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18/01/2012 13:50

Da incoerência, por Heitor Freire

Por Heitor Freire (*)

O ser humano, como se sabe, é um ser em construção. Ele não foi criado pronto e acabado. Foi gestado e a partir daí a evolução depende de cada um.

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As influências que recebe, ao longo de sua existência, são muito variadas. Dependendo do discernimento e da vontade de cada um, umas prevalecerão sobre as outras.

E assim, durante a jornada, as situações e as circunstâncias predominantes é que vão estabelecer e definir o rumo de cada um. É por isso que observamos comportamentos completamente diferentes na vida das pessoas. Hoje se quer uma coisa, amanhã outra.

Quando se consegue, por meio da utilização consciente do sentimento, da mente e da vontade, seguindo também a formação decorrente do meio, da cultura, da raça, do povo, da família, da religião, enfim desse caldeamento todo definir um ponto fundamental, original, o ser humano começa a situar-se no universo. É bem verdade que este ponto não deve obedecer nenhum padrão, deve ser necessariamente individual, para ser verdadeiro.

É por isso que observamos comportamentos conflitantes, no tempo e no espaço, pois o mais comum é seguir o padrão estabelecido para a maioria, com a massificação do comportamento, para se seguir a tendência geral. Para muitos é preferível imitar a insistir na busca da individualidade.

A dúvida acompanha o ser humano. Para clarear o caminho e ter a coragem, a ousadia e o discernimento indispensáveis a um caminhar consciente, milênios transcorreram. A busca é incessante.

Vamos existindo tendo como balizas os erros e os acertos. Quando conseguimos sair das influências predominantes e começamos a filtrar nossos atos e pensamentos, e manifestar o nosso eu verdadeiro, as coisas começam a mudar e a tomar o seu rumo natural.

Os parâmetros que são estabelecidos e determinados pelos líderes que conduzem a multidão nem sempre são os verdadeiros para guiar o ser humano. Decorrem diretamente dos interesses que predominam sobre esses líderes e que vão se modificando ao sabor das circunstâncias.

Por isso e cada vez mais é indispensável usar o discernimento. O discernimento é o primeiro passo na escala da evolução. E que é exatamente a capacidade de diferenciar o que deve do que não deve ser feito. E é o que se deve aplicar para definir com clareza qual rumo tomar.

Com a proliferação de cursos universitários das mais variadas especialidades e também com as bolsas oferecidas pelo governo, vemos hoje uma enxurrada de doutores – segundo o Aurélio, doutor é “aquele que se diplomou numa universidade”, portanto detentor de graduação de curso superior – causando um congestionamento profissional, em que os formandos, em grande maioria sem condições de exercer o seu múnus profissional de forma competente, são lançados no mercado de trabalho oferecendo um grande fator de risco para os seus futuros clientes/pacientes.

Essa busca incessante de um diploma para exibir nas paredes é uma demonstração clara da falta de entendimento das pessoas, procurando viver através da aparência em detrimento da realidade.

A procura do status profissional de forma precipitada causa apreensão àqueles que observam os acontecimentos no nosso país. Essa ânsia de se ver reconhecido profissionalmente a qualquer custo, e sem o devido mérito, já está provocando no Brasil, a carência de técnicos, porque há uma busca desenfreada por cursos superiores que, muitas vezes, são verdadeiros centros de produção em massa sem qualquer critério de avaliação sério.

Esses “profissionais”, na realidade se formam com o objetivo de prestar concurso para obter um emprego público, são os chamados “concurseiros”, que se tornam verdadeiros profissionais de concursos, e que de tantos concursos prestados e não aprovados se cansam e se frustram.

Os cursinhos preparatórios para esses exames, na maioria, não transmitem conhecimento para que haja aproveitamento de forma competente. Limitam-se a fornecer “dicas” que possibilitem a aprovação, principalmente nestes tempos em que, como já disse alguém, vivemos a geração do liquidificador: buscamos as coisas mastigadas, vivemos na superfície.

Outro ponto interessante a observar é que os candidatos a emprego público não se preparam para o exercício de determinado cargo. O critério de escolha é a busca pela remuneração, sem qualquer apreço pelo trabalho a ser desempenhado. Procuram obter através do emprego uma “segurança” que, na realidade é falsa, pois a verdadeira e única segurança que se pode obter é aquela interior, decorrente do autoconhecimento.

E assim caminha a humanidade.

(*) Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado.

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Parabens Heitor, por mais este excelente texto. É realmente um texto para se refletir sobre o nosso momento, sobre o nosso Brasil.
 
Flávio Márcio em 18/01/2012 04:44:27
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