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Arquitetura

Longe de rústico, fazendas eram inspiradas em estilo 'exagerado'

Arquiteto pesquisou sobre edificações de Rio Brilhante e notou que estilo remete ao ecletismo

Por Aletheya Alves | 22/09/2023 06:47
Fazenda Triângulo é um dos exemplos da arquitetura de Rio Brilhante. (Foto: Fábio Fernando Oliveira)
Fazenda Triângulo é um dos exemplos da arquitetura de Rio Brilhante. (Foto: Fábio Fernando Oliveira)

Durante os últimos sete anos, o arquiteto Fábio Fernando Oliveira começou a pesquisar sobre a arquitetura de Rio Brilhante e notou que o estilo adotado pelas fazendas até a década de 1950 foi o ecletismo. Na prática, a escolha está bem longe do ideal “rústico” que, geralmente, é associado ao mundo rural e mistura vários estilos do passado até exagerando nos detalhes.

Tomando o tema como ponto de sua tese de doutorado, Fábio comenta que decidiu transformar os conhecimentos adquiridos em um livro que será lançado no dia 26 deste mês. Mas, enquanto a obra completa não é divulgada, ele narra que parte de suas observações já estão disponíveis ao público através de artigos científicos.

E, para mostrar na prática que Mato Grosso do Sul é bastante rico em sua arquitetura, o arquiteto selecionou algumas sedes de fazendas que trazem referências do que o Estado tinha como ideal na época.

“Nós fomos a Rio Brilhante e entrevistamos familiares, pessoas que conviveram com os proprietários da época. Entendemos como a cidade funcionava e, logo no início, percebemos que a rua principal de Rio Brilhante era quase toda no estilo eclético, assim como muitas fazendas”.

Para Fábio, entender que, apesar de existirem outras cidades mais conhecidas quando o assunto é arquitetura em MS, Rio Brilhante também pode ser um dos focos de estudo. “Fui a fundo na pesquisa e vimos que a cidade integrava o ciclo econômico e isso refletiu na construção das fazendas. Por exemplo, encontramos até mármore carrara italiano”, diz.

Talvez uma das construções que mais chame atenção por seu estilo, a Fazenda Triângulo, de 1945, é uma das representantes do ecletismo, citado por Fábio. Em um de seus artigos, que compõem o livro, ele narra que o espaço era a antiga residência de Gumercindo Barbosa, um fazendeiro famoso da época.

“Dentre os materiais utilizados na construção, se destacam alvenaria de tijolos maciços revestidos com argamassa, aberturas retangulares com quadros e vedos de madeira e vidros martelados”, explica.

Mas, o grande destaque é a variedade de elementos, como pontua o arquiteto. “A estrutura é de madeira, coberta por telhas de barro, com o desenho da cobertura variando entre duas e três águas. O conjunto de elementos decorativos da obra é marcado pelo exagero de detalhes e ornamentos, uma inspiração do estilo eclético”.

Fazenda Vira Mão também se enquadra no estilo eclético. (Foto: Fábio Fernando Oliveira)
Fazenda Vira Mão também se enquadra no estilo eclético. (Foto: Fábio Fernando Oliveira)

Ainda falando de fazendas, outra inspiração do mesmo estilo é a Fazenda Vira Mão, de 1941. “Era referência de conforto na região. Pertenceu a Estevão Gonçalves Barbosa Marques e depois à sua filha”.

De acordo com o arquiteto, a construção possui aberturas retangulares cobertas com telhas de barro. “Também possui aberturas retangulares com vedos em madeira e vidros” e, internamente, até papel de parede foi aplicado nas varandas.

Já retornando para o centro da cidade, Fábio destaca o sobrado construído para a família Barbosa Martins antes mesmo da fundação do município, em 1914. Na época, o edifício foi levantado com materiais vindos de fora do Brasil e já foi usado até mesmo como prefeitura.

Para mais curiosidades sobre a arquitetura de Rio Brilhante, o livro do arquiteto será lançado no dia 26 deste mês, às 20h, na Biblioteca Estadual Dr. Isaias Paim, localizada na Avenida Fernando Corrêa da Costa, 559.

Sobrado construído em 1914 mostra riqueza arquitetônica da cidade. (Foto: Fábio Fernando Oliveira)
Sobrado construído em 1914 mostra riqueza arquitetônica da cidade. (Foto: Fábio Fernando Oliveira)

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