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Campo Grande, Sábado, 21 de Janeiro de 2017

17/09/2014 13:54

Alta taxa de desocupação em imóveis: há motivos para pânico?

Germano Leardi Neto (*)

Recentemente, as notícias do mercado imobiliário retratam um cenário de preços estagnados, vendas em desaceleração e uma alta taxa de imóveis desocupados. Mas, calma, nem tudo está perdido e ainda há boas oportunidades no setor.

Primeiramente, o segmento de imóveis tem alta rotatividade. As pessoas se casam, separam, falecem, se mudam, vendem para rentabilizar ou compram para investir. Todos esses fatores fazem com que o mercado esteja sempre em movimento, por mais que não seja no mesmo ritmo que vimos há algum tempo.

Segundo uma pesquisa da consultoria Cushman & Wakefield, a taxa brasileira de edifícios comerciais de alto padrão vagos saltou de 13,2%, em 2012, para 18,6% no ano passado. A expectativa para 2014 é de que os números se mantenham no mesmo patamar ou até que ultrapassem 21% em 2015.

Embora, a princípio essa notícia pareça negativa, ela está diretamente relacionada com o avanço do mercado imobiliário nos últimos anos. Conforme novos prédios e imóveis comerciais foram subindo, o mercado passou a ter mais vagas disponíveis. Para se ter uma ideia, em 2013, foram entregues 1,1 milhão de metros quadrados comerciais no Brasil, número duas vezes superior aos 500 mil metros quadrados de 2011. Vivemos um boom e agora vemos as coisas se assentando.

O movimento está fortemente atrelado ao desempenho da economia. Tivemos uma explosão, um alto poder de consumo e endividamento. Hoje, com o PIB crescendo na casa dos dois pontos percentuais, o apetite do consumidor não é mais o mesmo. Tudo absolutamente normal. Os ciclos são inerentes ao capitalismo.

Independente dos motivos, é preciso estar atento às tendências do mercado. Se a taxa de imóveis comerciais desocupados continuar em médio prazo, significa que o valor do aluguel pode cair nas renovações de contrato. É a velha lei da oferta e da procura: se o locatário tem mais opções de salas comerciais para escolher, isso significa que ele vai ter mais facilidade para negociar preços (ou buscar imóveis mais baratos).

E os números de um estudo realizado pela Colliers Internacional corroboram com esse raciocínio. Após um constante crescimento até 2012, o valor médio do metro quadrado dos escritórios A e A+ em São Paulo caiu 3% em 2013 para chegar a 121,73 reais.

Também não há nenhum motivo para pânico. Essa variação demonstra como o mercado imobiliário tem oscilações naturais. Isso significa, também, que quem está atento pode aproveitar as mudanças para tirar vantagens. Só para ter uma ideia, em 2004, a taxa de imóveis comerciais desocupados estava acima dos 20% e, sete anos depois, ficou próxima de zero. Mais uma prova de que quando se trata de imóveis e de economia, tudo pode mudar.

(*) Germano Leardi Neto é diretor de relações institucionais da franqueadora imobiliária Paulo Roberto Leardi.

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