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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

11/04/2011 14:36

A tragédia da escola do Realengo: momento de dor e de ação propositiva

Por Nair Heloisa Bicalho de Sousa (*)

Amanhecemos sexta-feira, 8, em luto nacional: 12 crianças e jovens assassinadas por um outro jovem, ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira no bairro de Realengo, Rio de Janeiro. O Brasil chora e lamenta a tragédia ocorrida em um momento de vigência de um governo democrático, com ampliação da participação social na esfera da proposição de políticas públicas.

Contudo, a violência tem sido um marco que permeia a vida cotidiana das classes populares, na rua, no trabalho e nas escolas. A desigualdade e exclusão social combinadas às práticas do preconceito e intolerância tem vitimizado inúmeros grupos sociais tais como afrodescendentes, mulheres, LGBT e indígenas, dentre outros.

Nossas crianças e jovens são alvo da violação de direitos em diversas situações: abuso e exploração sexual, trabalho infantil, sendo os jovens pobres vítimas de homicídios diários e da drogadição. Neste contexto social, a escola é o lugar da socialização e do aprendizado de valores humanos, da percepção do outro e da consciência social, ao mesmo tempo em que vivencia práticas de agressividade e discriminação. Os conflitos escolares tem sido um desafio para a vida cotidiana das instituições educacionais, desde os pequenos desentendimentos interpessoais até as ameaças e mortes ocorridas nestas instituições em todo o país.

As práticas de mediação dos conflitos escolares por meio da capacitação de alunos, professores e funcionários tem contribuído para transformar a escola em um espaço de convivência através do diálogo, da participação e do afeto, instituindo práticas educativas pautadas nos direitos humanos.

Desde 1993, o Brasil possui o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos voltado para cinco áreas: educação básica, educação superior, educação não-formal, educação dos profissionais de justiça e segurança e educação e mídia. Seus objetivos incluem a construção de uma sociedade justa, igualitária e democrática por meio da implementação da transversalidade dos direitos humanos na educação e nas políticas públicas. Seu eixo central é a afirmação de valores, atitudes e práticas sociais capazes de constituir uma cultura de direitos humanos em todos os espaços da sociedade e do Estado.

Alguns passos concretos foram dados com a criação de comitês estaduais e municipais de educação em direitos humanos, a capacitação de professores da educação básica e de lideranças comunitárias, estando neste momento a proposta das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação em Direitos Humanos no Conselho Nacional de Educação para deliberação pelos seus membros.

Essas medidas, especialmente as Diretrizes Curriculares Nacionais, pretendem contribuir para que as escolas de educação básica e as instituições de ensino superior assumam o compromisso constitucional de formar cidadãos conscientes e críticos, e também, tornar cada estudante um sujeito de direitos capaz de participar de uma sociedade livre, democrática e tolerante com as diferenças de orientação sexual, gênero, físico-individual, geracional, étnico-racial, cultural, religiosa, territorial, de opção política, de nacionalidade, dentre outras.

Esta tragédia da escola pública do Realengo não é um acontecimento cotidiano, mas um fato inusitado. Ações propositivas no sentido de formação para a cidadania são instrumentos valiosos para tornar os espaços educativos locais onde possam florescer relações sociais afetuosas, capazes de sustentar a alegria de viver um processo de aprendizagem participativo e pautado nos valores da liberdade, igualdade, justiça e solidariedade.

(*) Nair Heloisa Bicalho de Sousa é professora do Departamento de Serviço Social, da Universidade de Brasília e coordenadora do Núcleo de Estudos para a Paz e Direitos Humanos, da mesma universidade. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, mestrado em Sociologia pela Universidade de Brasília, doutorado em Sociologia pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado na Faculdade de Educação da USP.

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Profª.Drª. Nair Heloisa:
A senhora intitulou muito bem seu artigo quando diz que o momento é de dor, mas também de ação propositiva. Não quero parecer invasiva, mas gostaria de acrescentar algo que eu entendo ser mais urgente que todas as medidas já efetivadas e bem elencadas. É preciso pensar, com urgência, em um trabalho voltado para as famílias.
Percebo que nossas crianças carecem de formação de base, aquela que recebemos no seio de nossas famílias. Esta sim, está esquecida, deixada de lado, e é, no meu ver a maior causa do desiquilíbrio emocional dos nossos jovens. Tanto daqueles que são vítimas das diversas formas de violência, como daqueles que praticam tais atrocidades. Tá na hora das famílias se lembrarem da maior lição da vida: O AMOR.
Isabel Coelho ( Secretária Executiva)
Dois Irmãos do Buriti-MS.
 
Isabel de Oliveira Coelho em 11/04/2011 05:03:14
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