A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017

28/04/2016 09:00

Doa a quem doer

Por Walter Roque Gonçalves (*)

Em recente matéria publicada pela BBC Brasil, onde há referência ao artigo “A Grande Traição”, do jornal britânico The Economist, admite-se que “o fracasso brasileiro, não é atribuído somente à presidente” ou ao partido que ela representa, mas a “toda classe política por meio de um combinado de negligências e corrupção”.

Contudo, segundo a BBC Brasil, há esperança de mudanças “especialmente aquelas voltadas ao cumprimento da lei. A prova disso é o escândalo na Petrobrás, que ‘tem aprisionado alguns dos políticos e empresários mais poderosos do país’”.

E, realmente, é o que se espera, um judiciário capaz de educar nossos políticos, fazendo a lei valer a todos, doa a quem doer. Mas, por outro lado, não podemos esquecer que estes políticos foram eleitos por força do voto e essas atitudes podem ter reflexo direto na nossa sociedade contemporânea.

Para ilustrar melhor este pensamento, cito uma experiência social feita pelo apresentador Nilson Fagata: a ideia foi de abordar aleatoriamente alguém na rua para dar a opinião sobre algum assunto polêmico.

Assim que a opinião era externada, o entrevistador pedia para desligar a câmera. Neste ínterim, era oferecido dinheiro para que o entrevistado mudasse de opinião. A maioria aceitou a proposta. Nesse contexto, parece não haver diferenças entre estas pessoas e os políticos corruptos.

Como resolver tal situação?! A educação continuará sendo a solução. Não faltam exemplos do poder transformador desta. Um deles é o Japão que, segundo o site blog.suri-emu.co.jp, carrega “virtudes como confiança, integridade e honestidade (...) emanados desde a tenra idade, fazendo parte da educação desse povo, há gerações.”

Essas virtudes são refletidas nas Mujin-Hanbai. “São barraquinhas de vendas sem atendentes. O comprador escolhe um produto e paga por consciência própria”.

No Brasil há iniciativas parecidas, por exemplo, na Universidade Tecnológica do Paraná, de Cornélio Procópio, onde o professor de engenharia André Luis Shiguemoto fez um experimento conhecido como “teste do picolé”: a ideia é colocar picolés à venda, sem atendentes ou vigilância. Os clientes têm acesso irrestrito aos sorvetes e pagam apenas se a consciência mandar.

De tempo em tempo o dinheiro e os sorvetes são contados. O interessante é que o índice de calote foi relativamente pequeno, algo em torno de 2,5%. Entretanto, os alunos entrevistados se dizem insatisfeitos com os resultados e pretendem buscar maior conscientização sobre cidadania e ética, pois, quem se vale da oportunidade para desviar o valor de um sorvete hoje, poderá desviar milhões futuramente.

Recentemente, na 15ª Expo Internacional de Umuarama aplicou-se a mesma experiência social, contudo, o resultado foi bem diferente do prof. Shiguemoto: 60% dos clientes NÃO pagaram, inclusive, alguns desses, literalmente, encheram os bolsos de sorvetes.

Os experimentos provam que as reflexões sobre cidadania e ética, precisam de mais força. Ser ampliadas, levadas para as associações, para mais escolas e universidades.

A educação é fundamental, mas enquanto esta não é colocada em pauta, nos resta depositar nossas esperanças no poder judiciário brasileiro e desejar que este – doa a quem doer – coloque todos políticos suspeitos sob o rigor da lei.

(*) Walter Roque Gonçalves é consultor de empresas, professor executivo/colunista da FGV/ABS (Fundação Getúlio Vargas/América Business School) de Presidente Prudente (SP).

A força da mulher no campo
Em rotina de propriedade leiteira a mulher tem se destacado em alguns setores, ordenha e cuidados de bezerros já são áreas, na produção leiteira, que...
Sobre o mercado e o governo
O homem primitivo acordava de manhã, saía para coletar frutas, abater animais e pescar peixes, e assim ele se alimentava. Ao fim do dia, cobria-se co...
Logística reversa: pensamento sustentável pelas gerações futuras
Incertezas são o que mais temos, porém ideias norteadoras e essenciais para a construção de um futuro mais sustentável já existem. Não podemos ignora...
Quando, também na escola, se dialoga sobre as religiões
Temos percebido uma crescente preocupação acerca do papel social da escola e da educação que acontece neste espaçotempo. Numa perspectiva de sociedad...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions