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Campo Grande, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

30/11/2016 14:53

A superficialidade em tempos de transformações políticas

Por Élcio Miguel Prus (*)

Mesmo sendo presença constante em todos os noticiários e alcançando grande repercussão, a Medida Provisória (MP 746/2016) – que propõe a mudança no Ensino Médio – e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241 – que limita o valor investido pelo Governo Federal pelos próximos 20 anos – ainda são assuntos que não estão claros para a juventude brasileira.

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Apesar de ser contraditório, uma vez que eles são a classe que mais tem se manifestado a respeito e uma das mais interessadas no assunto, uma pesquisa divulgada este mês pelo Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), com brasileiros de 13 a 18, revelou que apenas 53% dos estudantes afirma estar a par das mudanças que estão sendo propostas. Destes, quase 52% admitem estar pouco ou mal informados.

Sendo época auge nas ocupações de escolas e em meio às eleições municipais, os jovens tiveram à disposição inúmeros debates e fontes diferentes para formarem sua opinião a respeito do assunto, porém ainda se sentem desinformados.

As propostas não foram realmente esmiuçadas pela mídia, que realizou a cobertura dos desdobramentos e alguns pontos principais dos projetos. Mas, hoje temos muito acesso à informação e em vários sites é possível ter acesso ao conteúdo que será votado na íntegra, certo?

De acordo com dados do IBGE divulgados este ano, a maior parcela de pessoas que utiliza a internet, em 2014, foi registrada entre os jovens de 15 a 17 anos: 81,8% deles têm acesso. Outra pesquisa divulgada pelo Comitê Gestor da Internet, em 2015, revelou que 82% dos jovens acessam a internet por telefones móveis, enquanto 56% navegam em dispositivos fixos. A pesquisa foi realizada com jovens de 9 a 17 anos.

Tirando aqueles que estão diretamente envolvidos nas ocupações e alguns estudantes de escolas particulares, fica claro que o restante da população jovem não tem conhecimentos aprofundados sobre alguns dos assuntos que podem influenciar, e muito, na vida deles. Outro ponto que também vale ressaltar é que essa geração tem, de longe, mais acesso à informação do que qualquer outra jamais teve em outros momentos históricos.

Mas, com tantos recursos eles ainda se sentem sem informação? Isso mesmo, pois os jovens são muito conectados e articulados por meio das redes sociais, mas não pesquisam a fundo nenhum assunto nem discussão. Eles usam as redes sociais para se relacionar, para conseguir se articular, mas pecam por buscarem quantidade em vez de qualidade.

Essa falta de fundamentação preocupa, pois falta análise crítica das situações. Além disso, momentos de leitura, reflexão e observação, necessários para a formação de uma opinião bem embasada, não acontecem. É preocupante a ansiedade que essa juventude sente, a rapidez com que deseja fazer as coisas e ver resultados.

As ocupações são um retrato disso. Longe de julgar se são certas ou erradas, mas ocupar os colégios foi uma forma de ter resultados concretos de forma rápida e efetiva. Porém, não é apenas dessa forma que as mudanças são alcançadas. Apesar das ocupações, os estudantes não apresentaram de fato o que poderia ser alterado, estão apenas contra. Isso é um risco para toda a mobilização por deixar a impressão de que todos estão contra simplesmente por reação às mudanças.

Os jovens têm, por tradição, participações significativas nas recentes manifestações, exemplo disso foram caras pintadas em 1992 e este ano no processo de impeachment. Porém, no caso das ocupações, perdem forças dissipando energias por não terem um foco. Um reflexo claro da cultura digital que nos obriga a fazer várias tarefas ao mesmo tempo e ser superficial em todas.

Na democracia, algumas decisões e mudanças necessitam de tempo para serem amadurecidas e desenvolvidas. Cabe a todos da sociedade mostrarem o caminho aos jovens utilizando as tecnologias e ferramentas tecnológicas disponíveis para que todos consigam desenvolver seu pensamento crítico de forma embasada e sólida. E aos jovens, cabe o interesse em absorver estes conhecimentos e a transformá-los em atitudes.

(*) Élcio Miguel Prus é coordenador geral do Ensino Médio Integrado do TECPUC, instituição associada ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR).

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