A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

25/01/2011 11:25

A imagem paraguaia no Brasil: o caso do “cavalo paraguaio”

Por Tácito Loureiro (*)

O jornalismo brasileiro associa o Paraguai com a imoralidade. A televisão relaciona o Paraguai com a falsificação, o contrabando de produtos estrangeiros, a violência, a corrupção, a produção e o tráfico de drogas, o esconderijo de traficantes, o destino de carros roubados etc. Faz muito tempo que o Paraguai tem servido para opiniões desfavoráveis, esteriótipos na imprensa brasileira.

Segundo o Prof. Dr. Mauro César Silveira: “No século XIX, o jornal Paraguay Illustrado, produzido na corte de Dom Pedro II, apresentava charges que disseminavam estereótipos em relação ao país guarani e ao seu povo. Na primeira década do novo milênio, ainda são visíveis as marcas do preconceito no Jornalismo brasileiro.

Uma análise do discurso da mídia nacional mostra que antigas idéias-imagens avançaram através do tempo e, mesmo adquirindo novos contornos e significados, mantêm uma conotação extremamente negativa do Paraguai, na maioria das vezes, associado à falsificação e aos negócios escusos e apresentado como o país sul-americano menos qualificado – o indesejado e autêntico fundo do poço” (web: http://revcom2.portcom.intercom.org.br/index.php/rbcc/article/viewFile/3313/3122).

Conforme a informação disponível na Internet: “Cavalo paraguaio é uma gíria utilizada no futebol brasileiro para designar equipes ou jogadores que tenham uma boa atuação no começo de um campeonato, ou mesmo em uma partida, e a seguir decaem de modo a serem superados pelos demais” (web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cavalo_paraguaio).

No futebol, o jornalismo desportivo parece discriminar o Paraguai pelo uso de alguns termos. Alguns exemplos retirados das páginas brasileiras mais respeitadas dos maiores veículos de comunicação da imprensa brasileira: FOLHA DE SÃO PAULO (web: http://search.folha.com.br/search?q=cavalo%20paraguaio&site=online); Grupo Abril (responsável pela publicação da Revista Veja, a mais famosa do Brasil): “O volante Chico acredita que foi mais uma boa atuação de todo o time, mostrando que o Atlético-PR não é um ‘cavalo paraguaio’ nessa arrancada após a Copa do Mundo. (...).” (web: http://placar.abril.com.br/brasileiro/atletico-pr/noticias/mesmo-buscando-tres-pontos-furacao-se-contenta-com-empate.html); O ESTADO DE SÃO PAULO: Ponte espera provar que não é ''''cavalo paraguaio'''' (web: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080302/not_imp133532,0.php).

O acesso a uma educação de qualidade é um grande desafio no Brasil. Sem ter o devido connhecimento sobre o Paraguai, os brasileiros são facilmente manipulados, levados a crer em idéias negativas, ofensivas sobre o Paraguai.

Para o Supremo Tribunal Federal (STF), do Brasil: “As liberdades públicas não são incondicionais, por isso devem ser exercidas de maneira harmônica, observados os limites definidos na própria CF (CF, art. 5º, § 2º, primeira parte). O preceito fundamental de liberdade de expressão não consagra o 'direito à incitação ao racismo', dado que um direito individual não pode constituir-se em salvaguarda de condutas ilícitas, como sucede com os delitos contra a honra. Prevalência dos princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade jurídica.” (HC 82.424, Rel. p/ o ac. Min. Presidente Maurício Corrêa, julgamento em 17-9-2003, Plenário, DJ de 19-3-2004.) (web: http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/constituicao.asp).

Os judeus conseguiram no STF a seguinte decisão judicial: “Habeas corpus. Publicação de livros: antissemitismo. Racismo. Crime imprescritível. Conceituação. Abrangência constitucional. Liberdade de expressão. Limites. Ordem denegada. Escrever, editar, divulgar e comerciar livros ‘fazendo apologia de ideias preconceituosas e discriminatórias’ contra a comunidade judaica (Lei 7.716/1989, art. 20, na redação dada pela Lei 8.081/1990) constitui crime de racismo sujeito às cláusulas de inafiançabilidade e imprescritibilidade (CF, art. 5º, XLII).” (HC 82.424, Rel. p/ o ac. Min. Presidente Maurício Corrêa, julgamento em 17-9-2003, Plenário, DJ de 19-3-2004.) (web: http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp?item=31 ).

A obrigação e o direito de qualquer governo é cuidar da sua imagem internacional. As autoridades paraguaias podem seguir o exemplo da comunidade judaica, para defender a imagem do Paraguai no exterior.

Com respeito à dignidade e à honra do país guarani, sugere-se ao Governo do Paraguai: 1) exigir que o Brasil cumpra as leis e os tratados internacionais de Direitos Humanos, e punir a imprensa que faz apologia a idéias ofensivas e discriminatórias contra a comunidade paraguaia; 2) retirar conteúdos discriminatórios vinculados em Internet (exemplo na web: http://desciclo.pedia.ws/wiki/Paraguai); 3) acionar na justiça a imprensa responsável por violações, na área cível (direitos à indenização, à imagem, à honra, à resposta, do Estado Paraguaio); e criminal (o crime de racismo é inafiançável e imprescritível, segundo o Art. 5.º, XLII, da Constituição do Brasil); 4) recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Corte Suprema do Brasil, à Diplomacia, e se ainda for necessário denunciar o caso do “cavalo paraguaio”, e outras violações jornalísticas, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

O Paraguai, como todos os outros países, tem seus problemas. Mas não justifica a imprensa do Brasil tratá-lo com imoralidade. O caso do “cavalo paraguaio” é apenas um dos muitos casos. Será uma decisão histórica à dignidade e à imagem do povo paraguaio, se o Paraguai ganhar a causa na Justiça.

Até quando as autoridades paraguaias estarão caladas? Sem atuar? Ficam aqui registradas estas perguntas. O dinheiro das indenizações, por exemplo, poderá ser investido na melhoria das condições de vida do povo paraguaio. Mas se nada se faz, os esteriótipos e a discriminação continuarão abalando profundamente a imagem internacional do país.

(*)Tácito Loureiro é advogado e licenciado em Letras.

Morre no trânsito o equivalente a 2 aviões da Lamia lotados por dia
Por dia, no Brasil, morrem em acidentes de trânsito o equivalente a ocupantes de dois aviões da Lamia, que transportava o time inteiro da Chapecoense...
Um galo para Asclepius
Sócrates, o filósofo ateniense, cujos preceitos influenciaram o pensamento ocidental de forma muito marcante e definitiva, tinha uma característica: ...
Tiro no pé ou tiro na mão?
Embora a economia do País tenha dado tímidos sinais de recuperação nos últimos tempos, a verdade é que ainda precisamos avançar mais e com velocidade...
Avaliação escolar: o peso de uma nota na vida do aluno
"Poderão esquecer o que você disse, mas jamais irão esquecer como os fez sentir." (Carl W. Buechner) Hoje, quero compartilhar uma grande decepção que...



na minha opiniao o que falta no PARAGUAY é uma carga tributária como aqui no BRASIL, e para combater a lavagem de dinheiro e corrupçao taxar com cpmf toda a entrada e saida de dinheiro, bem como melhorar a educaçao urgente, combater a corrupçao que é uma vergonha nacional, onde 10% da populaçao vive uma vida de rei e o restante abaixo da linha de pobreza, o povo tem que cobrar respeito urgente.
 
francisco dos santos em 26/08/2012 03:20:28
Antes da guerra, o Paraguai era uma potência econômica na América do Sul. Além disso, era um país independente das nações européias. Para a Inglaterra, um exemplo que não deveria ser seguido pelos demais países latino-americanos, que eram totalmente dependentes do império inglês. Foi por isso, que os ingleses ficaram ao lado dos países da tríplice aliança, emprestando dinheiro e oferecendo apoio militar. Era interessante para a Inglaterra enfraquecer e eliminar um exemplo de sucesso e independência na América Latina. Após este conflito, o Paraguai nunca mais voltou a ser um país com um bom índice de desenvolvimento econômico, pelo contrário, passa atualmente por dificuldades políticas e econômicas.
Parecido com o RJ, depois que se perde o controle fica difícil consertar!
Não podemos esquecer que pequena parte de culpa da imoralidade em que o Paraguai tenha se formado se deve a nós brasileiros, pois este País ao começar a industrialização, muito antes do Brasil, foi saqueado, suas máquinas roubadas e o que sobrou foi queimado, em uma guerra provocada por eles mesmo SOLANO.
Nos dias de hoje nosso País facilita a referida imoralidade do Paraguai, por motivo de reconhecimento desta culpa.
 
Ademir Garcia em 11/03/2011 10:09:48
Meus parabéns, Dr. Tácito Loureiro! O artigo está excelente. Porque nada justifica o preconceito e a discriminação contra ninguém, ainda mais contra um povo irmão como é o paraguaio. Não é de hoje que grande parte da mídia brasileira tem prestado um desserviço à nação brasileira e paraguaia. Cadê o respeito às leis?
 
Maria Joana de Paula em 31/01/2011 04:44:47
Concordo que a expressão "Cavalo Paraguaio" virou sinônimo de fracasso ao final.
Agora, antes de as autoridades paraguaias virem ao Brasil reivindicar respeito, eles precisam fazer por merecer tal respeito.
Exemplo é a facilidade com que encontramos carros roubados no Brasil, que são vendidos a preço de "banana" do lado de lá.
Que eles se dêem ao respeito, para depois vir a público exigir "respeito".
 
Marco Arthur em 25/01/2011 12:52:19
Muito oportuna a matéria, mas uma pena que ficou uma sensação de que ela ficou incompleta. Toda vez que se toca num termo popular ou um expressão popular, faz-se necessário um enfoque histórico.
Faltou talvez dizer que a expressão pode ter se originado de uma corrida de cavalo ocorrida no turfe carioca, onde. O cavalo pernambucano "Mossoró", de origem paraguaia, obteve uma vitoria inesperada, contra todos os prognósticos. Ou que o termo pode ter se originado no século XIX, quando na época de Dom Pedro II e da guerra do Paraguai, foi editado no Rio de Janeiro um jornal com notícias da guerra e sempre desfavoráveis aos nossos então inimigos.
 
Takeshi Matsubara em 25/01/2011 12:03:20
OTÍMA ESTA MATÉRIA... COMO SOMOS CRUEIS.... RESTA AGORA O GOVERNO PARAGUAIO E O POVO MUDAR A IMAGEM DE TERRA SEM LEI (tráfico de drogas, o esconderijo de traficantes, o destino de carros roubados etc. ). DEPOIS QUE PEGA FAMA. !!!!!!!! MAIS COMO NO BRASIL, SEMPRE TEM PESSOAS BOAS, VOU PONDERAR ANTES DE CRITICAR MOSSO VIZINHO PARAGUAI ( PONTA PORÃ) E OTÍMA....
 
Paulo Durães em 25/01/2011 03:41:38
Prezado Marco Arthur,
tanto o povo paraguaio como brasileiro merecem respeito, a pesar da existência de autoridades corruptas, de traficantes de drogas, carros e armas, etc, etc.
Sob seu raciocínio ilusório, poderiamos dizer que exemplo é a facilidade com que armas produzidas no Brasil, saem de contrabando para o Paraguai (e Bolivia e Colombia, etc, etc) e voltam na ilegalidade para o mercado do tráfico. Não faz o menor sentido atacar TODO o povo brasileiro, atacar a NACIONALIDADE brasileira, estereotipar a palavra BRASIL como sinónimo de tráfico, ou você acha que sim?
Atenciosamente.
 
Carlos Sauer em 25/01/2011 03:13:16
Este artigo, elaborado com muita propriedade, merece ser divulgado em todos os campos midiáticos nacionais, uma vez que se trata de uma proposta de tomada de consciência em relação ao péssimo panorama que a maioria dos brasileiros tem em relação ao Paraguai, fundamentando preconceitos que já deveriam ser abolidos da mentalidade nacional, especialmente depois da Guerra que arrasou aquela nação. Como defensora das culturas e das individualidades nacionais, digo que o nosso vizinho possui muitas riquezas em sua cultura, além de ritmos musicais, do tereré e outras produtos culturais paraguaios. Na literatura e outras artes, Josefina Plá, Roa Bastos, entre outros; na pintura Carlos Colombino e assim por diante. Parabéns, Dr. Tácito, pois o Paraguai é uma terra cuja riqueza cultural e literária é bastante desconhecida e apreciar esta riqueza significa interagir e respeitar as diversas vozes que ecoam neste rincão do sul da América do Sul.
 
Suely Mendonça em 25/01/2011 03:12:57
Oportuno o artigo do Sr. Loureiro.Tenho orgulho de ter um tiquinho de sangue guarany nas veias. A guerra do Paraguay não foi bem como narra nossos historiadores. E eles tem uma grande vantagem sobre nós: Lá não tem a familia Sarney.
 
Ronaldo Ancél Alves em 25/01/2011 02:17:34
Realmente, vale uma reflexão.
PARABÉNS pelo texto.
Eu, por exemplo, tenho orgulho das minhas origens.
Corre em minhas veias o sangue paraguaio. Eu vim, como diz a música do Almir (Sonhos Guaranis), "da fronteira onde o Brasil foi Paraguai".
Añuvã, Giuliana

 
Giuliana Mendonça de Faria em 25/01/2011 01:38:40
Parabéns Dr Tácito por sua visão sobre esse tema tão deploravél e irresponsavél que alguns orgãos de imprensa brasileiros vez por outra, teima em trazer a baila, o povo Paraguaio merece respeito e acima de tudo, ser integrado a tão festejada "GLOBALIZAÇÃO" como seres humanos, como povo, e acima de tudo como nação livre e democrática que hoje é.
Meu respeito e desculpas ao POVO GUARANY.
 
Antonio Mazeica em 25/01/2011 01:16:28
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions