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Campo Grande, Domingo, 22 de Janeiro de 2017

16/07/2012 20:36

Communication Manager

Por Gerson Luiz Martins (*)

As transformações do jornalismo contemporâneo acontecem, nestes tempos, a olhos vistos, ou seja, qualquer cidadão pode constatar que o jornalismo produzido hoje não é mais o mesmo de 20 anos atrás. As possibilidades que o leitor habitual de notícias tem no século 21para conhecer os fatos de sua cidade e do mundo são amplas e diversificadas.

O surgimento do ciberjornalismo, dos cibermeios enriqueceram as opções para saber do mundo. Embora toda essa situação, para o leitor contumaz, aquele que não apenas lê os títulos, ou aquele que procura muito mais do que os classificados ou as notas policiais, há um sentimento de “faltou alguma coisa”, “faltou algo mais”. Ou seja, a variedade não corresponde a conteúdo.

A multiplicidade de opções do noticiário não corresponde a qualidade e substancialidade do conteúdo. As notícias são superficiais e, frequentemente, mal redigidas, mal apuradas. Fato rotineiramente constatado em qualquer mídia, seja no telejornalismo, no radiojornalismo, no ciberjornalismo ou jornalismo impresso.

Em recente Congresso realizado na Universidade Autônoma de Barcelona sobre comunicação e educação, com um nome bem pós-moderno – Milid Week : Barcelona 2012 – o professor desta universidade, Fabio Tropea, apresentou algumas reflexões sobre as transformações da comunicação em geral, do jornalismo em particular que, segundo ele, os profissionais e os estudiosos não querem admitir.Tropea falou sobre o Communication Manager, um dos profissionais mais procurados pela indústria midiática atualmente e que, também, recebe um dos melhores salários entre os profissionais da área e, quem sabe, também em comparação às outras áreas profissionais bem valorizadas. Destacou também que as faculdade de comunicação não estão preparadas para as novas profissões e não sabem como qualificar profissionais para atividades inovadoras.

O profissional que gerencia os processos de comunicação de uma entidade, instituição, trabalha, principalmente, com os novos – sim, novos, pois apesar da ampla disseminação, não tem mais do que cinco anos – formatos de comunicação, caracterizados pelas dezenas de redes sociais cibernéticas. Segundo Tropea, as redes sociais são uma mina de rumores e com a entrada das empresas nessa estrutura haverá uma mutação sensível e, portanto, uma necessidade imediata de profissionais que possam administrar esse “caos” comunicativo. Tropea afirmou que é necessário criar formas, qualitativas, para medir as reputações nas redes sociais.

Essa perspectiva se faz presente no “caos” que se transformará as redes sociais com as eleições municipais de 2012. Se não for corretamente administrada, muitas redes sociais perigam implodir pelo descontrole, qualitativo e quantitativo, na origem das milhares de informações que serão geradas todos os dias. Empresas como o Facebook e Twitter experimentam, desde agora, uma avalanche de informações oriundas dos mais diversos parlamentares, perfil que dispõe de recursos financeiros para montar equipes para produzir e difundir informações.

Os “novos” candidatos ainda não se manifestaram no ciberespaço, até que tenham os apoios financeiros definidos e, de certa forma, garantidos.

De outro lado, o trabalho dos jornalistas se amplia, como também amplia suas responsabilidades para filtrar, apurar corretamente esse universo de informações. E assim como nas empresas, entidades, instituições a tarefa de communication manager está imputada aos jornalistas. Uma responsabilidade, sem dúvida, muito maior do que os diversos profissionais de comunicação a serviço das empresas, instituições porque o seu “cliente” é a população, a comunidade, o cidadão.

E se se entender desta forma, como é possível a um jornalista atuar numa empresa de comunicação, num jornal, por exemplo, e, ao mesmo tempo, ser assessor de imprensa ou de comunicação de um candidato? Não será preciso perguntar ao mais humilde dos cidadãos para saber que há um grave conflite de interesses nesse fato. E, no entanto, essa prática é comum é muitas cidades brasileiras. Como poderá o cidadão acreditar nas notícia produzidas por esse jornalista, se ele não conhece qual o interesse prevaleceu na produção dessa informação!

(*)Gerson Luiz Martins é jornalista e pesquisador do PPGCOM e CIBERJOR/UFMS

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