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21/10/2012 12:19

Gosto não se discute

Rosildo Barcellos (*)

Há muito ainda para se conhecer no Brasil. País realmente de riquezas inquestionáveis e algumas ainda não conhecidas.Entretanto numa destas viagens pelo Brasil encontrei um supermercado que vende um produto muito interessante e que eu como contador de histórias não poderia de apresentá-los a esta. Neste supermercado, caminhando pelo corredor, observa-se produtos divididos por especialidade organizada por país de origem e que evidentemente facilita muito quando busca-se algo específico. Ali encontrei azeites especiais, alcachofra, tomate pellati italiano, produtos importados, para culinária árabe, indiana, japonesa chinesa, uma adega com vinhos de qualificação elevada.

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Entretanto também encontrei algo que me chamou a atenção. Uma iguaria produzida de uma forma extremamente original no município de Domingos Martins,na região serrana do estado do Espírito Santo entre o Parque Pedra Azul, o Parque do Caparaó e o Pico da Bandeira. Um quilo do Jacu Bird Coffee custa R$ 272, quase 30 vezes mais que o valor dos tradicionais. Para quem não estiver disposto a dar R$ 68,00 no pacotinho de  250gramas do café, pode provar da bebida na xícara, ao custo de R$ 8,00. Sabemos da excelência do nosso café até porque o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores mundial de café, o Brasil escolheu o segundo café mais exótico do mundo para ser o seu representante nas Olimpíadas de 2014. O Jacu Bird Coffee é feito a partir dos grãos comidos e expelidos pelo pássaro de mesmo nome é a novidade que faltava nas prateleiras. E o que antes era um problema ambiental, hoje é uma solução financeira. Para conhecimento o Kopi Luwak, é o café mais exótico e caro do mundo, e é produzido a partir dos grãos ingeridos pelo civeta, um mamífero marsupial indonésio encontrado principalmente nas ilhas de Sumatra, Java e Bali. O animal é parecido com o gambá brasileiro e se alimenta também de carne. A xícara de café do Kopi Luwak custa R$25,00.


O preço aguçou a minha curiosidade até que descobri uma reportagem no jornal britânico Huffington Post   a respeito do “Café Mármore Negro” que está conquistando o lugar de café mais caro do mundo. A referida bebida é feita com grãos refinados naturalmente   colhidos dos excrementos dos paquidermes tailandeses, até porque as enzimas estomacais conseguem atuar diretamente na proteína do café reduzindo o amargor e deixando-o mais encorpado. 

Dizem que o verdadeiro apreciador de café prefere o espresso e  sem açúcar, até porque neste particular reside a forma de extração do “espresso” – rápida e pressionada –  um diferencial aroma, sabor e o corpo. Aliás, de origem italiana – é do país europeu que vem a grafia com s e não com x; o espresso conquistou o mundo. Aqui no nosso rincão criamos nossa própria versão, com 20 ml a mais do que o cafezinho italiano de 30 ml. O espresso original é feito com 7,5 gramas de pó para 30 ml de água, alguns até servem água com gás para ajudar a limpar as papilas gustativas e ser mais fácil identificar aromas.O importante é que  independente da forma, cada brasileiro gosta e aprecia o café ao seu modo. Porquanto, assim como o vinho, o café ganhou complexidade, especificidade e defensores apaixonados e cá pra nós: nunca perderá sua elegância.

(*) Rosildo Barcellos é articulista

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