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26/12/2011 07:05

Feliz 2012

Por Luís Sérgio Lico*

Estamos no final de dezembro e as empresas já fizeram suas festas, elaboraram budgets, calendários de eventos, férias coletivas e escalas de revezamento. Tudo preparado de forma antecipada, com o intuito estratégico de mapear as possibilidades, aproveitar as novidades e impedir a chegada de surpresas não convidadas (exceto se nós soubermos primeiro).

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Assim, eu também, resolvi planejar “estrategicamente” os próximos passos. Nada como conseguir chegar à máxima assertividade e não desviar o foco dos resultados, dizem os doutos. Seguirei à risca as propostas alocadas e, aproveito a brecha temporal para ganhar vantagem competitiva e divulgar minhas previsões infalíveis para 2012:

Um Feliz 2012.

No campo da qualidade: Que estejamos mais próximos. Menos armados, doentes ou solitários. Que todas as palavras desnecessárias, se transmutem em pensamentos edificantes. E que as necessárias se cumpram em todos os atos e intenções, espírito e semblante. Que não se propague a ética do mais ou menos, junto com o coro do tanto faz. Pois as crianças assistindo as mentiras da televisão, apreendem como virtude o que é apenas cinismo político. E aceitam, desde cedo o horror econômico como fazendo parte das coisas e desistem de perguntar. Roll the bones…

Que não se apequenem aqueles que pelejam no anonimato, já que a sociedade é construída sobre seus ombros. E embora, talvez não lhes desfrutem os benefícios, agradeçam mesmo sabendo que ás vezes, sistemas sociais criam tempos de pouco rancho e muitos pratos.

Mas, quando lhe permitirem opinar, deixem claro que não participam do espetáculo e que, se puderem exigirão mudanças no comando da tribo. Mas cuidado com a ira dos morubixabas: eles tentarão calar consciências com distribuição de pequenas benesses, o que – por si só – constitui o corpo de grandes ameaças. Voltemos nossos olhos, então para os desejos de crescimento e vida plena.

Vida significa a capacidade de ser e a consequência lógica de estar e permanecer. Ou seja: fazer parte intrínseca é viver. Vida significa imortalidade compulsória, já que ninguém – nem mesmo os canalhas – acreditam na existência de um fim absoluto, após a bala perdida ou a sentença tardia. No entanto, ela ainda é disparada e dá cabo de muitas esperanças, enquanto ocorrem coquetéis, palestras de vendas e festas de aniversário.

Nestes mesmos horários nobres, multidões morrem a nossa direita e a nossa esquerda. Cuidado que pode chegar a ti! Precisamos saber que, além da sujeição às leis, necessitamos de uma série de outros cuidados para não deixar apenas um vazio quando partirmos. Gentileza gera gentileza, disse o profeta. Irei lembrar-me disso, no ano que vem… Sugiro que todos façam o mesmo.

Mas, quem quiser, pode fingir que saiu e não atender quando o bom senso tocar a consciência. E deixar um recado via seu “estilo”, “liderança”, “tendência” ou qualquer que seja o seu modo de disfarçar o pânico de viver num mundo incompreensível. Se quiser, pode apenas operacionalizar a situação e atuar nos interstícios. O que quer dizer: Ignorar as bênçãos e cultuar as abominações. Capitalizar sensações e mergulhar no vazio da acumulação ou nirvana químico. Estes são os que a tempestade recolherá como folhas e ninguém ouvirá seus gemidos.

Ainda a ideologia ou a mídia? De quantos papers se faz o mundo científico e acadêmico? Não importa, o que realmente foi provado é que a consciência é fluxo – não sinapses -, e que existimos na duração e não no espaço quantificável. Mas sempre haverá quem ignore isso e pretenda novamente rediscutir a roda. O caminha, como sempre é estreito e poucos atravessam a porta. O que não se pode esquecer é que professor também é gente e alunos devem aprender, antes de ameaçar.

Mas, vamos às previsões mais pontuais:

Muitos desistirão de procurar qualquer coisa, apagarão a esperança e virarão estátuas de sal ou de pedra, enquanto artistas e cantores vão se separar ou serão flagrados participando de orgias ou bebedeiras.

Aviões podem cair e escolas desaparecerem, mas diretores estúpidos ainda continuarão dando ordens insensatas e apadrinhados políticos gastarão sua verba em subornos chamados carinhosamente de lobby. Parece que aqueles que estão na base acreditam que assim devem ser as coisas ou talvez apenas temam ser demitido se demonstrarem capacidade e ousadia.

Gozamos com parcimônia e nos alegramos com tibieza, então não se esqueçam de que somos meio covardes, malemolentes e irritadiços; meio assertivos, meio macunaíma. Triste combinação, pois nos assemelhamos, assim, ao que é minúsculo e neurótico. Chiuhauhas tropicais. De vez em quando, um brado contra a corrupção se seguirá a milhares de compartilhamentos. Uma semana depois, nenhum “curti”…

Os empregados, que agora são chamados de colaboradores, deverão produzir mais e ganhar menos, uma vez que a análise crítica é sempre vista como reclamação. E os jornais alardearão sobre a “crise e os índices de emprego”. Já os desempregados invisíveis, tal qual o cidadão médio, passarão fome e humilhação, enquanto para os mais sortudos dos descamisados crônicos cabe a vergonha das bolsas-auxílio.

Para muitos o ceticismo não aliviará a incômoda sensação do que me aparece e, por força atávica de se apresentar obriga à aceitação. Mas, não importa quem ou quando, já que neste grupo poucos responderão ao por que. Seguirão mecanicamente pela estrada da vida a atropelar pedestres e se negar a prestar socorro, porque assim se escapa ao flagrante. Viveremos no mesmo espaço que delimitamos, custe o que custar!

Em 2012, haverá saúde e, para alguns poucos uma sensação de quase-felicidade, alegria e muito fluxo de capitais, uma vez que as bolsas, derrotadas há questão de dias – viverão outro período irresponsável, logo mais à frente. O que não poderá ser evitado, face às conjunturas é a presença da dor e da morte que virá para ceifar muitas almas, assim como a vergonha, o arrependimento e a decepção, que desde já iniciam seu trajeto abominável de corrosão.

Enquanto isso, em algum lugar do espaço, as sete pragas fustigam os espíritos daqueles que já nos precederam e estas entidades infelizes agora podem gritar à vontade e encaminhar-se para a demência. Pois foram esquecidas como as mães que se encontram nos asilos em domingos sem visita ou as crianças dos orfanatos que você nem sabe onde ficam. Haja penitência, pois isto não se resolve com meras oferendas. Afinal, quem é que sabe das verdadeiras consequências de nossos atos? Uma cesta do sabonete mais cheiroso não limpa as nódoas da alma…

Seja quem for que esteja certo, desde o Mito de Er, até o mais recente niilismo de mercado; do corruptor libertino ao pastor que ameaça os inocentes deste vale de lágrimas com o choro e ranger de dentes, normalmente lidamos com consciências em frangalhos. Ainda caminhamos entre fragmentos de homens. Deus nos ajude a acordar!

Em toda a minha vida, eu somente ouvi o elogio dos fortes. Nunca ouvi dizer nada de bom daqueles que caíram. Não há lágrimas pelos vencidos e de nada se lembra, exceto que foram pisados, esquecidos e estigmatizados. Assim, temos dívidas enormes.

Que em 2012 existam mãos para tirar do lago de dores, aqueles que se afogam. Que existam olhos de ver e ouvidos para ouvir os clamores das nossas horas mais escuras. Que deixemos de implorar tanto aos anjos e santos, pois se quisermos teremos alguns punhados de homens de bem e eles aliviarão o cansaço e a miséria daqueles que foram subjulgados! Trarão também confiança e por isso, diminuirão a violência e a dor.

Já que, no meio do caminho deixei as previsões tão óbvias de lado. Deixem-me suspirar e gritar pelos desejos:

Desejo # 1:

Que você seja mais um destes poucos. Estes que – de algum modo racional – aceitam e procuram fazer a temida viagem interior do autoconhecimento em busca de mais luz. Mais esclarecimento e conforto para suportar, compreender e neutralizar a fenomenologia da dor.

Estes obterão mais benefícios, mesmo porque saberão perdoar e utilizar suas metacompetências não para subjulgar, mas para servir de bálsamo consolador nas catástrofes criadas pelo apetite voraz do desenvolvimento irrefreado e do consumismo embrutecedor. Que você seja uma destas mentes brilhantes e corações sensíveis a apontar soluções para a crise do amanhã. Esta sim, inevitável como a incerteza, mas não tão desconhecida como o futuro.

Que você seja um desses líderes – ao menos de si mesmo. Não precisa mudar o mundo, apenas não dirija se beber, não jogue lixo nas ruas ou grite palavrões na janela, cuspindo pedras e rojões no time alheio e se refestelando na mediocridade do “ganhei de você”. Não aceite propina e não venda a alma para ganhar uma cueca recheada. Seja educado e calmo. Perdoe, mesmo que não consiga esquecer a ofensa. Mas, pelo menos renuncie a vingança.

Se você pode ser tão enorme assim, eu vou crer que o Natal existe… Que ele não é apenas um rega bofe anual. Ao lado destas pessoas é que procuraremos trabalhar com o objetivo de iniciar a transformação do planeta.

Bom. Muitos ganharão na loteria e ainda teremos que aguentar as matérias de revistas de moda, os discursos vazios dos gurus corporativos, os defensores destes discursos, os escândalos e os testes de personalidade. Mas, no meio de tudo isto, que seja um bom 2012, para aqueles que acreditam ainda ser possível acreditar.

PS: escrevi isto em 2008. Revisei em 2009. Larguei na gaveta em 2010 e como quase pouca coisa tinha realmente mudado, resolvi republicar em 2011. Queira Deus que possamos falar de coisas diferentes no ano que vem.

(*) Luís Sérgio Lico é palestrante, consultor e educador corporativo. doutorando em Filosofia, mestre em ética e especialista em pedagogia empresarial.

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