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Campo Grande, Domingo, 19 de Fevereiro de 2017

05/04/2013 10:33

Delinha, o rouxinol de Mato Grosso do Sul

Por Gilson Cavalcanti Ricci (*)

O seleto glossário musical de Mato Grosso do Sul é rico de canções românticas, que embalam a alma dos enamorados, e ritmos frenéticos, que animam qualquer ambiente. Quem não se emociona ao ouvir na voz de Almir Sater a dolente Chalana e o mavioso Trem do Pantanal? Pé de Cedro, na impecável interpretação de Tostão e Guarany? Ou Délio e Delinha interpretando “O Sol e a Lua”? Encanta-nos a arte desses nossos conterrâneos arrojados, que venceram grandes obstáculos em suas carreiras artísticas, mas se impuseram no pódio da música popular, como autores e intérpretes de primeira grandeza.

Outros tradicionais intérpretes enriquecem esse privilegiado reduto de grandes músicos e cantadores, destacando-se dentre todos o imortal Zé Correa, que foi em vida o mais destacado e viril intérprete do chamamé em nossa terra. Zé Correa é destaque da Fundacion Memória Del Chamamé de Corrientes, Argentina, que o colocou na galeria dos maiores intérpretes do chamamé correntino de todos os tempos – uma honraria que nos orgulha a todos nós sul-mato-grossenes.

Campo Grande, situada no triângulo do chamamé: Corrientes-Assunção-Campo Grande, possui notável galeria de chamamezeiros, encabeçada por exímios expoentes do chamamé: Dino Rocha, Maciel Correa, Marlon Correa, Humberto Yule, Zé Pretinho, e outros oriundos da nossa tradicional Colônia Paraguaia, que elegeram a Cidade Morena como um dos mais representativos cenários do chamamé – quem não se empolga ao ouvir Quilômetro Onze com qualquer desses magistrais ases do chamamé ?

Nossa saudosa conterrânea Helena Meireles – a dama da viola - levou platéias ao delírio ao dedilhar em sua viola caipira músicas regionais e paraguaias. Mulher rústica, nascida na barranca do rio Paraná, no município de Bataguassu, somente teve notoriedade em sua velhice, ao ser reconhecida pela revista americana Guitar Player como uma das cem melhores instrumentistas do mundo. Morreu pobre e esquecida, sem qualquer reconhecimento à sua memória por parte da elite cultural do nosso Estado – uma ingratidão imperdoável a merecer reparação.

Nesse precioso relicário da música sul-mato-grossense, inscrevo o também saudoso Délio, da dupla Délio e Delinha, a quem não fora prestado nenhum reconhecimento pelos órgãos culturais do nosso Estado – a exemplo da situação de Helena Meireles -. Não fosse o carinho de sua viúva, a comunicativa e simpática Delinha - sempre presente na mídia e nas reuniões festivas, cantando músicas tradicionais da dupla -, já teria caído no esquecimento.

Delinha merece aplauso do povo sul-mato-grossense, por sua presença marcante no cenário artístico brasileiro, como um dos expoentes da música de raiz. Sua voz traz aos corações apaixonados mensagens de amor e de saudade, a cantar como um rouxinol plangente melodias sentimentais de nosso amado rincão.

(*) Gilson Cavalcanti Ricci é advogado.

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SOU AMANTE DO CHAMAMÉ, CONHECO TODOS OS MUSICOS CITADOS AQUI, MAS TENHO GRANDE ADMIRAÇÃO PELO CHAMAMEZEIRO ZÉ PRETINHO, ESSE É JOIA RARA.
 
nilton cesar em 13/11/2013 15:16:20
Adorei o artigo, Sr Gilson Cavalcanti Ricci. É um alento saber que ainda tem gente que goste de boa música no Estado. Simplesmente AMO a herança que todos estes que o senhor citou deixarão nesse mundo véio sem porteira. E um "viva!" à Rainha Delinha!
 
Alexandra Rocha em 05/04/2013 13:33:15
esqueceram de catelo e mansao com a muusica coisa do poeira e garça branca
 
adir leite em 05/04/2013 11:10:50
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