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01/03/2013 08:23

Chifres do mesmo boi!

Por Valfrido M. Chaves (*)

Pela boca de Tatarana, cangaceiro de “Grande Sertão, Veredas”, fala o gênio de Guimarães Rosa: “Quem quer o bem com demasiada força, está principiando o mal por praticar”! Se o leitor bem pensar e rememorar, não há na História um grande criminoso ou responsável por tragédias coletivas que não intencionasse a prática radical do bem ou a extirpação do mal. Uns queimavam hereges e bruxas em defesa de seu Deus e fé.

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Outros assassinaram milhões, inclusive mulheres e crianças, em defesa das raças superiores, contaminadas por aquelas inferiores. Com a mesma crueldade e eficácia agiram e agem aqueles que, vendo a propriedade privada como a grande perversão da humanidade, entendem-se como “agentes da História”, numa santa e maldosa cruzada para varrê-la da civilização. Santa porque o fim seria “O bem” e maldosa porque a todo tipo de perversão estão autorizados pela História, para chegar ao seu fim.

Curiosamente, mesmo tendo como dogma que “O conflito é o motor da História”, conseguem sempre vestir máscaras “politicamente corretas” em suas teses e propostas. Um exemplo simples e atualíssimo: Insatisfeitos com a cobertura que a imprensa deu ao processo do Mensalão no STF, retomam um sonhado “controle social da Mídia”, pois, os “donos de jornais” estariam a serviço de forças reacionárias e antipopulares.

Ou seja, partem contra a liberdade de imprensa com a mesma dialética com que liquidaram-na em todos, todos os países que dominaram na Europa e Ásia. Neste momento em que os ataques tipicamente fascistas tentam assustar a bloqueira cubana que aqui está para falar em liberdade, logo veremos críticas à divulgação que os “donos de jornais” estão dando aos fatos.

Mas parece, leitor, que estamos falando de um tipo de “Complexo de Napoleão Bonaparte”, que acomete pessoas ou grupos que se julgam donos do que é dos outros: fronteiras de nações, liberdades públicas e individuais, moral, dignidade, verdade ou mentira, propriedade. Como fenômeno individual, trata-se de um delírio, de uma paranóia. Coletivamente, vimos tais fenômenos se instalarem em nações ameaçadas, onde a “ruptura grupal” detonou medos que levaram a coletividade para o colo de lideres e ideologias mágicas, onipotentes.

As únicas que poderiam, pois, vencer ameaças terroríficas.. Mas, saindo de reflexões mais teóricas, sabido é que hoje temos no poder um partido político marxista, ou seja, que, mas dia menos dia pretende liquidar com a propriedade privada, com as liberdades de imprensa e individuais, sacrificadas sempre no altar do partido único e da “marcha da história”. Para tais iluminados, nunca existiu o fracasso econômico das nações que viveram o fantástico regime que preconizam...

Pouco importa que a China, para se safar do fracasso e da fome, tenha voltado às práticas capitalistas. Pouco importa os saltos de de nossa agropecuária, que nos colocou no pódio da produtividade e qualidade da produção mundial. O discurso do “latifúdio” e as invasões de propriedades com recursos públicos e externos não nos desmentem...

Mas o quê importa então, leitor? Por aqui só não sabe disso quem não quer, pois, por um lado, é o enriquecimento rápido, à sombra do poder estatal. O artigo do Dr. Abílio, “Quanto ele paga”, no Correio de 13/02/13, dá nome aos bois, no que a isso se refere. Por outro lado, ainda que sejam “chifres do mesmo boi”, vê-se a “negação da realidade” referente ao fracasso socialista no mundo, como uma proteção ao sentimento deliróide de serem donos da história e seu futuro, donos das liberdades e verdades que sintam como inconvenientes, capazes de atrapalharem na manutenção do poder.

Mas por quê “chifres do mesmo boi”, Leitor? Porque por trás de tudo há Egos que precisam inflar-se com o sopro divino do sentimento de poder, quer se realize ele indiretamente, através do enriquecimento perverso e da corrupção impune, quer com o poder, propriamente dito. Por isso, sede de poder e corrupção impunes, leitor, são “chifres do mesmo boi”.

(*) Valfrido M. Chaves é psicanalista.

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