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06/11/2014 10:20

A relação do Enem com a educação de qualidade

Por Ir. Vanderlei Siqueira dos Santos (*)

Durante algum tempo, o Exame Nacional do Ensino Médio, ENEM, foi negligenciado pelas Escolas, principalmente por conta da resistência dos professores quanto ao discurso subjacente ou implicado nas competências e habilidades. Com a adesão das Universidades Públicas, utilizando a nota individual do aluno como forma de acesso ao Curso Superior, o número de participantes passou dos modestos 115 mil de 1998 para os 8,7 milhões neste ano de 2014.

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Confirmando-se a expectativa do MEC de adesão da Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, em 2015, apenas três das 63 Instituições Federais não participarão do Sistema de Seleção Unificada, SiSu. Ainda assim, todas usam o ENEM como parte do seu processo de seleção.

As novas configurações do ENEM, sobretudo em relação à junção de dupla avaliação, a do Ensino Médio e a que seleciona os alunos da Educação Superior, são criticadas por especialistas e pedagogos. Essa integração duvidosa, aliada à pseudoclassificação das escolas, desconsidera a diversidade de variáveis que influenciam o desempenho dos estudantes; além disso, resulta em modesto impulso para a urgente e necessária melhoria da qualidade da educação nacional.

A velha e tradicional oferta de cursinhos irrompeu; agora eles preparam para o ENEM. Isso é auxiliado pela seleção e concessão de bolsas de estudo para “alunos bons de nota”, bem como pela criação de CNPJ específico para alocar os “melhores alunos”, configurando-se como prática recorrente e estratégia comercial por grande número de instituições educacionais.

As concepções e metodologias mecanicistas adotadas por tais empresas nos desafiam a perguntar sobre o que entendemos por educação de qualidade. Que Ensino Médio é mais coerente para o projeto de educação que queremos?

Atentos a esse legado de respostas tortuosas, não podemos deixar de reconhecer as contribuições do ENEM. Num País com mais de 80% da população sem o ensino superior, pessoas de diferentes idades, etnias e condições sociais estão vendo que podem retomar os estudos.

Do ponto de vista da qualidade, o desempenho abaixo dos 50 pontos nos índices de desenvolvimento da educação básica (IDEB) e os últimos lugares na prova do PISA, desafiam-nos a olhar para o ENEM de forma menos simplista ou demagógica.

Percebemos que, nos últimos anos, o ENEM está produzindo mudanças no processo educativo. Ao avaliar por competências e habilidades, ele provocou mudanças na prática pedagógica dos professores, levando à proposição de um currículo voltado para as exigências interdisciplinares dos conteúdos e mais articulado com as necessidades dos jovens.

Nos próximos dias 8 e 9 de novembro, 8,7 milhões de estudantes farão a prova do ENEM. Para aumentar a transparência dos dados e evitar comparações subjetivas entre as escolas, o presidente do INEP, Francisco Soares, diz que a forma de divulgar o desempenho das Escolas será mudada. Para que ele ajude a qualificar a educação brasileira, deixando de ser mera avaliação de larga escala, precisa valer-se de estratégias mais proficientes de gestão educacional.

(*) Ir.Vanderlei Siqueira dos Santos é diretor geral da Rede de Colégios do Grupo Marista, composta por 18 unidades nos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, na cidade de Goiânia e no Distrito Federal

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