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24/02/2012 15:14

A literatura de cordel como suporte didático no ensino e aprendizado

Silvio Profirio da Silva (*)

Durante décadas, o ensino fornecido pelas instituições de ensino brasileiras centrou-se, predominantemente, em perspectivas puramente mecanicistas, tecnicistas e tradicionais (SANTOS, 2002).

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Com isso, as práticas pedagógicas concediam primazia ao uso exclusivo dos livros didáticos. Excluia-se, assim, uma gama de recursos didáticos e de múltiplas linguagens. Consoante Albuquerque (2006) e Albuquerque et al (2008), nos anos 80, tem início uma serie de estudos de inúmeros campos de investigação, tais como, das Ciências da Educação [Pedagogia], das Ciências da Linguagem [Linguística], das Ciências Psicológicas [Psicologia, Psicologia Cognitiva e Psicolinguística], da Filosofia e da Sociologia. Tendo como pano de fundo esse contexto paradigmático, eclode uma nova concepção de ensino sociointeracionista, que prima por uma nova perspectiva de aprendizagem, focando, sobretudo, na produção de sentido (KOCH & ELIAS, 2006) e elaboração de significados/ significação. Destaca-se, sobretudo, o fato de surgir uma serie de mudanças didáticas nos processos de ensino e de aprendizagem, buscando, assim, romper com práticas tradicionais de escolarização, conforme evidencia Albuquerque (2006).

Uma dessas mudanças diz respeito a inserção de múltiplas linguagens nos processos de ensino e de aprendizagem. Isto é, novos recursos didáticos e novos suportes de texto, que subdisiam práticas pedagógicas inovadoras e diferenciadas. É nesse cenário que se fala em Linguagens Alternativas. Esse conceito levantado por Gomes & Nascimento Neto (2009) refere-se às múltiplas formas de expor um conteúdo, a partir de diversos suportes textuais, como, por exemplo, Charges, Cinema, Histórias em Quadrinhos [HQs], Jogos, Jornais, Redes Sociais [Facebook, MSN, Orkut, E - fórum, etc.], Revistas, Tirinhas etc. (GOMES & NASCIMENTO NETO, 2009). Dentre os quais, destaca-se, nesta escrita, a Literatura de Cordel, abordando seus subsídios para novas iniciativa didáticas e pedagógicas, rompendo com padrões tradicionais, rumo a novas formas de construção social do conhecimento.

A Literatura de Cordel pode ser definida enquanto uma poesia de cunho/ teor popular, que inicialmente era realizada apenas por intermédio da linguagem oral. Contudo, após alguns anos, ela passou a ser realizada de forma escrita, por intermédio da linguagem escrita e da impressão em folhetos (FONSÊCA & FONSÊCA, 2008). Um dos traços marcantes acerca desse tipo de literatura diz respeito aos seus versos escritos a partir da utilização de rimas e, algumas vezes, com ilustrações, que são hoje chamadas de xilogravuras (FONSÊCA & FONSÊCA, 2008). Ao contrário do que muitos pensam, a Literatura de Cordel não é uma criação/ produção desvinculada da realidade e das práticas sociais. Em outras palavras, esse tipo de literatura não se limita a histórias fictícias e distanciadas da realidade circundante. Pelo contrário, por intermédio dos seus versos e da sua linguagem, a Literatura de Cordel reflete acerca de diversas temáticas de cunho social, englobando a cultura material e imaterial da espécie humana. Com isso, ela leva para a escola temas de interesse público e extremamente relevantes para a formação dos discentes brasileiros (BENTES, 2004).

É nesse contexto que a Literatura de Cordel leva para o universo escolar novas possibilidades de cunho metodológico relacionadas à Leitura e à Diversidade temático-textual. Dito de outra forma, essa literatura propicia um trabalho inovador, trabalhando a questão da leitura em um perspectiva de ampliação da visão de mundo, de conscientização, de reflexão e de criticidade. Ao mesmo tempo, promove a inserção da diversidade textual e temática no âmbito educacional. Nesse sentido, a Literatura de Cordel propicia novas didáticas e iniciativas pedagógicas para o ensino, a partir da inserção de múltiplas linguagens nos processos de ensino e de aprendizagem. O que, por conseguinte, ocasiona novos caminhos e horizontes para a construção social do conhecimento do aluno.

(*)Silvio Profirio da Silva e é graduando em Letras pela Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE. E-mail: silvio_profirio@yahoo.com.br

Referências

ALBUQUERQUE, E. B. C. . Mudanças didáticas e pedagógicas no ensino da língua portuguesa: apropriações de professores. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

ALBUQUERQUE, E. B. C. ; MORAIS, A. G. ; FERREIRA, A. T. B. . As práticas cotidianas de alfabetização: o que fazem as professoras? Revista Brasileira de Educação, v. 13, p. 252-264, 2008.

BENTES, A. C.. Linguagem: práticas de leitura e escrita. São Paulo: Global - Ação Educativa Assessoria,Pesquisa e Informação, 2004.

FONSÊCA, A. V. L. ; FONSÊCA, K. S. B. . Contribuições da literatura de cordel para o ensino da cartografia. Revista Geografia, v. 17, n. 2, Londrina, 2008.

GOMES, G. M. S. ; NASCIMENTO NETO, L. D. . A Cultura Afro-Brasileira no Saber Escolar Contemporâneo: articulando histórias, linguagens, memórias e identidades. Revista Encontros de Vista, v. 02, p. 13-24, 2009.

KOCH, I. G. V.; ELIAS, V. M. . Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2006.

SANTOS, C. F.. O ensino da leitura e a formação em serviço do professor. Revista Teias, ano 3, v. 05, n. jan/jun, p. 29-34, Rio de Janeiro/ RJ, 2002.

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Muito bom, sou acadêmico e penso em fazer meu tcc sobre o uso de novas metodologias para o ensino, pois a sociedade está evoluindo, e o ensino deve também evoluir, não ser o mesmo de 10, 20, 30 anos atrás onde o professor só usa o livro, escreve no quadro explica e acabou. Devemos buscar uma evolução no ensino.
 
Allan Gomes em 06/02/2013 10:44:21
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