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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

31/08/2013 08:20

Dignidade Médica

Por Marcial Carlos Ribeiro (*)

Preciso escrever. Sou um médico de 72 anos, formado em 1965. Exerci a minha profissão com honra e dignidade. Posso dizer que venci a travessia, embora em todo o tempo a navegação de ondas agitadas tenha sido difícil, espinhosa, com a sensação, por vezes, de que os vencedores seriam os outros. Hoje, estou envergonhado pelos caminhos que estamos sendo obrigados a trilhar, sujeitos ao descrédito de nossa população.

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O que estão fazendo com nossa profissão não tem adjetivos. Procuram nos culpar por todos os desleixos de governos que deram pouca ou nenhuma atenção à saúde. Agora estamos em perigo, ainda mais se não conseguirmos dosar as nossas atitudes. Precisamos nos concentrar em nossos direitos para buscar de forma racional as soluções para reconquistar nossa dignidade e, principalmente, o respeito da população. Não será exercendo o direito de greve ou realizando protestos isolados que vamos readquirir a credibilidade pública. Sob os aspectos de legalidade, deixemos a palavra para os órgãos competentes, entre eles o Tribunal de Contas e o Ministério Público do Trabalho.

Não podemos aceitar que essas imposições sejam definitivas. Não será agora, com decretos presidenciais e com referendos dos parlamentares, que nos intimidarão a desistir de querer a nossa profissão como a enunciada por Hipócrates: em defesa do ser humano e nos constituindo como uma das mais nobres profissões.

Além disso, não será com agressões de qualquer natureza aos médicos de outros países que seremos respeitados e valorizados. Que culpa eles têm? Nenhuma! Se estão preparados ou não, e se estão sendo admitidos sem respeitar provas como o Revalida, não lhes cabe culpa. É imposição governamental. Nossas entidades representativas tentaram evitar essas discrepâncias, se faltou empenho, vamos exigi-los para atitudes que nos unam.

Dizer que não haveria falta de profissionais e que a saúde chegaria aos mais distintos rincões se lá houvesse estrutura para atendimento decente, com segurança, é uma afirmação de conhecimento nacional. Os médicos brasileiros não podem ficar imóveis e precisam propor soluções amplas e profundas, que vão muito além da falta de estrutura para o atendimento. Precisamos pensar urgentemente na criação efetiva da carreira de estado para a Medicina.

Ela pode seguir os mesmos moldes adotados para juízes e promotores. Médicos em início de carreira seriam encaminhados para regiões mais distantes e na medida em que forem evoluindo profissionalmente, se aproximariam dos centros maiores. Tenho certeza que os jovens médicos ficariam encantados com a possibilidade de promoção pelo mérito e pela experiência adquirida. Isso faria, também, com que eles buscassem constantemente o aprimoramento técnico.

Ou seja, não existiria outra possibilidade para o crescimento profissional que não seja a conquista do direito de exercemos a nossa vocação. Cabe a nós médicos o dever de escutar fielmente os pacientes, dando a eles o tempo necessário para nos induzir ao diagnóstico e prescrever os exames inerentes para cumprir o tal objetivo. Nós temos que respeitar as conquistas tecnológicas, utilizando elas para o bem do paciente. Nós prescrevemos medicamentos baseados em evidências científicas. Nós acompanhamos, também, os pacientes nas horas de tristeza, dificuldades e sofrimentos. Infelizmente, em alguns casos temos que conceder à família o atestado de óbito.

Sobre esses aspectos reais e fundamentais da medicina não vi muitos comentários nos últimos dias. Os médicos não podem ser substituídos, pois a medicina é uma vocação que não se impõe e que não se modifica por leis e medidas provisórias. Cumprindo o nosso papel social, somos insubstituíveis. Todo esse barulho precisa servir como um estímulo para que os médicos brasileiros exerçam a profissão com qualidade e determinação.

(*) Marcial Carlos Ribeiro é Instituidor da Fundação de Estudos das Doenças do Fígado, Comendador da Ordem do Mérito Médico Nacional pela Presidência da República e Diretor Superintendente dos Hospitais São Vicente – FUNEF (Curitiba).

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Infelizmente assistí ao programa da rede globo " Globo Reporter" de alguns dias atrás, traz na prática algumas verdades, filas de pessoas para receber atendimento, hospitais não estruturados, ausência de profissionais, etc., etc., que existem médicos que dsesvirtuaram a SUA PROFISSÃO não é incomun. Que tal se existissem investimentos na saúde, como os empregados para as grandes arenas construidas para o esporte das multidões, e então se criasse o programa de Médico do Estado, com dedicação exclusiva, e com rendimentos suficientes . Haveria médicos em todos os recantos desse país
 
Marcial Carlos Ribeiro em 02/09/2013 14:57:09
Façam um teste com nossos médicos e perguntem a eles quem foi Hipócrates.....
 
augusto barbosa em 02/09/2013 14:21:40
Seria bom que a classe médica,(cada médico também (a)em particular)num exame de consciência não enxergasse a profissão de médico pura e simplesmente como um meio de se enriquecer com o sofrimento do seu paciente mas refletisse que cuidam de seres humanos a imagem e semelhança de Deus.Mesmo porque hoje os Srs.podem estar na posição de cuidando de um seu semelhante mas amanhã poderá ser um dos Srs.(se bem que me esqueci que os Srs.não enfrentarão uma fila do SUS para a peregrinação no atendimento)mesmo assim,não custa nada serem mais humanos com os humanos,ainda que falte algum suporte do governo federal mesmo assim dá para serem um pouco mais humanos na maneira do relacionar-se com o seu paciente.Fica aqui um desabafo em nome daqueles que enfrentam as filas e o pouco caso no atendimento.Até
 
João Alves de Souza em 01/09/2013 02:07:54
Falando com Dr. Marcial Carlos. Agora, ser um povo simples e sofrido, não quer dizer que esse povo seja , besta, idiota, que estando frente a frente com um medico(a) e também a começar do atendimento preliminar pelos funcionários da saúde, esses pacientes percebem uma mal vontade , dificultando as coisas, muitas vezes para ouvir que o (a) médico (a) já foi embora (é claro, não cumpriu a carga horária para dar atendimento no consultório particular) É só acompanhar matéria pelos jornais e internet para comprovar isto que menciono. Tente processar um médico porque agiu de maneira irresponsável vindo a óbito o paciente. Manifestam-se num corporativismo sem precedente e fica por isto mesmo.
 
João Alves de Souza em 01/09/2013 01:21:55
Continuação falando com Dr. Marcial Carlos. A classe médica anda desesperada procurando todos os meios até os ilícitos " ridicularizando os médicos estrangeiros" uma atitude bem mesquinha para os paladinos da saúde, principalmente para quem estudou tanto e agir com tal baixaria. Se por um lado a classe médica acha desrespeitosa a atitude da Presidente Dilma baixando decretos na busca de amenizar o sofrimento do povo, por outro lado, os médicos contribuíram grandemente para que chegasse nesse patamar. Os pacientes quando aguardam atendimento num posto de saúde de norte a sul e de leste a oeste no Brasil, parece que estão pedindo esmola. O povo que depende do serviço do SUS na sua grande maioria é um povo simples e sofrido. Vou continuar...
 
João Alves de Souza em 01/09/2013 01:04:38
Dr.Marcial Carlos Ribeiro, lá pelos idos da década de 50 e 70, era bem possível distinguir o "chamado médico da família" Embora o país sempre viveu dificuldade de ordem estrutural nos hospitais mas existia por parte dos profissionais da saúde, um elo de muito respeito e empenho de tratar o paciente de forma muito respeitosa e responsável. Falo com experiência de causa quando precisei e fiquei internado no ano de 1991 algo que se resolveria em 7 a 10 dias fiquei internado 18 dias por falta de respeito e responsabilidade do médico que me atendeu. Foi preciso trocar de médico para o procedimento cirúrgico acontecer.Se o Dr. cumpriu sua missão que honrou seu juramento receba meus parabéns. Agora, hoje os médicos tem que fazer por onde mostrar trabalho eficiente na relação médico e paciente.
 
João Alves de Souza em 01/09/2013 00:45:01
Dr. Marcial, não são com esses médicos de hoje, que vão aos hospitais do SUS,nas grandes cidades e assinam o ponto e **ABANDONAM OS PACIENTES E OS ENFERMEIROS À PRÓPRIA SORTE, QUE O POVO DAS FRONTEIRAS DISTANTES SERÃO ATENDIDOS COM ESSE ENTUSIASMO QUE O SR. TEM****.Precisamos sim de médicos de fora pra que os médicos brasileiros ***TOMEM UM CHOQUE** DE VERGONHA NA CARA...estão agindo como os governantes que deixaram de fazer o dever de casa no passado.Bom dia...
 
Oswaldo Brandao em 31/08/2013 09:10:55
Concordo plenamente o o que li a cima...não é com agressões de nenhum tipo aos profissionais de outros países que vamos resolver a situação, eles merecem nosso respeito, mesmo porque vieram para tentar nos ajudar. A falha no sistema de saúde brasileira não cabe aos profissionais da medicina e sim a um sistema que por muito deixou a desejar e agora lidam como se a falha fosse dos profissionais da área.
 
maria Albuquerque em 31/08/2013 08:52:01
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