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07/05/2012 14:11

Diretrizes Curriculares de Jornalismo

Por Gerson Luiz Martins (*)

No Conselho Nacional de Educação (CNE) desde 2010, as "novas" diretrizes curriculares para os Cursos de Jornalismo quando forem aprovadas nesta instituição poderão estar velhas. O modelo, estrutura concebida pela Comissão que elaborou o documento buscou realizar um projeto que estivesse contemporâneo com o seu tempo. O trabalho começou em 2009 e, em 2012, pode ficar velho.

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As mudanças que ocorrem neste campo, o jornalismo, neste últimos anos são rápidas e significativas. Uma nova diretriz curricular deverá, por isso, ser a mais ampla, cientifica e técnica possível. Ampla para que não escravize os cursos a situações e procedimentos envelhecidos; cientifica para que os cursos de jornalismo não formem apenas técnicos, mas produtores de conhecimento que possam auxiliar no desenvolvimento de sua atividade, profissão e técnica para que desenvolva ferramentas especificas e qualificadas para a produção jornalística, que compreende o processo de coleta e distribuição da noticia.

Coordenadores, diretores, reitores e pró-reitores aguardam o final da novela, ou seja, a definição do CNE para as diretrizes dos cursos de Jornalismo. A maioria dos cursos estão em compasso de espera. Coordenadores e Colegiados de cursos se encontram, neste momento, com um pacote de mudanças a serem promovidas nos Projetos Pedagógicos sem conseguirem realizar, pois estão no aguardo da aprovação das Diretrizes.

Especificamente, apesar da mudança significativa ocorrida em 2009, o Curso de Jornalismo da UFMS também aguarda a aprovação das Diretrizes para promover ajustes no Projeto Pedagógico. Todos estão em compasso de espera do CNE.

Esta situação esta complicada. E, de certa forma, prejudicial aos estudantes. Inúmeros cursos precisam adequar os Projetos Pedagógicos, urgentemente, e não o querem fazer agora para não organizar distintas estrutura curriculares e, consequentemente, distintas turmas de alunos. Importante observar ao leitor que cada ajuste nos Projetos Pedagógicos dos cursos, implica em diferentes turmas, diferentes currículos. Fato que agrava e dificulta os processos de transferências e adequação de alunos que ficam um semestre ou mais sem estudar.

Nesta semana, durante o 14º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, acontece também o 5º Encontro Nacional de Coordenadores de Curso de Jornalismo e, neste evento, há discussão sobre as novas Diretrizes Curriculares de Jornalismo e um apelo ao CNE para que aprove, o mais breve possível, o documento. A situação atual, de certo vácuo, dificulta todas as ações de ensino, pesquisa, extensão, estágios, Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) dos coordenadores e professores. Estágio em Jornalismo é uma dessas pedras no caminho, tema tratado inúmeras vezes nesta coluna.

Recomenda-se a todos os coordenadores e professores de Jornalismo que não puderam comparecer neste Encontro, que acompanhem as informações decorrentes dos debates produzidos em Uberlândia, onde se realiza o 14º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo.

O Encontro de Coordenadores, que tem a participação do presidente do INEP, Luiz Cláudio Costa também tratará dos processos de avaliação dos Cursos, que, pelo sistema atual, está muito distante da realidade dos Cursos. Professores e pesquisadores em Jornalismo reivindicaram, há alguns anos, um procedimento específico para as avaliações dos Cursos de Jornalismo, tal como há para os Cursos de Medicina e Direito. Entende-se que a formação universitária em Jornalismo possui situações muito específicas e diferenciadas que não podem passar pelo crivo do processo de avaliação que foi homogeneizado pelo Inep. Esta homogeneização teve como objetivo facilitar a construção dos padrões e formulários de avaliação, assim como baratear o custo para o Inep, pois as instituições universitárias continuam a pagar os mesmos valores pela avaliação.

Avaliação e Diretrizes Curriculares são elementos intrinsecamente ligados, as avaliações acontecem tendo como referencia as Diretrizes Curriculares, documento que norteia a estrutura e funcionamentos dos Cursos universitários. Se não há Diretrizes, os processos de avaliação também estão suspensos. E quando ocorrem, os procedimentos são pasteurizados, o que não traduz as potencialidades e precariedades dos Cursos. Assim, a maioria dos Cursos recebem conceitos avaliativos na média. E quando alguns recebem conceitos melhores, pouco acima da média, ostentam isso em centenas de painéis nas cidades. O debate que acontece a partir de hoje em Uberlândia, durante o 14º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo é estratégico para a qualificação da formação universitária em Jornalismo.

(*)Gerson Luiz Martins é jornalista e pesquisador do CIBERJOR e PPGCOM/UFMS

www.gersonmartins.jor.br

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