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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

13/11/2011 12:30

A maconha e a invasão na USP

Por Percival Puggina*

Quando leio sobre a violência dos assaltos praticados hoje em dia, fico com saudade do tempo dos trombadinhas. Era uma época tranquila, em que o gatuno esbarrava na vítima, tomava-lhe algo e saía correndo. Tinha medo, e por isso fugia. Era um infeliz constrangido. Hoje, o ladrão ofende e maltrata. Anda armado e aperta o gatilho sem que nem por quê. Sente-se como grande senhor da selva urbana onde impõe sua própria lei. O medo fica por conta apenas da vítima. É a vítima que corre para longe. Se puder.

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O que foi que mudou? O que fez o trombadinha transformar-se nesse monstro urbano? Foi a droga. A droga converteu as necessidades sob cujo impulso agia o trombadinha em insaciável demanda por dinheiro para as urgências do vício. Estendeu suas malhas sobre a sociedade, multiplicou a dependência e o exército do crime urbano. Gerou recursos para aquisição de armas letais. Organizou as redes criminosas do tráfico e corrompeu setores do Estado (não apenas na área de segurança pública). Por isso, tenho saudade do tempo dos trombadinhas.

A maconha - nunca esqueça que foi com ela, com a maconha, que tudo começou - abriu a porta desse cofre de perversões e perversidades. Primeiro gerando o hábito social, em seguida o vício, e, depois, desfiando a longa sequência das drogas cada vez mais pesadas que invadiram o mercado com seu poder de destruição.

Outro dia, participando do programa Conexão Band, da rádio Bandeirantes de Porto Alegre, eu disse que a invasão da reitoria da USP tinha sito mais uma evidência dos males causados pela maconha. Imediatamente, um ouvinte protestou dizendo que a erva não leva alguém a agir daquela maneira. Obriguei-me, então, a explicar algo que me parecera óbvio: a sequência de fatos que levara à invasão havia iniciado com a detenção, pela Polícia Militar, de alguns estudantes que curtiam seus baseados no estacionamento da universidade. Ora, se uma ocorrência policial comum dava causa suficiente aos atos que se seguiram, apenas por envolver maconha, era óbvio que ela, independentemente dos efeitos psicotrópicos, se faz perigosa, também, sob o ponto de vista social. A desproporção na relação de causa e efeito - a detenção de alguns maconheiros e a violência que se seguiu - era apenas mais uma amostra desses tantos males. E, aquele fato em si, um dos muitos episódios diários que têm curso em toda parte exibindo a terrível face social da droga.

Ouvir - não raro de autoridades - um discurso de tolerância em relação à maconha, ou, o que talvez seja ainda pior, perceber que se difunde por repetição a ideia de que maconha não faz mal algum, é profundamente perturbador para quem tem informação verdadeira e objetiva sobre o assunto. Pergunte a profissionais da área de saúde que lidam com dependência química. Ouça peritos a respeito dos efeitos da maconha sobre a atividade cerebral. Indague a pais, mães e professores sobre o impacto que o uso dessa droga determina na capacidade intelectiva, na concentração, na disciplina e na vida escolar dos jovens.

A maconha pode não estar na reta final de muitas tragédias existenciais, mas está no início de boa parte delas. E os enlouquecidos vândalos da reitoria da USP talvez não estivessem sob direto efeito dos seus baseados, mas agiram tendo-os como causa da violência que empregaram.

(*) Percival Puggina é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

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Olá, concordo com a fala do Percival. É uma pena que nossos jovens estejam se ocupando de uma desconstrução moral, ética. Estamos passando por uma fase em que a sociedade brasileira clama por segurança policial, por investimento em educação. E aí vem uma minoria, caso dos "acadêmicos rebeldes" dizendo que não quer a presença da polícia. Isso é um absurdo! Então os rebeldes não pensão no coletivo?
 
Neide Santos em 13/11/2011 07:04:21
estuda mais sobre o assunto e depois, fale sobre! Eu assisti explicaçoes do DR. Drauzio Varella! esse sim entende, Males a maconha tem, mas tbm tem muitos beneficios,! e nem tdo mundo usa e BANDIDO --'
 
Roberto Mary Jhanny em 13/11/2011 03:51:00
Percival concordo plenamente com voce e infelizmente as drogas estao muito proximas de nos. As pessoas tem q realmente ter um objetivo muito forte na vida pra nao se envolver ou ser envolvido no mundo dessa maldiçao chamada DROGA. Nao se esquecendo tambem da impunidade que existe no Brasil, a Justiça De um sistema falido colaborou 100% na transformaçao dos
trombadinhas em bandidos profissionais.
 
Luci Santos em 13/11/2011 03:18:11
O que mudou? Foram as nossas "AUTORIDADES"; que hoje Legislam em causa própria e dos seus; começando pelas Leis de Imunidade, Leis do Menor e Adolescente, Lei dos Direitos Humanos, Lei dos Entorpecentes, e tantas outras que só servem para proteger os infratores. Infratores sim; porque hoje não se pode mais chamar tais pessoas de MELIANTE, VAGABUNDO, LADRÃO,MACONHEIRO ETC...ETC...
 
Arthur Kosloski em 13/11/2011 02:28:38
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