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27/09/2014 09:29

A definição do voto

Por Dante Filho (*)

Definir o voto é uma operação complexa. Requer que o eleitor tome uma decisão com base em impressões emocionais fecundas e razões empíricas imprecisas. Cientistas e estudiosos da neuropsicologia há anos pesquisam o assunto.

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Existem teorias para todos os gostos. Há centenas de livros abordando o tema. No fim, neste oceano de divergências, há alguns consensos. Um deles é de que a vasta maioria decide seu voto nos instantes finais do processo, numa operação que combina experiência individual, memória afetiva, pragmatismo e identificação.

Desse ponto de vista, o conceito de “voto consciente” deve ser relativizado. O processo neural, com base no funcionamento do córtex pré-frontal (dorsolateral e ventromedial ), combina fatores racionais e emocionais criando conexões que terminam por materializar o voto em condições imponderáveis. Há uma orquestração de fatores que leva o indivíduo a tomar decisões inadiáveis, principalmente no caso de sufrágios em que ideias gerais precisam ser condensadas em escolhas pessoais em torno de candidaturas indicadas por partidos políticos.

Na democracia brasileira a realização de eleição está naturalizada. O fato inclusive vai se tornando trivial, ainda mais quando ela acontece a cada dois anos. Isso talvez explique a crescente indiferença dos eleitores em relação ao pleito.

Só o jornalismo militante vive o frenesi de um assunto que a maioria tende a ver até com certa repulsa. Essa é a vida.
As campanhas ajudam a modelar este processo decisório. O eleitor é bombardeado durante meses com fatos e informações sobre as candidaturas e suas propostas. Pesquisas sucessivas ajudam, neste caso, a criar bases subjetivas sobre os rumos das preferências eleitorais. Muitas vezes, paradoxalmente, elas contribuem para organizar ambientes que colocam a opinião pública em fluxos contrários dos consensos formados ao longo de uma campanha.

Quando os institutos erram feio – o que tem sido comum – eles recorrem a argumentos risíveis, sabendo da memória curta dos eleitores.

Por isso dizem que as urnas são caixinhas de surpresas. Elas podem contrariar a ciência dos levantamentos estatísticos porque no substrato da sociedade há sentimentos que são impossíveis de serem medidos matematicamente.

Jornalistas, especialistas e políticos profissionais tem dito que a atual campanha vem sendo marcada pela volatilidade. Percebe-se claramente certo cansaço com o sistema político. Chamou a atenção a pouca aderência do eleitor ao movimento propagandístico dos candidatos. É provável que os índices de votos nulos e brancos sejam elevados. Há forte indicativo de que haverá abstenção significativa ao final do processo. Esperemos.

O eleitor médio é enigmático. Só há certa previsibilidade de voto em militâncias ideológicas e partidárias, segmentos sociais específicos, regiões marcadas por certas características antropogeográficas. A grande massa que forma o eleitorado meridional habita camadas tectônicas que é difícil perscrutar. Por isso, a dúvida sempre ronda os finais de campanha.

Nos setores mais empobrecidos da população o voto pode ser uma moeda de troca. Nesse caso, a definição é mais fácil porque se trata, afinal, ou de um “negócio” ou de um gesto de agradecimento àqueles que geram benefícios tangíveis aos eleitores. O governismo – seja qual for – acaba levando vantagem nesses casos.

A coisa se complica quando começa a se subir na escala da pirâmide, pois a partir de determinada faixa existe imenso contingente de pessoas com mais experiência social e que faz do voto uma escolha mais consistente.
Esse é o eleitor que forma densamente as chamadas “maiorias eleitorais silenciosas”. No atual momento, há uma confusão sobre qual escala de valores deve ser adotado para conquistar esse voto.

No plano presidencial, prevalece o cálculo que se estende desde a política do medo até às promessas intangíveis. De uns dias para cá a baixeza vem atingindo escalas perigosas. Imagino que haverá alguma convergência com as pesquisas, mas é muito complicado dizer com certeza o que vai acontecer, de fato, no dia da eleição.

No plano local, entre as candidaturas majoritárias também prevalece um jogo psicológico para que se reforcem fantasias a partir de divulgação de levantamentos de opinião poucos consistentes. No caso das eleições proporcionais, o padrão de votos indecisos supera quase 70% do eleitorado, o que também faz das listas dos prováveis eleitos uma quimera monumental.

É claro que à medida que se aproxima a data fatal a sociedade condensa seus consensos. Eles podem contrariar interesses militantes e vontades pessoais. Mas é dessa matéria movediça que se constrói qualquer democracia.

(*) Dante Filho, jornalista

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