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22/01/2014 09:35

A difícil missão de ser pai

Por Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

Pode parecer incrível, mas aprender a ser pai é algo que muitos homens necessitam, embora não queiram reconhecer. É o que podemos ver claramente no filme japonês Pais e Filhos, de Hirokazu Koreeda, vencedor em Cannes do Prêmio do Júri Oficial e do Júri Ecumênico. A trama é apresentada com leveza, apesar de os casais protagonistas estarem vivendo um momento de grande tensão ao saber que os respectivos filhos, agora com seis anos de idade, foram trocados na maternidade pela ação cruel de uma enfermeira. Com sequências suaves e envolventes, o filme, no entanto, parece seguir um padrão esquemático.

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Diante da revelação surpreendente, Ryota, o pai que estava criando Keita, o filho do outro casal, se desequilibra emocionalmente. Homem duro, empreendedor de sucesso muito envolvido com o trabalho e com as possibilidades de ganhos, age de forma fria e exigente no relacionamento com a mulher, Midori, e também com o filho, pois estranhava que seu menino fosse um pouco tímido sem muita iniciativa, ao contrário do que ele desejava como pai. Ao tomar conhecimento sobre a troca dos meninos, as convicções de Ryota começam a balançar. Será que ele não sabia ser pai?

Em contrapartida, o outro pai, pequeno comerciante, contava com menos recursos, mas se envolvia amplamente na educação dos filhos, conversando com eles, participando das brincadeiras, exagerando um pouco. Enquanto Keita, disciplinado e ordeiro, mostrava pouca garra, o outro menino, filho biológico de Ryota, era mais desembaraçado, sorridente, ousando falar o que queria e fazer perguntas, mas na casa dos pais verdadeiros, não se sentia num lar ao qual havia se habituado. No mundo real comprovamos que as crianças que moram em apartamento, cuja rotina é ir à escola, tendo os games como lazer principal, acabam não aproveitando a infância adequadamente. Elas precisam de mais espaço para brincar, correr, e ter maior contato com a natureza, com belas paisagens, rios, florestas, montanhas e planícies, para que possam aprender disciplinas como geografia, por exemplo, de forma mais espontânea.

A situação apresentada no filme mostra que, na educação dos filhos, o excesso de conforto e cuidados não contribui para a formação de uma geração forte. Eles precisam se esforçar e aprender a lei do equilíbrio, retribuindo tudo o que recebem. Os primeiros anos da educação infantil são marcantes. As mães da ficção pressentiam isso muito bem, e para elas era difícil aceitar a ideia de que após seis anos de convivência, teriam de transferir a moradia das crianças para junto dos pais biológicos, que tinham outros hábitos e modo de viver.

Trata-se de um filme que não obedece ao padrão do cinema americano ou europeu que costuma ser mais “cosmético” por fugir do dia a dia, criando um mundo distante da realidade. São muitas as questões levantadas pela trama. Como enfrentar esse dilema? Por que as mães não perceberam a troca? Haveria uma forma de consertar essa dramática situação entre pais e filhos? O que vai se passar na mente daqueles meninos? Se isso acontecesse com você, o que faria ou recomendaria? Trocaria as crianças de lar e família? Ou daria prosseguimento à vida do jeito que estava sem mudar nada na vida das crianças?

(*) Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, e associado ao Rotary Club São Paulo. Realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros “ Conversando com o homem sábio”, “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”, e “2012...e depois?”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7

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