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12/01/2014 09:00

Enchentes e deslizamentos: como a radiocomunicação pode salvar vidas?

Por Adriano Fachini (*)

A radiocomunicação é o meio de comunicação mais rápido entre equipes que trabalham na mitigação de desastres e situações de emergências. Todo começo de ano com a intensificação das chuvas e a precária infraestrutura de muitas cidades brasileiras, infelizmente ocorrem muitas catástrofes decorrentes de enchentes e deslizamentos.

Em tais situações, não raramente, as localidades atingidas ficam sem eletricidade, sem serviços de telefonia móvel ou fixa e muitas vezes até sem água potável. Nesses momentos somente a radiocomunicação é capaz de prover comunicação eficaz entre os diversos grupos socorristas, tais como bombeiros, defesa civil, serviço de saúde, entre outros.

Ao contrário da rede de telefonia móvel e de outros serviços de telecomunicações, como a Nextel por exemplo, a radiocomunicação pode e deve ser instalada de modo a abranger todas as áreas do município para que nesses momentos que realmente importam, possa prestar atendimento à população atingida.

As operadoras de telefonia móvel instalam torres e equipamentos onde há concentração de pessoas capazes de lhes reverter lucro. Onde não há viabilidade financeira não existe cobertura e sinal de celular. Ao contrário desse serviço, a rede de radiocomunicação pode ser projetada de modo a levar cobertura onde o poder público necessitar, bastando para tanto o investimento em infraestrutura, cujo retorno será garantido ao longo dos anos.

A UIT - União Internacional de Telecomunicações, agência da ONU especializada em telecomunicações recomenda o uso de radiocomunicadores no combate a catástrofes e situações de emergência. Ao longo da história, há inúmeros registros de salvamentos possíveis graças a comunicação imediata proporcionada pela radiocomunicação. Podemos citar dentre os principais, a atuação dos bombeiros no atentado as torres gêmeas em Nova York, sendo a radiocomunicação decisiva para o resgate de pessoas presas nos escombros.

No evento do 11 de setembro vários bombeiros de cidades vizinhas foram para a cidade ajudar no resgate e puderam trabalhar em conjunto graças a um plano pré-existente para situações de emergência que garantiu interoperabilidade entre redes de radiocomunicação de padrões e gerações diferentes. O mesmo não ocorreu com as equipes de policia. Por não terem suas redes integradas, não receberam a tempo o aviso para evacuar os prédios já condenados pelos bombeiros. Muitos policiais morreram tentando salvar vidas pela falta de integração das redes.

Usando este exemplo, assim como muitos outros aqui mesmo no Brasil, entendo que muito precisa ser planejado e implementado, sendo o Ministério da Justiça através da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), o fórum ideal para o planejamento da arquitetura de redes ideal para as diversas regiões do país.

(*) Adriano Fachini é empresário do setor de telecomunicações e presidente da Aerbras - Associação das Empresas de Radiocomunicação do Brasil.

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