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25/10/2015 09:00

A saúde permeada pela espiritualidade

Por Rafael de Sousa Ferreira (*)

Em regra, para a ciência a questão religiosa e espiritual sempre foram um tabu. Na psicanálise, em especial o seu criador Sigmund Freud, a religião e a crença não possuem embasamento cientifico algum e, por conseguinte, se processaria no “vácuo”, quase como uma falha cerebral. Contudo, a ciência tem revelado que a fé está tão ligada à fisiologia humana, que já não se pode comungar da ciência sem entrar no campo da fé e vice versa.

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Com a descoberta que o cérebro é o órgão principal que regula as emoções, e, não o coração como se pensava antigamente, a neurociência tem sido uma ponte entre a fé e a razão, pois por seu intermédio está sendo possível, mesmo que parcialmente, ser verificado cientificamente aspectos da fé.

De outra sorte, não se trata de trazer a fé ao tangível, visto que o seu próprio conceito é a crença no invisível (cf. Hb 11,1), entretanto, com o avanço da neurociência, resta claro a inconsistência dos argumentos psicanalíticos a respeito da fé, pois, “possuímos razoável evidência cientifica de que existem áreas no cérebro humano responsáveis pela geração de uma consciência espiritual ou religiosa, ali instalada pela própria natureza ou por seu Criador.” (MARINO, 2005).

Nesse sentido, se têm desenvolvido diversos estudos para desmistificar cada vez mais a crença de que a espiritualidade é algo externo ao homem, Segundo Marino, é possível observar como as áreas do cérebro trabalham quando estão em oração e meditação, ocorrendo uma ativação do giro cíngulo e do córtex pré-frontal. De maneira que:

Durante os estados meditativos, se a ativação do córtex pré-frontal à direita produzir aumento de atividade na região talâmica, ocorrera uma diminuição de informações sensoriais ao lóbulo parietal póstero-superior e de impulsos às áreas da visão. Estudos com Spect realizados durante estados meditativos demonstraram um aumento da atividade talâmica proporcional aos níveis de atividade no córtex pré-frontal (Newberg 2001 apud MARINO, 2005 P.47)

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), compreende-se sobre saúde: "um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades". Evidentemente, a terminologia “espiritualidade” não aparece de forma extrínseca, contudo, quando se toca na questão mental e social, ou na própria Psyche, necessariamente, abrange a espiritualidade e outros conceitos.

Desta forma, a doença está muito além de um mero fator físico, que, em ultima instância, pode ser resolvido por um modelo biomédico, pois, “atualmente, muitas pessoas tem a percepção que a saúde é mais do que o conserto de um corpo doente (...), requer a relação adequada consigo mesmo, com o ser humano, com o universo e, por fim, com Deus”. (GRUN, 2008). Neste sentido:

“Nem todos conflitos são necessariamente neuróticos; o sofrimento não é um fenômeno patológico e chega em muitas ocasiões a ser necessário para o crescimento da pessoa.” Por esta razão, a tentativa de encontrar um sentido para a vida, apesar de incendiar a nossa alma com as chamas da angustia, não pode ser compreendida como transtorno mental, como entendia Freud. (GOMES, 1988 P.47)

Cada vez mais a saúde terá que se confrontar com a espiritualidade, como um pilar indispensável para a saúde, sendo necessários, estudos que possam desenvolver mecanismos de interação entre os profissionais da saúde e a espiritualidade.

(*) Rafael de Sousa Ferreira, advogado e acadêmico de Psicologia
rafaelsousa014@hotmail.com

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