A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

14/11/2011 12:30

Drogas e impunidade

Por Marcelo Itagiba*

Não faz sentido falar em liberação da maconha num momento em que, em defesa da vida, até o consumo de cigarros vem sendo duramente combatido, tratado quase que como um comportamento criminoso.

Nada na natureza é um mal em si. É o homem quem a manipula para transformar os seus elementos em produtos que podem ser benéficos ou prejudiciais à saúde.

Estudos demonstram que a maconha pode ser utilizada para fins terapêuticos. Mas descriminalizar o seu consumo para fins recreativos não trará quaisquer benefícios à sociedade.

Como deputado federal, apresentei na Câmara o projeto de lei 6.073/2009 para alterar a lei que, em 2006, instituiu o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad).

Propus que os usuários com elevado grau de dependência, a ponto de serem considerados, de acordo com laudos médicos, incapazes de tomar decisões pessoais, deveriam ser submetidos a tratamento de saúde especializado e obrigatório.

Defendi, também, que os traficantes recebessem penas compatíveis com a gravidade dos danos causados pelas substâncias por eles comercializadas, a partir de uma classificação do Ministério da Saúde estabelecendo o grau de dependência física e psíquica proporcionado por cada tipo de droga.

Foi um grande avanço a nova lei passar a tratar os dependentes de drogas como casos de saúde pública. Sugeri, inclusive, que eles fossem cadastrados no Ministério da Saúde para receber tratamentos gratuitos.

Mas como lidar com aqueles que não cumprem as penas alternativas que substituíram as de prisão por porte de drogas? Não há sanção contra isso na nova lei. Em meu projeto defendi que o juiz possa determinar a prisão, por até 30 dias, daqueles que não as cumprirem.

E que possa determinar tratamento não somente para os dependentes considerados incapazes, mas também para os que, mesmo gozando de suas faculdades mentais, reincidirem pela terceira vez no crime de uso ou porte de drogas.

Sem essas alterações, a combinação drogas/impunidade permitida pela lei em vigor agravará ainda mais o problema.

(*) O artigo acima está publicado no site ttp://www.vocepolitico.com.br/projeto/legalizacao-da-maconha em forma de debate com o escrito pelo cientista político Renato Cinco, organizador da Marcha da Maconha

O dilema das prisões brasileiras
No último mês de janeiro assistimos, estarrecidos, às rebeliões nos presídios de Manaus, Boa Vista e Natal. As cenas de corpos sem cabeças chocaram a...
Desglobalização seletiva
Para muitos analistas, a desglobalização significa a tendência das nações se fecharem para o comércio internacional. Neste movimento estão incluídos ...
Terça-feira de carnaval não é feriado
Bem ao contrário do que a maioria pensa, a terça-feira de carnaval não é considerada oficialmente feriado nacional. O mesmo ocorre com a quarta-feira...
Desenvolvimento Sustentável: Utopia ou uma possibilidade real?
Ao enfrentar um novo paradigma na sociedade, a academia, o marketing empresarial, relatórios executivos e até discursos eleitorais apelam para a “con...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions