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Campo Grande, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

11/05/2011 06:02

“A melhor universidade de Mato Grosso do Sul”

Por Jorge Eremites de Oliveira (*)

Nos últimos três anos, a UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), criada em 2005 e implantada em 2006, foi considerada a melhor instituição de ensino superior no estado.

A avaliação foi feita pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) e reflete, de fato, o pujante crescimento existente na instituição.

Esta posição é válida apenas para o ensino de graduação, pois relativo à pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) segue no topo da lista. De todo modo, é motivo de comemoração o fato de uma jovem universidade registrar consideráveis índices de crescimento.

Isso resulta de múltiplos fatores: os investimentos do governo federal, o trabalho árduo, silencioso e criativo de professores e técnicos administrativos, o brilhantismo dos alunos e o apoio recebido da bancada estadual no Congresso Federal e de amplos setores da sociedade civil organizada da região da Grande Dourados.

Mesmo assim, a UFGD ainda possui ao menos dois grandes problemas a resolver. Primeiro, é demasiado “pesada” em termos burocráticos e administrativos e possui um sistema de informação acadêmica obsoleto, o que onera trabalhos de rotina, dificulta a captação de recursos financeiros e pesa sobre a produção científica.

Segundo, é muito centralizadora no que diz respeito à tomada de decisões, situação esta amparada por seu estatuto e regimento geral. Contudo, paradoxalmente ela segue com um ritmo de crescimento elogiável, o qual seria ainda maior e mais consistente caso fosse mais “leve” e descentralizada. Esta observação tem repercutido na comunidade universitária e administração central, motivo pelo qual muitos anseiam por mudanças nos próximos quatro anos.

Sobre a história das universidades públicas no estado, faz-se necessário pontuar que todas elas descendem direta ou indiretamente da antiga UEMT (Universidade Estadual de Mato Grosso). Esta instituição foi criada no Sul do antigo Mato Grosso em 1969 e ampliada em 1970. Sua federalização ocorreu em 1979, dois anos após a criação de Mato Grosso do Sul, quando foi transformada em UFMS.

Dela descende a própria UFGD, (re)nascida a partir do antigo CEUD (Centro Universitário de Dourados), um campus avançado da UFMS criado em 1970 e inaugurado em 1971, época em que era Centro Pedagógico de Dourados (CPD), também ligado à UEMT.

A UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), por sua vez, criada com a Constituição Estadual de 1979 e ratificada na de 1989, foi instituída em 1993 e implantada a partir de experiências oriundas da UEMT e UFMS.

Surgiu para ser posteriormente federalizada, perspectiva esta que se tornou inviável, anacrônica e descabida nos dias de hoje. Pelas suas origens, portanto, todas elas têm certos vícios em comum a superar: dificuldade de serem planejadas de maneira estratégica, intervenção político-partidária em seus rumos, certo provincianismo acadêmico e personalismo de alguns de seus dirigentes.

Em quase todo esse processo há a marca, para o bem ou para o mal, de Pedro Pedrossian, ex-governador de Mato Grosso (uno) e Mato Grosso do Sul, quem ainda participou do processo de criação da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso).

No caso da UFGD, tem causado desconforto a docentes da casa e de outras instituições a divulgação do enunciado “A melhor universidade de Mato Grosso do Sul”. Segundo alguns avaliam, se ela se diz a melhor do estado, em que lugares estariam às outras que aqui existem?

Longe de denotar soberba e arrogância, a frase tem mais a ver com um brado de maioridade, a comemoração de conquistas e uma resposta aos que se opuseram à sua criação e avaliaram que ela estaria fadada ao fracasso desde o início.

Mas na prática, o fato é que as três universidades públicas no estado mantêm profícuas relações de parceria e colaboração em si, e não uma disputa por colocações na lista do INEP. Sistematicamente somam esforços para o desenvolvimento da educação, da ciência e da tecnologia, pois sabem que delas também depende – e muito – o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul.

(*) Jorge Eremites de Oliveira é doutor em História/Arqueologia pela PUCRS, professor associado da UFGD e pesquisador do CNPq (eremites@uol.com.br).

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