".

Javalis são animais inteligentes, aprendem evitar armadilhas e é uma espécie de difícil controle, até mesmo em países desenvolvidos, conforme Mourão. "Estamos testando tipos diferentes de captura desses animais e vemos que algumas pessoas têm tido sucesso com armadilhas diferentes, mas ainda assim, temos que desenvolver métodos para controlar os javalis", finaliza.

Câmeras noturnas registram comportamento de javalis em fazendas no Estado. (Foto: Embrapa Pantanal)Câmeras noturnas registram comportamento de javalis em fazendas no Estado. (Foto: Embrapa Pantanal)

Técnica e eficácia – A técnica de abate dos bandos de javalis tem 100% de eficácia garantido pelos empresários da empresa Matam, que tem médico veterinário e agrônomo na equipe.

Caçador esportista e empresário, Laurino Pacífico Gonçalves Junior, aprendeu a técnica de captura no Texas, há 10 anos. "Os ataques de javali por lá são comuns e quando morei em uma fazenda, aprendi como é feito esse abate, sendo que para a captura de bando não é utilizado arma de fogo, produtos químicos e nem cachorros", explica.

Junto com o sócio, Rodrigo Figueiredo, eles aprimoraram as técnicas e investiram em câmeras para monitoramento dos javalis, GPS, rádio frequência e portões com acionamento por controle. "Os ataques no Brasil começaram a ficar mais evidente a partir do ano passado quando a população de javalis cresceu demasiadamente no país, então o Ibama liberou o abate",explica Figueiredo.

O trabalho na fazenda demora de 30 a 40 dias. "Nos primeiros 10 dias fazemos a análise do comportamento dos animais dentro da fazenda, com câmeras, rastreamos as trilhas dos animais, e depois montamos uma espécie de armadilha grande para capturar o bando".

Javalis foram flagrados comendo ração de gado em cocho. (Foto: Embrapa Pantanal)Javalis foram flagrados comendo ração de gado em cocho. (Foto: Embrapa Pantanal)

Captura - Dependendo da quantidade de javalis que existem na propriedade, um tipo de curral é montado com um portão que fica aberto a todo o momento para que os animais se acostumem com a presença do objeto.

"Alimentos são colocados dentro deste cercado todos os dias e para os javalis se adaptarem e entrarem no local, demora de 10 a 15 dias, pois são animais extremamente inteligentes. Depois que todos entram, o portão se fecha por controle remoto", afirma Figueiredo.

Depois da captura, é realizado o abate e conforme as diretrizes do Ibama, é feito o descarte da carcaça. "Trabalhamos com a proposta de diminuir até 100% dos javalis na fazenda, emitimos nota fiscal e nosso equipamento é avaliado e aprovado pelo Ibama. A eficácia do nosso serviço é alta porque trabalhamos com técnicas diferentes", alega Pacífico.

Para contratar os serviços da Matam, os interessados podem ligar nos seguintes números: 9 9886-0011 ou 9 9207-2278.

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