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15/07/2014 08:32

Fatos e versões

Por Heitor Freire (*)

Há uma situação que permeia a história: quando um fato é verdade? O fato histórico tem como fundamento o testemunho das pessoas que o viveram ou documentos que comprovem sua veracidade. E frequentemente o interesse político de alguém (ou de um grupo) é priorizado no sentido de se manipular a versão dos fatos tornando a versão mais importante do que o fato em si.

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Isso também aconteceu em nossa história, em nosso estado. Quando, em 1932, no Rio de Janeiro, alguns estudantes idealistas sonharam com a divisão do Estado de Mato Grosso com criação de um estado ao sul, fundaram a Liga Sul-Mato-Grossense de Estudantes, cuja proposta de nome era “Estado de Maracaju”, considerando que a Serra de Maracaju é um acidente geográfico que corta o nosso Estado, do sul ao norte. Daí então o nascimento desse nome.

A Liga teve como presidente Ruben Alberto Abbott Castro Pinto. Participaram da fundação estudantes que depois se destacaram na história do nosso estado e de nosso país, como Júlio Mário Abbott Castro Pinto, Apolônio de Carvalho, Alberto Neder, Alfredo Neder, Benjamin Farah, Alcindo de Almeida, Amando de Oliveira, João Rosa Pires, Rubens Teixeira, Argemiro Fialho, Euclides de Oliveira, Oclécio Barbosa Martins, entre outros.

Na realidade, essa versão “Estado de Maracajú” não foi oriunda do nosso imaginário, mas originou-se na Liga, por representar um antigo anseio da população que buscava uma afirmação da nossa cidadania, retratado nos ideais de nossos estudantes.

Oclécio Barbosa Martins, em seu livro “Pela Defesa Nacional” (Rio de Janeiro, 1944) reeditado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, em 2011, publica em sua página 103 o Manifesto do Rio de Janeiro, de 11 de outubro de 1933. Depois a Liga já estabelecida em Campo Grande, publica o seu Manifesto, em 17 de janeiro de 1934, nominando o novo território com o nome de Maracaju (pág. 105, obra citada).

Em 1932, com a eclosão da revolução constitucionalista, o nosso estado foi o único a ombrear-se com o Estado de São Paulo (Minas Gerais e Paraná na hora H correram da raia). Na ocasião o dr. Vespasiano Barbosa Martins investido no cargo de governador de Mato Grosso, por ato do general Bertholdo Klinger, comandante da 9ª Região Militar, sediada em Campo Grande, foi designado para combater as forças federais, tendo como princípio o respeito à constituição que estava sendo violada por Getúlio Vargas.

Após a investidura de Vespasiano Martins, o general Klinger dirige-se de trem a São Paulo para assumir o comando da tropa revolucionária.

Os acontecimentos despertaram o espírito cívico da nossa população e sob a liderança de Vespasiano Barbosa Martins organizou-se a força expedicionária. A contribuição do nosso estado foi significativa, com pessoal, material bélico, alimentos, doação de cavalos, bovinos e arrecadação de recursos. Todos os atos que o Diário Oficial órgão do governo de Vespasiano publicou se referem ao estado de Mato Grosso.

Outro fato que pode ter contribuído para a versão “Estado de Maracaju”, é que o governo do dr. Vespasiano Barbosa Martins foi instalado oficialmente no templo da Loja Maçônica Oriente de Maracaju nº 1, a Loja Maçônica mais antiga de nosso estado.

A Liga foi reativada pelo dr. Paulo Coelho Machado na década de 70, criando o movimento que, de certa forma, contribuiu para a criação do Estado de Mato Grosso do Sul.

Concluindo: a denominação “Estado de Maracaju” encontra, assim, uma fundamentação histórica que não prosperou ao longo do tempo. Mas existiu.

(*) Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado.

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