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Campo Grande, Segunda-feira, 05 de Dezembro de 2016

03/03/2012 08:55

Galeria São José

Marta Ferreira

A Galeria São José, fica na rua 14 de Julho – coração da cidade, fica no Edifício Irmãos Salomão, construído onde era antigamente a alfaiataria Cury, a Rádio Difusora e o Salão Cristal, que foi do meu pai durante um tempo. Esse era um dos pontos preferidos dos campo-grandenses na década de 70. Na calçada da frente funcionava a loja do saudoso Gabura, o mais tradicional de todos os locais de encontro da nossa capital.

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Na Galeria, do lado direito de quem entrava, estava o Mini Lanches, de propriedade de William Duailibi, recentemente falecido. Foi pulando por cima de seu balcão que o William, certa vez, deu um carreirão num dos seus clientes que jocosamente lhe perguntava com freqüência, de onde havia tirado os cabelos para o seu implante capilar. William era mesmo uma figura peculiar. No Mini Lanches, uma das suas grandes fontes de receita era o suco de laranja.

À noite, depois de fechar a lanchonete, o William, agradecido sempre beijava a máquina de espremer laranja. Depois que o William passou a se dedicar exclusivamente ao ramo de buffet e de comissária da Vasp, mudando-se dali, o espaço foi ocupado pelo Arnaldo Molina com sua loja de roupas masculinas. Hoje ele está com sua loja e f´brica de confecção de uniformes na rua 13 de Maio.

Do outro lado da Galeria, ficava a Kaleche, loja do Luiz Alberto Naglis, que foi meu colega no Externato São José da severa professora dona Simpliciana Corrêa. Lá se reuniam todas as tardes os seus amigos Edson Contar e os recém formados advogados, Remolo Leteriello e Abrão Razuk. No fim de ano, para incrementar as vendas, o Luiz oferecia a seus clientes como brinde, uma garrafa de vinho. Tinha tradição, já que era filho do Jamil Naglis dono do Palace Royal, a loja mais antiga de Campo Grande. Só vendia roupas finas.

Na sobreloja, havia diversos escritórios: um deles era o dos administradores do edifício, Humberto Canale Júnior e Clodoaldo Hugueney Sobrinho. O Clodoaldo, também meu colega do Externato São José, me cedeu uma sala contígua à do seu escritório, onde funcionava a empresa que eu representava. Todas as tardes, logo depois do almoço, recebíamos a visita cordial do dr. Carlos Hugueney Filho, pai do Clodoaldo, já aposentado da sua banca de advocacia – uma das mais concorridas de Campo Grande – que nos brindava com suas ricas histórias da nossa cidade.

Na sobreloja, havia dois consultórios de cirurgiões dentistas: o do dr. Edroim Reverdito e o do dr. Jayme Valadares Novaes. Este também funcionário do Banco do Brasil era o dentista da nossa família. A minha filha Andréa chamava o Jayme de “dentista” Jayme e não de “dr. Jayme”. Não adiantava a gente falar que não era assim. Ela argumentava: “Ele não é dentista? Não se chama Jayme?”. O Jayme era tão competente que me colocou uma prótese, em 1971 que eu uso até hoje.

Ele tinha um costume: todas as vezes que a gente abria a boca ele dizia: “dá licença”. Uma vez um colega do Banco – trabalhamos juntos em Ponta Porã – Reinaldo Melânio Peralta, já trabalhando na agência de Campo Grande, cujo comportamento é um tanto informal, de tanto ouvir o Jayme pedir licença, foi logo dizendo: “A partir de agora você já está autorizado, não precisa mais pedir licença”. Inicialmente isso deixou o Jayme constrangido, mas logo entendeu a linguagem do Peralta.

(*)Heitor Freire é corretor de imóveis e advogado.

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é a nossa cidade morena tem história! apesar de eu ainda nem ser nascida nessa época, é muito interessante conhecer um pouco mais dessas histórias! e contada por pessoas que presenciaram tudo isso!
parabéns!
 
Camila Oliveira em 03/03/2012 12:31:53
EU MOREI NA GALERIA SÃO JOSÉ POR 4 ANOS 2002/2006 , E CONFESSO QUE HAVIA MUITOS PROBLEMAS, ESTÁ NA HORA DE OS PROPRIETÁRIOS QUE POSSUEM A MAIORIA DAS SALAS E APARTAMENTOS, QUE EU ME RECORDO SÃO DOIS, INVISTAM PORQUE SENÃO DAQUI A POUCO PODE ATÉ ACONTECER O PIOR.
 
ANA GOMES em 03/03/2012 11:41:54
Que maravilha a história da nossa cidade....
 
Marcos Scanoni em 03/03/2012 10:43:16
QUANDO CRIANÇA ALI FUNCINAVA A PRI 7 DO SABINO PRESA COM SEU PROGAMA MATINAL DEPOIS DEMOLIRAM TUDO PARA FAZER ESTE PREDIO E EM BAIXO A GALERIA SÃO JOSE ONDE TINHA TAM BEM A RELOGARIA DO NELSON TASKANO UNS DOS MELHORES RELOGWEIROS DE CGR. FUNCIONAVA TAMBEM UM SALO DE BARBEIROS DO JOSE QUE DEPOIS FUNDOU O SALAÕ AZUL NA CANDIDO MARIANO TINHA A DEPOIS A LOJA DO MOLINA ISTO FOI A MUITO TEMPO
 
ADAO C CEZAR em 03/03/2012 10:41:02
Conheci a galeria São jose... Ah! Como o tempo passa, tão rápido.
Seu texto trouxe uma memória que o povo de nossa cidade não sabe valorizar. Não sei de quem é a culpa... Mas acredito que deveria ter um espaço aqui em campogrande para que fosse redescobertas pessoas e historias saudosas.
talves um bar tematico na Orla ferroviaria ambentado em um vagão de trem ajude a recontar a historia...
 
Fabio Lopes em 03/03/2012 09:25:12
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