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Campo Grande, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

20/03/2011 11:31

Agricultores e pecuaristas transformam boi sanfona em boi safrinha

Por Luís Armando Zago Machado (*)

Na safrinha de 2010, com as incertezas do mercado, os agricultores preferiram plantar braquiária em parte da área destinada ao milho e a outras culturas. Muitos que plantaram milho fizeram o consórcio milho e Brachiaria ruziziensis.

Durante a estação seca estes capins produzem grande quantidade de forragem, que apresenta boa qualidade, mas quando são plantados mais cedo e não são pastejados, tendem a produzir excesso de massa que deve ser roçada para viabilizar o plantio da soja. A palhada e massa de raízes deixadas pelos capins criam uma condição muito favorável ao plantio direto da soja.

Porém, para quem dispõe de uma pastagem tão boa roçar é um desperdício de dinheiro e energia. Os agricultores citam algumas limitações ao aproveitamento desta pastagem, destacando-se a falta de recursos para a aquisição dos animais. Como estas pastagens apresentam período curto de duração, de abril a setembro, se o produtor adquirir o boi magro, as oscilações do mercado podem comprometer o lucro.

Outro aspecto que preocupa os agricultores é o mito de que o boi possa compactar seu solo. Porém, está mais do que provado que boi não compacta, pelo contrário, as raízes da pastagem têm uma grande função de descompactação de solo, desde que manejada adequadamente.

Por outro lado, para muitos pecuaristas há falta de pasto durante a estação seca, o que acarreta vários prejuízos, inclusive a perda de animais. Ao final do verão estes produtores dispõem de muitos animais adultos (erados), como bois e vacas de descarte, que têm peso, mas falta gordura para comercialização. Se estes animais ficarem na propriedade, durante a estação seca, competirão por comida com outras categorias ou então , o produtor se obrigará a confiná-los, o que demanda recurso.

A parceria de engorda de gado entre pecuaristas e agricultores, embora difícil, pode ser uma boa saída para ambos em momento de crise, a exemplo do “boitel” praticado por confinadores e frigoríficos. Este modelo funciona na região Sul, onde o pecuarista faz parceria com o agricultor enviando seus animais para engorda nas pastagens estabelecidas após a soja.

Desta forma o pecuarista viabiliza a engorda e a venda de seus animais na entressafra, época em que há valorização do preço da arroba, não necessitando se envolver com o confinamento de animais. O agricultor também ganha ao diversificar sua fonte de renda com a engorda de gado e, ainda, tem sua pastagem condicionada pelos animais para facilitar a dessecação e o plantio direto da soja.

Para que esta parceria aconteça, o agricultor necessita investir em cercas, mangueira com embarcador e aguada. Porém, não necessita dispor de recurso para a compra dos animais, ao receber estes em parceria. Desta forma, o agricultor fica menos vulnerável às variações de preço do boi magro, viabilizando um negócio interessante para ele e para o pecuarista.

O agricultor deve planejar o plantio das forrageiras para que tenha pasto durante toda a safrinha. As principais forrageiras utilizadas são a Brachiaria ruziziensis, os capins Aruana, Xaraés e Tanzânia. Quando semeadas após soja precoce, em fevereiro, o início do pastejo ocorre no final de abril, início de maio, dependendo das condições do tempo.

Caso sejam semeadas em março e misturadas com sorgo pastejo ou milheto, o início do pastejo é antecipado em um mês. No pico da estação seca, os capins Aruana, Xaraés e Tanzânia são mais produtivos e no final deste período, em agosto e setembro, além das forrageiras citadas, o produtor poderá aumentar a disponibilidade de pasto com os capins estabelecidos em consórcio com milho safrinha.

A base deste sistema é a pastagem, mas como as condições meteorológicas variam muito neste período, a possibilidade do uso de suplementação ou do confinamento deve ser analisada para garantir a terminação de todos os animais até o final de setembro, quando as forrageiras devem ser vedadas para dessecação e retorno da soja.

(*)Luís Armando Zago Machado é engenheiro agrônomo e pesquisador II da Embrapa Agropecuária Oeste, Dourados, MS.

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