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Campo Grande, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

18/06/2011 11:41

Empresas sustentáveis e a construção da sociedade frugal

Por Backer Ribeiro (*)

Como é difícil esclarecer o que é sustentabilidade e como as empresas podem se inserir nesse contexto. Todos os especialistas dizem ser esse um princípio em evolução, um conceito em construção. Mas é verdade também que o conceito de sustentabilidade foi cunhado por um processo histórico e evoluiu com o passar dos anos.

Percebo que muitas empresas já descobriram ou definiram o conceito de sustentabilidade, criaram departamentos, desenvolveram projetos, incorporaram inovações tecnológicas, e muitas outras ações sustentáveis foram implantadas. Serão empresas realmente sustentáveis?

A preocupação com o futuro do planeta é recente. Cinco décadas marcam o surgimento dos primeiros debates acerca do por vir planetário. Um marco importante foi a publicação do livro Primavera Silenciosa, em 1962, da bióloga Rachel Carson. O texto denunciava a contaminação do meio ambiente por resíduos tóxicos de pesticidas químicos e os seus efeitos no solo, ar e nas águas superficiais e subterrâneas - resultado da forte atividade industrial da época.

No início dos anos 70, um grupo formado por cientistas, intelectuais e empresários, denominado Clube de Roma, discutiu a incompatibilidade entre o modelo de desenvolvimento vigente e o meio ambiente. Perceberam que, se o consumo dos recursos naturais continuasse a crescer naquela proporção o planeta não suportaria tal impacto.

O relatório “Limites do Crescimento”, publicado em 1971, apontou que não poderíamos continuar com aquele modelo de crescimento econômico. Seria ruim para o curso natural do planeta e da vida humana. Este é o segundo item a ser incluído nas políticas de sustentabilidade empresarial. Que modelo de desenvolvimento as organizações devem perseguir e qual modelo de produção ou atuação poderá garantir a preservação do meio ambiente?

Em 1987, com a publicação do relatório “Nosso Futuro Comum”, pela Comissão de Meio Ambiente da ONU, conhecida também como a Comissão de Brundtland, se cunhou o conceito clássico de desenvolvimento sustentável, ou seja, que as necessidades do presente sejam atendidas sem comprometer a capacidade das futuras geraçõe.

O relatório propôs uma nova ordem econômica mundial, com maior equilíbrio entre as questões econômicas, sociais e ambientais. Este é o conceito que vem norteando todas as estratégias empresariais e as políticas relacionadas ao desenvolvimento sustentável. A questão é: as empresas investem de forma equilibrada nas questões econômicas, sociais e ambientais, conforme o modelo de desenvolvimento proposto?

Realizada no Rio de Janeiro, em 1992, e conhecida como ECO-92, teve como objetivo principal conciliar o desenvolvimento socioeconômico com a conservação e proteção dos ecossistemas do planeta, e deu origem a vários documentos com o foco principal relacionado às mudanças climáticas e à biodiversidade.

Um desses documentos foi a Agenda 21, que serve de base para que cada país, estado, município e/ou instituição elabore seu plano de preservação para o meio ambiente. Fica nítida aqui a preocupação com o controle da poluição ambiental e os impactos gerados pelas indústrias ao meio ambiente. Um terceiro item a ser inserido nas estratégias de sustentabilidade das organizações empresariais, um controle maior aos impactos que causam ao meio ambiente.

Passados dez anos, é realizado em Joanesburgo, em 2002, a Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Rio + 10. O evento reafirmou o desenvolvimento sustentável como o elemento central da agenda internacional e introduziu um novo item à ação mundial, o combate à pobreza. Colocava aqui um componente importante no debate sobre sustentabilidade, a distribuição de riqueza no mundo.

Que planeta poderá ser sustentável se ainda existir pobreza e miséria? Que segurança nossos filhos terão se não houver um equilíbrio social entre a humanidade? Já é sabido que os reflexos da pobreza se mostram pelo viés da violência, um problema a ser resolvido. Uma questão: como estão atuando as organizações empresariais nas ações relacionadas ao combate à pobreza e para a melhoria da distribuição de renda? Afinal, falamos de sustentabilidade!

Recentemente li um artigo que me encheu de otimismo, contava os valores da frugalidade. Lembrei das brigas e da insistência do meu pai para eu não desperdiçar a comida no prato, porque havia gente passando fome, apagar a luz ao sair de um quarto, desligar a TV quando não estiver assistindo, para não desperdiçar água, aproveitar as roupas do meu irmão mais velho, conservar os livros escolares para usá-los no ano seguinte, e tantas outras recomendações que faziam parte do pacote de educação na época.

Sabemos hoje que somos estimulados a consumir o tempo todo. Será preciso rever nosso modo de vida, resgatar conceitos como: simplicidade, sobriedade, modéstia, austeridade. Temos que buscar estilos de vida mais inteligentes, baseados na frugalidade e na sustentabilidade. As empresas, entretanto, deveriam inovar nas suas práticas de produção e estímulo ao consumo, adotar políticas mais frugais em relação ao meio ambiente.

Como diria Kofi Annan, ex-secretário da ONU, “sem o setor privado, o desenvolvimento sustentável continuará sendo apenas um sonho distante. Não estamos pedindo às empresas que façam algo diferente de seus próprios negócios; estamos pedindo para fazerem seus negócios de maneira diferente”. Que venha a mudança.

(*) Backer Ribeiro é relações públicas, doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA/USP, professor da Faculdade de Comunicação e Marketing da FAAP/SP e conferencista da ECA/USP.

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